Revistas / 2012 / Rolling Stone (Fevereiro)

A Rolling Stone é uma revista sobre cultura pop

The Voice: a diva, o drama, os detalhes sórdidos

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
Não copie, direcione o link

Três homens e uma diva. A (amigável) guerra dos sexos que comanda The Voice, o mais empolgante programa de música da TV.

No fundo, The Voice é um jogo, e as regras mais essenciais entre os mentores permanece implícita: tente não estremecer quando os testes cegos te enganarem ao escolher um candidato sem vê-lo; sempre diga que é muito difícil escolher o vencedor de uma batalha vocal, mesmo que a decisão seja muito fácil; e, a mais importante, nunca, jamais interrompa Christina Aguilera quando ela estiver falando.

No fim de uma tarde, em um camarim silencioso de um estúdio fotográfico em Los Angeles, Aguilera está encolhida, sem sapatos, em um sofá branco ao lado dos colegas Adam Levine e Blake Shelton. Ela está tomando um café gelado e falando do quão bom é o time de cantores que ela escolheu para a segunda temporada de The Voice, que começa em fevereiro depois do Super Bowl. “Em uma das minhas batalhas”, ela diz, “um cara e uma garota cantam Heart Shaped Box, do Nirvana, e eu nem sei se as pessoas esperariam isso de mim…”

Quando ela diz isso, Cee Lo Green – que está jogado na diagonal em uma cadeira de couro ao lado, no meio de uma comunhão profunda com o teto – muda o foco de atenção e começa a cantar em voz aguda a melodia de Kurt Cobain – “Hey wait, I’ve got a new complaint…”. Aguilera pula como um peixe sensual, balançando os longos cabelos brancos em direção a ele, lábios vermelhos em posição e olhos azuis abertos, como uma imperadora perturbada: “Sim, Cee Lo”, ela diz, como se estivesse falando com o filho de 4 anos, “aqui, eu quem falo”. Ele para de cantar, e ela ri como quem já passou dessa fase. “É só acordá-lo que ele começa a interromper o papo de todo mundo!”.

As estrelas incomuns de The Voice – o programa de entretenimento com a maior audiência da temporada passada da NBC – nos renderam uma surpreendente e calorosa relação fora-das-câmeras, especialmente porque são quatro pessoas que não teriam nada em comum em outra situação. “Olha só para nós quatro”, diz Levine. “É tudo tão errado que é incrível!”.

Segundo as fofocas, os outros três supostamente vivem incomodados com os pecados de Aguilera, incluindo atrasos, ordens e o salário maior – mas não vimos nada disso hoje. “Supostamente é a palavra chave”, Aguilera conta em gargalhadas. Levine e Shelton foram recentemente ao aniversário de 31 anos de Aguilera em um clube de boliche; Cee Lo só não foi porque tinha compromissos fora da cidade.

Eles passam muito tempo implicando entre si. Shelton, natural de Oklahoma – um cantor com dez #1 nas paradas country mas pouco reconhecimento fora do gênero até a estreia de The Voice, em abril passado – é um alvo frequente das piadas. Shelton, de 35 anos, está vivendo um momento anos-80 atualmente, por isso tem tocado “Bust A Move”, do Young MC, nas pequeninas caixas de som do iPhone dele. Levine diz que “Blake acha que essa música foi lançada de novo há duas semanas”. Mas eles também invejam o jeitão de cowboy dele. “Blake pode fazer ou dizer qualquer coisa”, Levine conta. “Se eu gritasse, ‘são 4 horas e estou bêbedo!’, seria atacado. Já ele, diz ‘Tudo certo, vai se f*der, acabei de atirar na porr* de um alce, beija minha bunda’. Ele consegue dizer o que bem quer.”

Cee Lo, de 37 anos, é o diferente, o senhor e único habitante do que Shelton chama de “o mundo de Cee Lo”. No momento, ele está usando uma camiseta preta e calções pretos e compridos, com sandalhas em cima das meias brancas. “Ele usa sandalha com meia branca e ainda assim fica bom”, diz Levine. “Se fosse eu, Blake riria de mim”.

Se Aguilera precisa acionar o modo-diva, dentro e fora das câmeras, ela vê como a única forma de se manter no meio deles. “Tem que ser uma garota muito forte para ficar no meio desses caras”, ela diz. “É muita coisa acontecendo. Tipo um daqueles vestiários malucos”. Levine, com os braços tatuados moldados por exercícios de ioga, expostos por uma camiseta sem manga, olha para Aguilera. “Eu honestamente acabei de perceber que você fica cercada por três homens o tempo inteiro. Deve ser horrível.” – mas ele alerta que estão se adaptando: “Paramos de peidar na frente dela!”.

Aguilera gira os olhos. “Mas você deu aquele arroto horrível nas gravações do comercial do Super Bowl”.

ALÉM DE cebolas, tomates e maconha, a maior fonte de renda da Holanda deve ser reality show – Big Brother e Fear Factor começaram lá antes de se espalharem pelo mundo, e em 2010, o riquíssimo John de Mol teve outra ideia: The Voice Of Holland. Ele estava certo de que a fórmula de American Idol e XFactor estava esgotada. De Mol diz que “o truque que funcionou por anos – um juri profissional detonando um garoto de 16 anos sem talento, que usa aparelhos e acha que é Michael Jackson – começou a enfraquecer quando o público começou a antecipar a fórmula e estrutura”.

Ao invés disso, ele tinha uma equipe que passou um ano pesquisando novos truques, incluindo um processo de testes agora famoso: os mentores ficam sentados em cadeiras vermelhas, de costas para os cantores, apertando um botão quando são impressionados. Eles também eliminaram completamente candidatos como William Hung, substituindo por um mar de candidatos realmente talentosos. O outro truque nunca falha na criação de suspense para a TV: quando mais de um mentor escolher o candidato, o poder de decisão muda, com os ricos e famosos implorando por uma chance perante os desconhecidos.

A versão americana de The Voice é praticamente idêntica à versão holandesa, apesar dos mentores serem mais famosos em nível internacional do que pessoas como Angela Groothiuzen e Roel Van Velzen. Mas poderia ser uma programa totalmente diferente: a mente dos reality shows, Mark Burnett, estava preparando sua própria versão de uma competição, com mentores famosos montando um time de cantores, quando o presidente da grade noturna e alternativa da NBC,  Paul Telegdy, lhe mostrou The Voice Of Holland.

Eles decidiram deixar as próprias ideias para trás e tentar importar The Voice – e apesar da CBS também estar interessada no programa, De Mol optou ir com a NBC, que estava descansando na 4ª posição da audiência americana. “A NBC não era a primeira opção das pessoas”, diz De Mol. “Mas eu achei que era o ideal porque eles precisavam muito de um sucesso e nos dariam apoio”. A NBC ganhou a disputa e deu a Burnett apenas quatro meses para contratar quatro jurados, montar uma equipe de produção e colocar o programa no ar.

ADAM LEVINE não está gripado, ele insiste em dizer. “Eu juro que não estou doente de verdade”, ela fala assoando o nariz em um estúdio em West Hollywood, onde ele está gravando uma eterna sessão de 12 horas de duração para aconselhamento dos candidatos do time dele. “Minhas alergias estão me matando”, conta Levine. “Celebridades são como nós, suscetíveis a ataques”.

Na primeira parte do dia, Levine, de camiseta branca e jeans, com o convidado Robin Thicke escondido atrás de um piano preto (que um membro da produção limpa entre todos os takes), está em um estúdio imenso, ajudando os candidatos a treinarem versões simplificadas das músicas dos rounds de batalha. Eles precisam fingir que as inúmeras câmeras não estão ali, o que pode ser difícil: enquanto uma candidata, uma garota loira alta com voz suave, luta para soar natural durante uma conversa com Levine e Thicke, um ajudante de produção manda ela dar um passo para a esquerda. Ela pula.

Na hora do almoço, Levine vai para um trailer desprovido de efeitos especiais e começa a comer uma mistura de grãos e salmão em um pote de plástico. “Eu gosto de comer comida saudável porque me sinto bem”, ele diz. “Uma boa parte na manutenção da nossa vida é não se sentir uma merda.” Levine, de 32 anos, não está se sentindo bem, por causa das alergias e porque saiu para beber tarde da noite anterior (ele deixou uma mensagem cantada de Tyrone no celular de um amigo). Mas ele tem um trabalho para fazer, o que ainda o causa estranheza. “Eu nunca achei que seria uma pessoa que trabalha”, ele diz, jogando o pé em um armário de madeira falsa. “Eu sempre achei que tinha escapado de ter que trabalhar por estar em uma banda. Eu deveria estar vivendo a vida de rock&roll que todo mundo acha que eu tenho!”.

Quando Burnett chamou Levine para fazer o programa, ele se sentia desolado. “Quando fiz 30 anos, comecei a pensar o que eu tinha feito durante minha vida. Então, percebi que tinha um milhão de coisas que queria fazer com minha vida. E The Voice teve um papel importante em me fazer ver isso”. Ao mesmo tempo, parecia que Maroon 5 estava indo para a direção errada. “Nós nos sentimos um pouco estagnados”, ele conta. “Sentimos que tivemos sucessos, músicas que não foram a lugar nenhum, um monte de altos e baixos. Estávamos na estrada, mas talvez não estávamos tocando para as maiores plateias que já tocamos. Não foi ao fundo do poço, mas também não estava no topo como antes”.

Levine conta que seus companheiros de banda o apoiaram no novo emprego, vendo o programa como uma chance de ganhar atenção novamente – apesar de terem que remarcar algumas datas da turnê. Foi uma decisão esperta: durante a temporada, Maroon 5 estreou Moves Like Jagger, a colaboração com Aguilera que acabou se tornando um dos maiores sucessos deles.

Sempre competitivo – ele passava horas duelando em Halo contra os colegas de banda – Levine está determinado a ganhar. “Eu pensei: ‘Se vou fazer isso, vou fazer direito’. Não vou brincar. Quero estar tão presente em The Voice quanto fico no palco do meu show. Eu decidi isso bem cedo. Eu conversei sobre isso com mundo, me falaram: ‘caramba cara, você está levando isso a sério mesmo!’.

Levine se mostrou tão natural para a TV quanto para liderar a banda – hábil na hora de conquistar os melhores cantores para o time dele. “Finalmente tive a chance de falar”, ele conta. “Cantores não podem falar muito. Sou relativamente articulado e pensei ser merecedor da chance de mostrar isso para os outros”.

Frustrado pela doença, Aguilera o chamou de vendedor de carro velho na frente das câmeras – o que deu início ao hábito de se alfinetarem durante o programa. O aparente conflito, que às vezes parecia com flertes, abasteceu os boatos de uma briga e turbinou a aparição dela em Moves Like Jagger.

“Eu não tenho nenhum problema com Christina”, Levine diz. “E claro, se eu tivesse, não te contaria! Os problemas que eu enfrento diariamente são pequenas bobeirinhas que não vão afetar nosso relacionamento a longo prazo. Ficava puto se Christina se atrasava, e tipo… é, ela já se atrasou algumas vezes. Mas ela melhorou esse ponto, então não tenho porque ficar bravo mais, sabe? Nós brincamos muito, e por mais que eu saiba que as pessoas detestam ouvir isso, não tem nenhum problema entre nós dois e espero que ela pense assim também. E eu sinto que ela pensa assim. Nós sempre conversamos depois das gravações, passamos tempo juntos… então, é tudo bem.”

O horário de almoço de Levine logo termina e ele tem que trocar de camiseta gola-v para outra sessão de treino com candidatos. São os segmentos chamados de “sentar-e-conversar” e parecem não terminar nunca. Entre os takes, ele mostra para Thicke fotos da namorada-modelo-da-Victoria’s-Secret (“Estamos juntos há dois anos. Para mim, é uma eternidade”), repete piadas de Chris Rock e reclamada de bateristas barulhentos (“Todos eles sonham em fazer parte da Dave Matthew’s Band”).

Depois que inúmeros candidatos reclamam de nervosismo, ele conta: “No ano passado, foi diferente. Ninguém sabia bem o que era isso, então ninguém tinha medo. Agora, é The Voice e todo mundo está tremendo”. Quando a equipe leva Levine para mais um outro segmento, ele geme de forma exagerada. “Eu quero morrer”, ele diz, começando a ficar exausto. “Posso pelo menos me aliviar enquanto gravamos? Quem vem com o lubrificante?”, ele diz, reforçando o ponto de vista de Aguilera quanto ao vestiário masculino. “Preciso de um uísque e de um boquete”.

CEE LO GREEN analisa o menu do serviço de quarto do hotel onde está hospedado e balança a cabeça. “É tudo muito fresco para mim”, ele diz. Ele está em uma suíte no 54º andar de um hotel em Nova Iorque, no qual as cortinas controladas por controle remoto se abrem para mostrar a vista do Rio Hudson.

Ele usa uma imensa camisa branca e calças escuras, coberto de tatuagens que incluem a palavra PENSE no pulso direito e DUAS VEZES no pulso esquerdo (é uma referência a uma das frases da música Crazy, de Gnarls Barkley, e, segundo ele, “um conselho geralmente bom”).

Depois de um tempo, ele opta por uma salada Coob, mas pensa duas vezes antes de pedir. “Abacate está bom para você?”. Ele está tentando controlar o peso – e não só porque Levine costuma pegar a barriga dele e dizer que está na hora de fechar a mercearia.

“Eu sou naturalmente grande”, Cee Lo diz. “Não sei se gostaria de ser pequeno como o Adam. Acho que não daria certo para mim, não quero decepcionar as garotas. Elas realmente me amam como sou” (apesar que, mais tarde, Cee Lo confessa que não tem muito tempo para isso: “Estamos trabalhando tanto que eu teria sorte se ganhasse um final feliz depois de uma massagem”).

“Mas eu quero cuidar da saúde. Perdi alguns bons amigos, apesar de que nem todos foram por causa do peso. Eu perdi meu amigo Heavy D recentemente e também era amigo de Patrice O’Neal. Então, tipo, eu olho para eles e percebo as semelhanças. Eu quero ser tão saudável quanto possível. Tenho um filho pequeno e quero estar perto dele”.

Cee Lo também tem sofrido dores constantes após ter fraturado uma vértebra, condição que só tem piorado com as viagens que tem feito. The Voice é a chance de manter o padrão de vida sem as turnês – e ele tem procurado uma residência em Las Vegas também.

De forma menos prática, ele vê a presença no programa, com barriga e tudo, como “um triunfo para as pessoas normais. Sinto que existem tantos falsos ídolos e imagens. Acho que alguém como eu está superando essas coisas. Nós somos a maioria, esse é nosso poder, nossa hora. Eu sinto que sou maravilhoso, estranho, bizarro, único, todas essas coisas. E eu me sinto bonito. Como diz Sly Stone, todo mundo é uma estrela”.

ALGUMAS ESTRELAS, no entanto, não conseguem brilhar menos do que outras – como Aguilera mostra nas gravações de suas sessões de treinamento. “Eu quero estar aqui para ajudar e apoiar vocês”, Aguilera conta para um par de candidatos: um rapaz arrumadinho com uma voz para ópera e uma mulher de cabelo enrolado que parece se inspirar em Celine Dion.

Eles estão em uma mansão alugada em Silver Lake, próximo a um piano posicionado abaixo de um lustre de cristal. Aguilera casualmente demonstra uma nota alta para eles e o som que sai da garganta dela é tão puro, forte e imenso que quase derruba os candidatos. “Eu sou barulhenta”, ela ri mais tarde.

Enquanto Burnett corria para montar The Voice, ele ouvia repetidamente dos colegas: “Você nunca vai conseguir colocar Christina Aguilera neste programa”. Mas ele a via como parte essencial na hora estabelecer a credibilidade do programa: “Eu disse a mim mesmo, ‘Christina é a voz desta geração’, e conseguiu marcar uma reunião. Ela só assinou o contrato depois que Burnett assegurou que o programa não teria humilhações do estilo de Simon Cowell.

Aguilera acabou de sair do ano que ela considera como “um muito difícil”. Em 2010, ela se divorciou, lançou um álbum (o sintético Bionic) e um filme (Burlesque, com Cher) que tiveram recepção fraca, e ainda cancelou uma turnê. “Qualquer passa dificuldades ao encarar um divórcio”, ela diz, “mas ser uma mulher que vive sob um microscópio aos olhos do público, faz tudo mais difícil”.

Ela começou a sentir que deveria “tirar uma pausa de mim mesma por um tempo. Naquela hora, eu sequer sabia que o programa seria tão grande quanto foi. Só pensei, ‘esse é um conceito legal, posso experimentar as coisas por outro ângulo, ajudar alguém e talvez me inspirar de forma diferente como artista, novamente.

Depois de uma longa carreira, Aguilera gostou, principalmente, da inclusão de candidatos mais antigos em The Voice, que podem até ter tido um ou outro contrato de gravação antes. “É bom dar segunda chance para as pessoas”, ela diz. “É uma ótima oportunidade dar nova vida e impulsionar não apenas eles, mas seu coração e espírito para encarar esta indústria de novo”.

Além disso, ela tem trabalhado em um novo álbum também. “Eu só faço meus discos quando estou muito inspirada e quando tenho algo a dizer – e tenho muito a dizer, com tudo o que aconteceu desde meu último álbum há dois anos. Tenho muito loucura para contar, muita coisa fod* acontecendo”.

Para uma mulher que um dia andou de calças de cowboy cortadas (no clipe de Dirrty, que Cee Lo considera seu favorito), Aguilera consegue ser inesperadamente vulnerável. Ela gosta que The Voice mostra um lado mais tranquilo dela – e tem sido assim até fora das câmeras.

Ela estava conversando com Shelton em uma festa pós-gravação na casa dele, na temporada passada, quando ela simplesmente disse a ele: “Eu não acho que você gosta de mim”. Shelton chamou a esposa, a cantora Miranda Lambert, que revelou que o presente de aniversário de Shelton há alguns anos foi uma cópia autografada do tourbook de Aguilera. “Ela é minha cantora favorita”, diz Shelton (que também admite ter uma paixão por ela – até a incluiu como o “passe livre” nas condições do casamento com Miranda, achando que nunca a conheceria).

“Eu disse isso a Christina e nunca esquecerei a expressão dela na hora. Claro que, conhecendo Christina hoje, possivelmente algum dos empregados dela que assinou aquele livro”.

Enquanto os rapazes passam o tempo juntos no set, Aguilera frequentemente vai ao trailer dela ficar com o filho, Max. “Não sei porque as pessoas implicam tanto com Christina”, diz Cee Lo. “Mas ela é legal. É bem quieta. Quer ser bem sucedida em tudo, incluindo em ser mãe. Nunca vi ela exalar nenhuma energia negativa. Ela não passa muito tempo conosco, fica mais quieta no canto dela. Nós somos homens, nos encontramos para beber cerveja e falar besteira – então é óbvio que nos entendemos melhor. Ela raramente passa tempo conosco, está mais focada nos negócios dela. E eu respeito isso. Só de olhar para ela, eu sei que ela é uma indústria. Cerca de 17 pessoas ficam com ela o tempo inteiro”.

Para Aguilera, você pode se sentir à vontade em chamar ela de diva. “Claro! Alô, você sabe com quem você está falando? Sou mulher, tenho opiniões firmes, estou trabalhando em um programa chamado The Voice e sou conhecida por ter uma voz forte – desculpa, mas uma grande vocalista da minha geração – então todo mundo aponta para você e te chama de diva. E se isso significa ser opinativa e saber o que quero, então vou usar esse rótulo até o dia em que eu morrer”.

Apesar disso, ela ignora as fofocas sobre o programa e sobre a vida dela. “Atualmente, você pode jogar qualquer coisa em mim que não vai colar”, ela diz. “Tudo o que acontece fora da minha casa e da minha visão e objetivos é só barulho. Meu foco fica aonde eu quero ir com minha carreira e o trem não vai diminuir a velocidade tão cedo. Quero fazer 80 anos no palco, cantando um blues antigo com uma bengala e ficar assim até minha hora chegar”.

LEVINE RESPIRA FUNDO, olha para os colegas mentores, e diz: “O que vou falar é nojento e fedorento, mas preciso confessar que amo todos vocês. É sério!”. Aguilera passa a mão no braço de Adam: “Aaaaw, Adam!”. Ela gosta de lembrá-lo que, na verdade, ele não ganhou nada na temporada passada – foi Javier Colon quem saiu vitorioso. “Eu concordo”, Levine fala. “Eu não ganhei merda nenhuma, não recebi nenhum prêmio The Voice no correio… eu comemorei cedo demais e agora me fud*”.

Cee Lo repentinamente se endireita na cadeira e pergunta aos outros três: “Quanto tempo vocês acham que irão ficar no programa?”. Eles o encaram. “Para que você está perguntando isso agora?”, Aguilera diz. “Não é uma boa pergunta, nós estamos sendo gravados!”.

“Eu estive me perguntando isso esses dias”, Cee Lo continua, inocentemente, “porque é tão bom, que poderia durar muito tempo” (Apenas para constar, DeMol diz que mudar um ou outro mentor depois de uns dois anos é bom, porque traz vida nova ao programa. O chefe de entretenimento da NBC, Bob Greenblatt, diz: “Eu amo nossos mentores, mas se algum deles disser que acha que não saberia o que fazer de novo em mais um ano, acharemos um substituto. E eu acredito que o programa consegue andar sozinho se isso acontecer”).

Aguilera suspira. “Não acho que esse é o tempo ou lugar de discutirmos isso, Cee Lo!”. “Eu faria o programa para sempre”, Cee Lo diz. Levine se cansa e vai atrás do meu gravador digital. “Desliga essa porcaria!”, ele diz. Ao invés disso, eu pergunto a Aguilera se ela conseguiria treinar os colegas mentores. “Talvez não treinar, mas fazer outras coisas”, ela diz. “Tipo, espancá-los”.

“Whoa!”, exclama Cee Lo, claramente envisionando o clipe de Dirrty. “Não assim!”, Aguilera fala, e todos os rapazes gemem decepcionados. “Mas todos merecem apanhar”. Levine concorda: “Eu não duvido nada”, ela diz. “Me espanca, filha da mãe!”.


Voltar para Revistas – 2012 e 2013