Revistas / 2012 / Marie Claire (Fevereiro)

A Marie Claire é uma revista sobre mulheres, saúde, beleza e moda, volta para o público feminino

Christina Aguilera: “eu amo meu corpo… meu namorado aaama meu corpo!”

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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DIVA DE MORRER. Diga o que quiser sobre Christina Aguilera – ela já ouviu de tudo (e não dá a mínima). Agora, recém saída do aniversário de 31 anos, o ícone pop está pronto para falar sobre o divórcio, os boatos dos tablóides e as novas curvas. Como sempre, Xtina sempre ri melhor. 

Christina Aguilera aparenta ser cada centímetro da performer que ela é – seja no palco, na frente de milhares de fãs – ou na frente de uma crise de relações públicas. Em um sofá branco após uma sessão de fotos, com os cabelos loiros caindo sobre os ombros e os olhos brilhando com pesada maquiagem em glitter, a cantora está calma, elegante e preparada para responder perguntas difíceis. Por ter entrevistado Aguilera inúmeras vezes antes, eu sei que ela é experiente em dar respostas inteligentes e focadas nos assuntos que ela quer discutir e muito boa em dar respostas que evitam os assuntos que ela não quer comentar.

Recentemente, foram muitos campos minados nos quais ela teve que andar. Em 2010, ela ajuizou divórcio do marido Jordan Bratman, que foi marido dela por cinco anos; no mesmo ano, o álbum Bionic se mostrou uma decepção comercial e de críticas. Ela não mudou esse quadro nas telonas: os críticos detonaram Burlesque, o filme de estreia com Cher. Depois, veio aquele incidente no Super Bowl do ano passado, no qual Aguilera inverteu as letras do hino nacional. Um mês depois, ao sair com o namorado Matthew Rutler, ela foi presa por embriaguez pública (as acusações foram retiradas logo depois).

“Aquele foi um ano difícil”, Aguilera admite, balançando a cabeça. “Entre meu divórcio e todas as outras coisas que eu passei, muita coisa aconteceu. É difícil viver essas coisas em público, mas se você é uma celebridade e vive sob uma lupa, é 58 milhões de vezes mais difícil. Minha pele ficou ainda mais grossa depois daquele ano”.

O escrutínio não mostra nenhum sinal de tê-la abatido. Ultimamente, ela tem sido assunto de tabloides cruéis sobre o peso dela (“Eu nunca fui tão gorda assim”, disparou Kelly Osbourne no E!’s Fashion Police). A resposta de Aguilera é ignorar a estática. “Já passei pelo alto e pelo baixo,  por todo o turbilhão de coisas que acontece nesta indústria. Ser magra demais. Ser maior. Eu recebo críticas por estar dos dois lados da escala. É um monte de barulho que eu bloqueio automaticamente. Eu amo meu corpo. Meu namorado aaaama meu corpo. Meu filho está saudável e feliz, então tenho tudo o que importa para mim”.

Ao contrário dos tamanhos 00 de Hollywood, que são obcecadas-a-ponto-de-T.O.C. acerca de cada caloria que consomem, Aguilera diz nunca ter ficado mais em paz com seu corpo: “Eu tenho algumas características físicas que são favorecidas sobre outras áreas do corpo. Todas nós temos nossas áreas favoritas”, ela diz. “Quando eu gravei Burlesque, eu perdi tanto peso que fiquei magra demais. Eu não me peso – o que importa é como eu me sinto nas minhas roupas. O que fica bem no corpo de uma pessoa pode não ficar bom no corpo de outra. Eu sou muito confiante com minhas curvas. Leva tempo, mas eventualmente você abraça a si mesmo e ao seu corpo”.

Aguilera não só abraça seu corpo, como também o circula com um laço e o presenteia ao mundo. Na competição de sucesso da NBC, The Voice, no qual ela é a única mulher no painel de mentores formado por Cee Lo Green, Adam Levine e o bonitão country Blake Shelton, Aguilera favorece o uso de mini-saias, bustiers e a marca-registrada dos altíssimos Louboutins. E ainda assim, apesar da rotina de Betty Boop de loiro-branco (“é chamado de showbusiness”, Aguilera diz), The Voice, que a mostra como mentora que aspirantes a pop-star, vemos um lado de Aguilera que raramente vimos antes: cuidadosa, engraçada, provocante. O melhor momento do programa reside nos ensaios fora do palco, onde a vemos com os candidatos, distribuindo conselhos e inspiração.

Nessas cenas espontâneas, Aguilera se veste e fala como qualquer um de nós: uma sobrevivente que já fez de tudo e que já experimentou o sucesso e a dor, e mesmo assim, continua em frente como sempre.

As batalhas recentes de Aguilera a sensibilizaram de alguma forma, uma mãe durante o dia, uma diva durante a noite, descansando nesta tarde com uma camiseta de baseball vintage, leggings e – o que mais? – Louboutins adornados com espinhos de ouro. Mas se ela costumava se esconder por trás do figurino (lembra daquele conhecido batom vermelho?), atualmente ela vê o trabalho como uma imagem mais ampla. “Eu amo a  teatragem e entretenimento é parte do que eu faço, mas isso vem com um pouco de superficialidade”, ela diz. “Quando eu era mais jovem, eu vivia pelo meu trabalho e pela minha arte. Eu queria que fosse Back to Basics (o mais recente álbum de Christina indicado ao Grammy) o tempo inteiro. Quando me tornei descobri quem eu sou além da carreira.

Pode te surpreender quando ler que Aguilera fez 31 anos em dezembro. Apesar de parecer mais nova, ela é uma veterana no meio artístico que estreou na TV há quase duas décadas, como integrante do elenco do Novo Clube do Mickey. Aos 19 anos, se tornou um fenômeno da Billboard com um álbum que vendeu mais de 8 milhões de cópias e a rendeu um Grammy de artista revelação.

Pessoalmente, entretanto, Aguilera lutava para escapar de um passado violento. Ela alega que o pai, um sargento do exército americano, abusava da mãe dela (uma acusação que ele nega) enquanto levava a família de base em base pelo país. Aguilera lembra quando corria para o segundo andar da casa e cantava pela janela do quarto – tudo para escapar das brigas.

Quando ela se casou com Bratman em 2005 e deu a luz ao filho Max Liron, três anos depois, ela acreditava que tinha encontrado o paraíso pessoal, mas a lua-de-mel não durou muito tempo.

“Todas as minhas decisões até agora visaram o bem estar de Max”, Aguilera conta. “Eu quero um lar de paz, não de caos. Eu nasci em uma casa caótica e isso é algo para o qual eu não tenho nenhuma paciência. Quero meu filho cercado de positividade, relacionamentos fortes que o fazem sentir parte de uma família sólida”. A ideia de um lar despedaçado conflita com os valores da cantora. Ela diz: “Eu não quero isso. Jordan e eu tiramos fotos juntos nos eventos da escola de Max, para mostrar que inexiste rancor. Crianças de pais divorciados tendem a se sentir mal quando os pais falam mal um do outro. São muitos os tipos de famílias e eu quero a minha centralizada em Max e na felicidade dele”.

Ser mãe solteira tem se revelado um pouco solitário às vezes, Aguilera confessa. “É difícil não ter a consistência de um parceiro diariamente. É uma batalha. Mas não posso falar que a culpa é do meu ex-marido porque ele é um pai devotado e excelente com meu filho. Sempre nos certificamos que Max vem na nossa frente. Eu recebo ajuda da minha família e das boas pessoas que me apóiam em minha carreira. Não conseguiria fazer o que faço sem um time forte atrás de mim.”

A rotina de Aguilera na noite é documentada por um batalhão de paparazzi que a seguem aonde ela vai; mas não se engane achando que ela é só diversão e pouco trabalho. Muito pelo contrário. A extraordinária ética profissional de Christina é bem conhecida dentre os integrantes do meio artístico. Nesses dias, quando ela não está gravando a segunda temporada The Voice, ela está no estúdio, gravando o próximo álbum, que ela descreve como “uma forte aproximação na tentativa de deixar o mundo ver a sobrevivente em mim”.

Como filantrópica devota, senão discreta, Aguilera recebeu o crédito por angariar US$ 22 milhões para o Programa Mundial Contra a Fome (WFP). Ela normalmente está em casa toda noite na hora de colocar Max, que tem quase 4 anos, para dormir, apesar dela escapar um pouco depois disso. “Mamãe é uma coruja”, comenta – mas ela também dedica aquele momento pessoal que toda mãe trabalhadora cobiça. “A maquiagem sai por completo e as calças largas entram. Camisetas confortáveis, pés descalços. Aí, tudo o que importa é minha cama. Eu tenho um tapete lindo embaixo dela, com degraus me levando lá e uma cortina imensa. Eu amo minha cama, faço tudo lá – até mesmo reuniões! É meu santuário”.

Já é tarde quando terminamos nossa conversa – hora de colocar Max para dormir. Aguilera ainda está refletindo quando nos despedimos. “O tempo cura tudo”, ela me diz. “Às vezes, é preciso passar por essas dores para chegar ao outro lado e sair no topo”. De pé, mal chegando nos meus ombros (mesmo de salto), ela se inclina para um abraço amigável, pouco característico. “Tenho 31 anos”, ela continua. “É um capítulo novo para uma mulher, só queremos agarrar a vida pelo…” – ela para em dúvida – bom, não posso dizer “saco”! (ela é uma mãe, final de contas). Ela ri e arregala os olhos azuis. “Você quer agarrar a vida, abraçá-la e viver ao máximo”.


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