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O TV Guide é um guia com a programação da TV americana e matérias sobre os programas em evidência

Os segredos de The Voice: por dentro do novo sucesso musical, direto da boca dos técnicos

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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HARMONIA PERFEITA. Pense nela como a Primeira Ceia. Uma noite antes de gravar o primeiro episódio do novo programa da NBC, The Voice, o produtor executivo Mark Burnett quis que os quatro mentores da competição – Christina Aguilera, Blake Shelton, Cee Lo Green e o vocalista principal do Maroon 5, Adam Levine – criassem um vínculo. Então, depois de entregar seu cartão de crédito pessoal, ele os mandou para um jantar no exclusivo Soho House de Los Angeles. Shelton foi o primeiro a chegar, seguido brevemente de Levine e Green. Os três artistas apostaram se Christina apareceria ou não. “Quando eu cheguei, eles ficaram com uma expressão de choque no rosto”, ela lembra rindo. “Não acharam que eu iria”. Enquanto a noite passava, e uma garrafa de champagne virou várias, os cantores perceberam o quanto eles acreditavam no outro e na missão do programa: descobrir talentos musicais ouvindo antes de vê-los.

Os mentores não apenas se conectaram naquela noite, como encantaram os telespectadores com a química que criaram. Nas primeiras quatro semanas, The Voice teve média de audiência em 12 milhões de pessoas. O programa sobreviveu todo o “preconceito dos céticos que queriam ver se eles seriam ou não um desastre”, diz Green.

Já Burnett, se convenceu de que o jantar valeu o preço que ele pagou. Só tem um problema: ele ainda não sabe qual é esse preço. “Eles me ligaram no dia seguinte e disseram, ‘Você vai se arrepender de deixar seu cartão de crédito conosco’. Eu nem vi a conta ainda. Eu não quero ver. Só estou extremamente aliviado que a química natural deles está transparecendo’.

Enquanto os mentores se preparam para os primeiros shows ao vivo do programa, a partir de 7 de junho, quando a audiência poderá votar nos eliminados, eles contam à revista TV Guide – com as próprias vozes – sobre a conexão recíproca, seus estilos de ensino e qual deles é conhecido como o Tiozão Safado (chute).

Blake Shelton:

A reação que o programa rendeu foi maior do que eu esperava. Sempre fui um artista country que lutava para conseguir um espaço na TV, mas agora que tenho, vi que é um mundo completamente diferente. Agora, eu sou “aquele cara daquele programa”, o que também é bom. Estou feliz com qualquer coisa que ajude pessoas a focarem no que eu faço, que é criar música.

Esse é meu forte como mentor. Eu cometi muitos erros no caminho, e amo dividí-los com meu time, não só para esse programa, como para toda a jornada que os aguarda. Existem coisas que eu fiz nos meus shows que eu gostaria de não ter feito – escolha errada de músicas, mostrar muito nervosismo ou petulância – e algumas das garotas do meu time ficam bastante nervosas. Eu clararamente não tenho problema em chamar atenção, mas isso nem sempre foi assim. Quem sabe? Eu posso levá-los para se passarem por imbecis em uma noite de karaoke, e extravasarem.

Uma coisa que eu não estou fazendo é ensiná-los como cantar. Eles sabem fazer isso. Eu só estou tentando escolher que música será melhor para eles. Nós nos comunicamos por e-mail porque a emissora quer que mantenhamos uma certa distância deles. Eu estou recebendo mais e-mails do que já recebi na vida inteira!

Eu não tenho a menor ideia do que os outros mentores estão fazendo ou como se envolvem com seus times. Eu só quero manter a leveza e a diversão para o meu. A única coisa que eu não gosto é de ter que eliminar metade do time. As coisas legais que eu quero fazer com eles não vai começar até os shows ao vivo. É ali que nós mergulhamos de cabeça, e a América decide. É aí que eu saio da equação e posso ser o pai no jogo de baseball.

Adam Levine:

Fazer The Voice me deu uma perspectiva completamente nova sobre a música. Me deixou mais humilde. Eu passei muitos anos trabalhando pesado e fazendo meu trabalho com a banda, o que me deixa muito feliz e satisfeito, mas ser um mentor é uma experiência que mudou minha vida. Eu me vejo como uma criança e nunca percebi que viraria o jogo para oferecer algo a quem está começando.

Criticar meu time não é muito importante para mim. Nós já ouvimos as pessoas dizerem coisas brutais nesse tipo de programa, mas eu não acho que os telespectadores se interessam por isso. Gosto mais do que eu sinto quando ouço alguém cantar. Acho que os cantores chegam ao sucesso só de estarem no programa. Você se expõe para um número imenso de pessoas te vendo cantar, então se sente feliz. Mesmo se você vai embora amanhã, vai feliz. É o impulso que faltava para alavancar uma carreira. Eu tenho certeza que, independente do resultado, não é o fim da jornada deles.

Também é uma experiência para nós como mentores. Estamos em território desconhecido. Todo mundo está se divertindo e fazendo algo diferente. Temos a chance de conversar e mostrar nossas personalidades, coisa que nunca tivemos a chance de fazer. Sem desprezar a importância dos candidatos, mas se não tem química entre nós quatro, não tem programa. Minha contribuição ao grupo é me divertir com a situação. Os outros mentores inventam besteiras sobre mim, mas é tudo por umas risadas. É isso a que tudo se resume. Fiz três amigos no programa. iloveaguilera.wordpress.com

Christina Aguilera:

O que tem sido excelente nessa experiência é poder ver as coisas de uma perspectiva nova através do meu time. Às vezes, nos tornamos muito críticos a respeito de nós mesmos, presos a certas experiências por conta da repetição e da rotina. Esse programa está me assoprando uma vida nova, e é por isso que estou dizendo ao meu time para aproveitar cada momento. Duas das minhas candidatas não se davam bem. Me senti triste vendo aquilo, e disse para elas: “Essa energia de vocês está aparecendo no palco. Honestamente, o público vai sentí-la e não vai se divertir. Vocês vão deixar esse momento ir embora e não vão aproveitar a experiência”. Eu tive momentos no programa onde disse para mim mesma o quão longe eu cheguei, e quero dividir como trabalhei nesses últimos anos.

Com os outros mentores, eu sou meio que a professora da classe. Tenho que interromper as piadas e trazê-los de volta ao assunto principal. Blake é o engraçado, com as tiradas rápidas. Ele é um espertalhão e badboy country ao mesmo tempo. Adam é o irmão implicante. Vende um carro velho para sua avó. Ele gosta muito de ser o centro das atenções e eu gosto de brincar com isso. E Cee Lo… eu chamo ele de o Tiozão Safado. Ele tem aquele estilão.

É tudo positivo, tudo legal entre nós. É como se fosse eu e meus irmãos lá no palco. Nós temos esses momentos juntos, que podemos lembrar e rir do outro. Mas eu também quero ser, ao mesmo tempo, a mãezona do meu time. Quero mostrar um lado meu que as pessoas não conhecem. Meus amigos mais íntimos sabem que eu sou a mamãe urso. Quero que todos em volta de mim saibam que estão sendo cuidados. Eu queria muito, muito mesmo dar uma festa para o meu time, mas por um motivo ou outro, não deu certo. Algumas questões legais e umas regras impediram. Mas nós conversamos por e-mail. Quando os shows ao vivo começarem, posso me unir a eles. Tudo é possível.

Cee Lo Green:

Quando surgiram as conversas sobre o programa, começamos a ligar para nossos empresários para confirmarem se o outro ia mesmo fechar o contrato, e se isso nos deixaria mais apreensivos. Até algumas semanas atrás, nós mesmos tínhamos nossos preconceitos sobre algo que nunca existiu. Não tínhamos planejado ser o jurado de ninguém. Mas o conceito de sermos mentores e dar críticas positivas é um formato melhor. Como técnico, eu não falo de dentro de uma caixa. Acredito no povo fazendo música para o povo. Meu time tem que cantar com o coração. Se não for do coração, o coração não encherá a canção. É isso que eles precisam fazer.

O que eu preciso fazer é parar de me preocupar com minha agenda. Algumas decisões precisaram ser tomadas em meu nome (porque eu não estava lá para decidir), como colocar Vicci contra Niki. Eu não faria isso. Quando precisei magoar Niki, percebi o quão sério era isso. Agora, estou completamente focado.

Não sei bem o que esperavam de mim quando começamos – talvez que eu seria o rebelde do grupo. Adam trouxe o charme de garotão. Aposto que tem muita garota ligando só pra ver ele. Ele também é bem sério com o trabalho como mentor, e isso é algo que aprendi a apreciar nele. Isso, e o senso de humor que ele tem. Blake e o cowboy alto e bonitão. Você imagina que ele seria fechadão por causa disso, mas ele é muito engraçado. E Christina… ela é a voz. Uma das melhores vocalistas da história. Ela também é muito dedicada, e é toda bonitinha e implicante com essa história de que eu sou o Tiozão Safado. Nós trabalhamos tão bem juntos que, quando tudo isso acabar, podemos fazer Friends 2 ou algo do tipo.


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