Revistas / 2010 / Redbook (Dezembro)

A REDBOOK é uma publicação voltada para o público feminino adulto, com foco em estilo de vida.

Christina Aguilera fala… “só estou tentando descobrir como enfrentar cada dia”

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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VOANDO SOZINHA – A carreira de Christina Aguilera está planando em novas alturas enquanto sua vida despenca ao chão. Aqui, ela fala casualmente sobre o fim do casamento e o que a tira da cama pela manhã: a inspiração para trabalhar, amigas fiéis e devoção ao pequeno filho, Max. QUANDO AS NOTÍCIAS sobre a separação de Christina Aguilera e Jordan Bratman, o executivo musical com quem se casou por cinco anos, ricochetearam ao redor do mundo em meados de outubro, a novidade foi recebida como um verdadeiro choque. Ao contrário de tantos casais de Hollywood que terminaram recentemente, não havia nenhum cochicho, nenhum sinal, nenhum terceiro querendo contar (ou vender) alguma história. Durante o verão, o casal, que sempre pareceu firme como uma rocha, e cujo filho, Max, faz três anos no mês que vem, viajou para a Itália e foi fotografado passeando em Los Angeles em uma brilhante nova Ferrari vermelha.

Na nossa primeira entrevista para esta edição, que aconteceu algumas semanas antes de Christina pedir o divórcio, ela focou nos aspectos positivos de sua vida. Primeiro, falamos sobre sua estreia no cinema, com Burlesque. Ela estrela como Ali, uma garota do interior de Iowa que sonha viver uma fantasia em Hollywood. Christina também falou sobre seu trabalho filantrópico para o Programa Mundial Contra a Fome, da ONU e de outras organizações não governamentais. Em um ano, ela ajudou a levantar quase 22 milhões de dólares, uma soma que quebrou recordes e ajudou a alimentar incríveis 90 milhões de pessoas. Em maio, ela foi nomeada embaixadora da ONU contra a fome.

Mas enquanto ela relaxava em um sofá de couro preto, na pausa entre sessões de gravação – vestida toda de preto, iluminada por um batom vermelho e cabelos loiros – Christina pareceu focada até demais nesses projetos todos. Ela estava animada e falatória sobre o trabalho e a vida com Max, mais silenciosa, mais pensativa, e com pausas longas, antes de responder as perguntas sobre o casamento – e falava sobre Jordan apenas como um grande pai, não como um grande companheiro. Em entrevistas anteriores, ela falava sem parar sobre as escapadas românticas do casal (há apenas dois meses, foi noticiado que ela deixava bilhetes de amor para Jordan escritos com batom). Hoje, ela sequer o mencionou ao falar sobre ser uma mãe sexy. Ao invés disso, ela mencionou várias vezes que estava passando por uma mudança emocional na vida dela, e que ela estava ansiosa para voltar ao estúdio e “abrir o coração e liberar tudo o que eu estou passando”.

No dia seguinte à divulgação da separação, Christina entrou em contato conosco de novo, desta vez, para falar como estava lidando com a situação – e ficou claro, pelas palavras dela, que aquele era o início de um longo e doloroso processo.

“Não é fácil, e envolveu muita lágrima e tristeza”, ela disse. “É impossível redefinir você e a sua vida da noite para o dia. Felizmente, tenho minha mãe e um pequeno grupo de amigos próximos que estão comigo o tempo inteiro, em quem eu posso confiar e depender. Nos dias que parece impossível até mesmo sair da minha cama, muito menos cumprir meu papel de mãe, o apoio e encorajamento deles me ajudaram a seguir adiante”.

Quando perguntada sobre detalhes, boatos (de infidelidade, de ambos os lados), e se ela e Jordan, que se casaram em novembro de 2005, tentaram terapia para casais no objetivo de resolver os problemas, Christina respondeu: “Por respeito ao meu marido, prefiro manter os detalhes para nós. No momento, só estou tentando entender como superar cada dia”. O foco durante esse tempo emotivo, ela diz, é seu filho, que fará 3 anos em janeiro. “Felizmente, Max me mantém no caminho são. Suas necessidades e felicidade são minhas principais prioridades, e minha maior preocupação é protegê-lo e fazê-lo se sentir seguro”.

A amiga íntima, Nicole Richie, é um elemento chave do sistema de apoio de Christina. “É muito claro pela música da Christina o tipo de mulher forte que ela é”, Nicole contou à Redbook. “Mas ver o trabalho dela como mãe só aumenta o respeito que eu sinto por ela. Ela é a mulher que grava das 4 da manhã até às 7 só para ficar com o filho. A dedicação dela com Max é incrível.”

Cher, a co-estrela em Burlesque, se tornou confidente da nova atriz no set, conversando sobre amor, a vida e relacionamentos. “Os detalhes dessas conversas eu só discutirei com Christina”, ela nos contou. “Mas eu gostei muito de passar o tempo com ela. Ela é engraçada, mas também meio tímida e privada. Você tem que conquistar a confiança dela. Ela é uma ótima mãe, trabalha duro nisso. Não é fácil gravar 16 horas em um dia e continuar sendo uma boa mãe. É difícil fazer qualquer trabalho bom assim. Mas ela fez. E prometeu bastante como atriz.

De volta aos aspectos positivos, então – o contínuo (e por vezes quebrantador) crescimento de Christina como mulher e artista, e as direções de sua vida como uma discreta filantropista e excelente performer na melhor forma.

Então, hoje você está finalizando a trilha sonora de Burlesque.  Como você se envolveu com esse filme?

Toda a ideia foi planejada sem eu saber. Eu fiz um show no Viper Room com as Pussycat Dolls, anos atrás, antes de se tornar um grupo pop. Clint Culpeper, presidente da Screen Gems, a empresa que produziu o filme, e o Diretor, Steven Antin, estavam na plateia naquela noite. Eles se entreolharam e disseram: “Isso é um filme!”. Eles queriam basear a história em uma personagem que levasse a voz ao mundo burlesco, uma performance vocal de verdade. Eles começaram a trabalhar no roteiro imediatamente. Mas eu não concordei na hora. No início, a personagem Ali era muito inocente. Para que eu pudesse me ligar à ela, ela não podia ser levada às oportunidades. Ela tinha que ter paixão e foco. Então eles reescreveram o roteiro para dar um pouco mais disso, e foi assim que eu concordei em fazer o filme.

E sua co-estrela, Cher? Vocês tinham muito em comum?

Absolutamente. Foi bem confortável passar o tempo com uma mulher que fez tudo antes de todo mundo. Ela é uma mulher forte. As pessoas mais bem sucedidas com quem já trabalhei – como os Rolling Stones, pessoas de um calibre diferente, quase legendário – têm uma energia tão calorosa. Cher é uma dessas pessoas. Ela contava histórias por dias e – alô, ela é vencedora do Oscar! Ela me deu conselhos sobre como encarnar a personagem e como me conectar com os outros atores. Ela também não tenta te agradar em querer. Te diz a verdade na lata. Por isso os elogios dela significavam ainda mais.

Você interpretou alguém bem diferente de você em Burlesque, até mesmo no aspecto de moda.

Eu gosto de ficar na minha vida real. Foi difícil para que eu me acostumasse com pouca maquiagem e roupas mais simples. Ela tem um olhar meio arregalado de deslumbre, mas não deixa ser enganada por ninguém.

Como sua agenda profissional e maternal se conciliam?

 Minha vida é cíclica. Primeiro, é hora do álbum, depois da turnê. Eu passo por fases, então vamos levanto tudo aos socos. Não sou uma mulher trabalhadora que tem o mesmo estilo de vida durante todos os anos seguintes. Eu não consigo ser assim. Eu preciso da espontaneidade, aquela emoção de mudança. Isso é parte de onde tiro minha inspiração. Sabe, é isso que tenho preparado para Max. Nós colocamos na cabeça dele bem cedo que ele vai ser um rapaz viajante. Ele se adapta bem quando vai de hotel a hotel.

Você deve cantar canções de ninar para ele, certo?

Minha música favorita para cantar para ele é “Stay Awake”, de Mary Poppins. E nós inventamos músicas juntos. Eu começo uma música sobre tigres ou homens do espaço, e ele me ajuda a terminá-las. Eu canto, “e ele gosta de brincar com”…, e ele completa, “carrinhos!”.

Você está ensinando ele a compor músicas!

Tem razão. Ele já é um compositor!

O que é mais difícil para você como mãe?

Eu tive que aprender a ser ultra paciente. Ele acabou de passar pelos terríveis dois anos de idade, ultrapassando os limites para ver até onde ele consegue chegar sem problemas. Agora ele está na minha fase favorita, ele é tão expressivo. Ele adora me dar beijos. Hoje ele ficou fascinado com o buraco que tenho embaixo do lábio, de um dos piercings que eu tinha na fase de Dirrty: “Olha o buraquinho que você tem aqui mamãe. Que isso?”. Eu disse, “É só um pequeno furinho”. Então ele pergunta, “Um dia ele vai acabar?”. Eu disse que achava que não acabaria. E é tudo o que ele precisa saber sobre esse assunto no momento (risadas). Essa é a resposta apropriada para a idade dele!

É difícil manter uma imagem sexy e ousada depois que você se torna mãe?

Para mim, não. São duas imagens diferentes de mim. Quando eu coloco meu filho na cama, digo “sonhe com os anjos, mamãe te ama”. Então vou até o estúdio no meu quintal e canto “se você não gosta, f-se”. É outra forma de me expressar. Eu me esforço para que todas as minhas faces como mulher sejam completas. Eu não sou só uma mãe. Eu não sou só uma performer. Eu tenho um lado sensual, e não quero que nenhuma parte minha venha a morrer. Meu filho deve crescer vendo a mãe dele seguir seu coração e fazer o que é certo para se expressar como artista. Eu quero que ele aprecie as mulheres por serem fortes. Eu acho que isso ajudará ele a respeitar as mulheres.

Você é embaixadora da ONU pelo Programa Mundial Contra a Fome (WFP). Mas muitas pessoas não sabem nada do seu trabalho social contra a fome no mundo.

Eu estou muito orgulhosa do dinheiro que levantamos, mas eu gosto que o trabalho fale por si só. Quando eu ouvi as estatísticas de que existem um bilhão de pessoas passando fome no mundo – muitas delas mulheres e crianças – e que a cada 6 segundos uma criança morre de fome, eu não pude dizer não. Eu sempre quis fazer algo, tentar espalhar a bondade com o que eu faço.

Estamos na época de festas. Como os natais são na sua casa?

Confortáveis, confortáveis, confortáveis. Eu adoro aquelas coisas antigas de Papai Noel, ver filmes de natal antigos, decorar a árvore. Na minha casa, eu tenho de 4 a 5 árvores de Natal. Eu fico doida com decoração nessa época. Eu faço recordes de revistas e marco páginas que me interessam, sou esse tipo de garota!

Onde você quer estar daqui a 10 anos?

Eu quero fazer outro filme, ter mais alguns álbuns no meu currículo, e ter outro filho. Meu filho inspirou meu último álbum, Bionic. Foi um álbum divertido, inspirado em eletrônica e sobre o futuro. Agora, eu tenho quase 30 anos. As coisas estão se direcionando para algo mais sensível de mim. Estou em uma época muito introspectiva da minha vida, e quero colocar tudo isso em um álbum: onde eu estou e para onde vou. Eu tenho muito mais para dizer.

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A fome de Christina por uma mudança.

Christina Aguilera não faz nada pela metade, e seu trabalho com caridade não é exceção. No último mês de maio, os representantes da ONU ficaram tão espantados com o poder que ela tem para angariar fundos para caridade, que pediram que ela se tornasse embaixadora mundial contra a fome. Essa posição vai além de uma forma de vitrine para celebridade, e Christina aceitou. Uma semana depois, ela estava no Haiti, andando de tenda à tenda nos acampamentos de sobreviventes e ouvindo as histórias de mães que superam a vida em condições precárias. No mês de setembro anterior à isso, ela esteve na Guatemala. “Ela é muito sensitiva, e realmente sabe ouvir”, diz a representante da WFP Bettina Luecher, que esteve nas duas viagens. Deve ser porque a estrela se identifica como mãe: crianças da idade do filho dela estão correndo riscos de desenvolverem sequelas permanentes em razão da má-nutrição crônica. “Ter uma refeição decente na sua frente não deveria ser um luxo”, Christina diz. “É uma necessidade”.


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