Revistas / 2010 / Company (Julho)

A Company é uma revista sobre moda e celebridades voltada para o público feminino

Christina – Cuidado Gaga, estou de volta!

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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“Imitações? Me sinto honrada!” – Há dez anos no topo, não existe risco para que o sucesso de Christina Aguilera diminua. A Company se encontrou com ela para conversar sobre família, fama, e para afastar as comparações.

Christina Aguilera está em seu quarto de hotel em Nova York, onde ela se prepara para a performance de retorno no programa da Oprah. Depois disso, ela me conta, “Vou ao Haiti para ajudar nas reconstruções pós-terremoto, antes de começar a agenda promocional do álbum”. Ela pode ter ficado fora do cenário por um ou dois anos, se concentrando no casamento e na maternidade, mas ao fazer um filme, lançar um álbum de maiores hits, Keeps Gettin’ Better, e gravar o novo álbum, Bionic, ela não tem tido descanso.

As nada supreendentes notícias trazidas pela popstar de 29 anos, vencedora de múltiplos Grammy, sãos os cabelos esbranqueados e a voz rouca e poderosa. O que é inesperado é o quão baixo fala a cantora de Staten Island. E por algum motivo, eu não esperava frases como “e tudo mais”, “falatório” e “picuinha” sair dos lábios escarlates de uma superstar internacional. E eu gosto ainda mais dela por isso.

Ela não tem vergonha de ser sexy, e se você viu o último clipe dela, para Not Myself Tonight, você sabe que o casamento e a maternidade não apararam suas pontas ousadas. E graças à Deus por isso. Afinal de contas, essa é a mulher que nos deu Dirrty e as calças cortadas na bunda. Mas o que é fácil de esquecer a respeito da Christina é o poder de permanência que ela tem. Ela vendeu mais de 30 milhões de álbums pelo mundo e ganhou 5 Grammy em 10 anos de carreira, apesar de ainda sequer ter 30 anos. Enquanto a carreira da ex-rival de paradas do fim dos anos 90, Britney Spears, teve que lidar com uma crise pessoal bem pública, Christina continua no topo do jogo.

Ok, então estilo S&M e o som inspirado em robô-se-encontra-com-hip-hop pode até ocasionar comparações da crítica com Lady Gaga, mas não vamos esquecer que Christina Aguilera tem ousado desde que Gaga era a mera Stefani Joanne Angelina Germanotta, que ainda não tinha aperfeiçoado a própria cara de pôker. Então, a “rivalidade” que sempre é associada com a Christina a incomoda, ou é um mero caso de Britney anos atrás, agora Gaga, e depois outra nos próximos 10 anos?

“É exatamente isso, você disse tudo!”, ela exclama. “Sempre vai existir outra pessoa nesse caminho e eu me sinto bem sabendo que sempre sou aquela que está sendo comparada. Continuar nesse meio e se manter forte nele nunca é ruim.  Qualquer comparação e tudo mais [eu te disse!] me ajudou e me fez levar minha carreira para um nível ainda melhor. Eu não sei porque as pessoas perdem tanto tempo com negativismo”. Então, para citar uma das frases da Christina, chega de falatório e vamos ao que interessa.

Porque você optou por se afastar do mundo da música por dois anos?

Eu dei uma pausa porque quis viver a vida por um momento. Eu engravidei e tive um filho. Eu não lancei um álbum nos primeiros dois anos de vida dele porque eu terei que me comprometer com uma turnê e, no momento, quis me concentrar na minha família. Então, comecei a escrever novamente, me inspirei em como minha vida estava sendo vivida, e o novo álbum Bionic nasceu.

Como você conseguiu encaixar tudo na agenda?

É difícil porque é um verdadeiro jogo de cinturas. Eu uso vários chapéus diferentes. Eu sou uma mãe, uma esposa, uma artista e uma mulher de negócios, e mantenho meu pé firme no chão. Eu faço tudo isso por satisfação minha e da minha família, como várias outras mulheres fazem.  É incrível o que o nosso corpo consegue fazer. Quando você tem um filho, seu corpo se torna o corpo de outra pessoa por um tempo. É fascinante, porque você pensa “Wow, eu não acredito que isso aconteceu comigo ou que minha barriga ficou tão grande!”. Mas seu corpo não te pertence por um momento. Então agora que eu tenho ele de volta, eu me sinto mais confiante e sensual do que nunca. Passar por essa jornada e voltar para o outro lado nos faz sentir superhumanos.

E de alguma forma você conseguiu tempo para fazer seu primeiro filme, Burlesque.  Como foi isso?

Um animal completamente diferente! Mas aprendi muito com isso – foi uma experiência e tanto. Tenho interesse em fazer mais filmes no futuro, mas é muito fácil você se perder nesse universo paralelo, todo dia se aprofundando ainda mais no seu personagem é muito desafiador. Mas eu estou muito orgulhosa do papel.

As mulheres estão dominando o pop hoje. Como você se sente a respeito das novas artistas nesse ceneário?

Sempre existirão novos artistas no caminho e eu as recebo de braços abertos. Eu estou nesse meio há mais de uma década e acho que o trabalho fala por si próprio. É legal ver e apoiar outras mulheres e acho que, hoje mais do que nunca, nós estamos vendo mulheres fortes que se arriscam. Nós temos pessoas como Madonna para agradecer por isso – sempre arriscando, sem medo – e é isso que eu mantive em mente durante toda a minha carreira. É legal ver outras pessoas fazendo o mesmo.

É justo dizer que você ajudou a abrir caminho para Lady Gaga e Katy Perry…

Bom, como eu disse, eu estou nessa há mais de uma década e meu trabalhar fala por si só, então é honroso se alguém quiser pegar o que eu fiz e incorporar no que eles fazem. Acho que é sempre visando o melhor e ajuda a montar um quadro maior, que é fazer as pessoas sentirem algo quando ouvem música. Muito do que se diz nesta indústria é falatório besta, e eu não tenho nada para acrescentar a isso. Eu não sou alguém que quer simplesmente roubar o que os outros fazem, mas sim, eu estou de volta e me sinto mais confiante do que nunca.

Você se considera feminista?

Eu não gosto de rótulos, a palavra feminista significa algo diferente para cada um. Com isso, criam-se regras do que uma feminista pode ou não fazer. Eu sou alguém que acredita na igualdade dos sexos. Existem tantos comportamentos ambíguos para homem e mulher, então é mais importante para mim dizer ao público quais os meus pontos de vista e dar minha própria imagem à isso. Isso envolve lutar pelos direitos das mulheres no sentido de que não devemos ter vergonha de nossos corpos ou de nós mesmas. Sempre que eu me represento em um papel sexual, eu tento sempre manter o controle da situação, me divertindo e me sentindo confortável ao mesmo tempo. Nunca me posiciono de forma que eu me sinta uma marionete de outra pessoa.

O sexo é importante para você tanto no nível pessoal quanto artístico?

Eu acho que a sexualidade traz muito poder. Acho que os homens adoram acreditar que eles são donos da nossa sexualidade, então se as mulheres se representam de forma sensual, as pessoas pensam que deve ser para um homem. Mas eles não têm o direito sobre nossa sexualidade. Se eu quero ser sexual, vai ser para minha própria diversão e proveito! Por isso que gosto de comentar que às vezes eu me atraio por determinadas mulheres. Eu aprecio sua feminilidade e beleza.

Ok, então o que faz um homem e uma mulheres serem atraentes?

O segredo de tudo é a confiança e o estilo individual. O que eu considero sexy em uma pessoa pode não ser sexy em outra pessoa. Acho que a noção de individualidade muito atraente nas pessoas.

Você se casou com seu marido Jordan [Bratman, um empresário do mundo da música] em 2005. Como você descobriu que ele era o escolhido para você?

Meu marido é a calmaria durante uma tempestade. Na época que eu o conheci, muitas das pessoas em minha volta estavam perto de mim pelos motivos errados. Tudo estava meio confuso e ele era a pessoa em que eu sabia que sempre podia confiar. Ele era centrado, realista, e sempre me ajudou a ver o positivo no negativo. Ele me tirava de um buraco negro onde eu me enfiava quando era sugada pela negatividade das pessoas à minha volta. Ele foi o único que me ensinou a ver um copo completamente cheio e isso significou o mundo para mim”.

Como você faz seu relacionamento dar certo?

Você tem que trabalhar em todos os relacionamentos que você mantém, porque você está lidando com duas personalidades diferentes e uma vida inteira para crescerem juntos. E às vezes, as pessoas crescem em direção a um caminho diferente. Meu marido é minha rocha e meu companheiro em tudo que nós fazemos. Ele realmente facilita minha vida. Acho que comunicação e honestidade são importantes, dizer como se sente e sempre manter a diversão. Você trabalha muito, e tem que receber muito em troca também!

É claro! E o que você faz no seu tempo livre, então?

Nada extravagante. Viajo para algum lugar. Eu amo ir à Inglaterra, me sinto inspirada pelo estilo britânico – é irreverente e sem regras. Eu também faço um pouco de compras, me refresco, faço amor, bebo vinho, essas coisas simples. Também temos nossas noites românticas para jantar em algum lugar ou ver um filme.

Muitas pessoas nesta indústria entram em crises pessoais quando chegam nos meados dos 20 anos. Como você evitou isso?

Certamente era um caminho que eu podia ter seguido. É fácil se deixar seduzir ou ter as pessoas erradas em volta de você, que só querem te fazer falhar para se sentirem superiores. É fácil deixar esse tipo de pessoa entrar na sua vida nos momentos em que você se sente mais fraco. Mas eu sempre mantive meu foco e sempre tive em mente, desde criança, que sempre me manteria em contato comigo mesma. E eu nunca perdi aquela fome de ser bem sucedida. Às vezes, é demais – eu quero superar expectativas demais e me aperfeiçoar até o impossível – então eu sei que é importante descançar também.

Por ter começado sua carreira ao lado de Britney e Justin, a crise pessoal de Britney Spears falou algo à você?

Eu acho que todos passam por momentos diferentes em suas vidas, alguns emocionalmente mais difíceis do que outros. Eu não tenho mesmo como comentar porque não a conheço tão bem dessa maneira, então não a julgo. Acho que todos devem relaxar ao julgar os outros, porque se você não está vivendo exatamente a mesma coisa, você não tem a menor ideia do que está acontecendo com o outro.

Você acha que a indústria da música ficou mais complicada?

Eu acho sim, porque o lado comercial sugou todo o lado criativo. A indústria está mais voltada para as pessoas cortando a garganta uma das outras do que antes porque as gravadoras estão quebrando. É um meio diferente de quando eu entrei no cenário musical, há 10 anos, já que hoje as pessoas conseguem música de graça pela internet. Nós trabalhos muito e as pessoas pegam o trabalho sem pagar por ele, então as gravadoras começam a sucumbir. A parte triste é que a música tem que ser mais genérica, feita sob medida para lançamento em massa nas rádios, já que as pessoas estão mais preocupadas em cantar junto com a música do que a utilizar como instrumento para emocionar-se. A indústria está tirando a alma da música.

Quando você estava crescendo, o que você tinha planejado conseguir antes dos 30 anos?

Eu nunca gosto de fazer regras demais e regular como vivo minha vida. Tudo que eu planejava era ser uma cantora bem sucedida, ter feito um filme e ter um filho. Eu fiz tudo isso e mais, como ser uma esposa. Minha mãe foi mãe bem jovem, bem mais do que eu quando tive um filho, então eu queria ser uma mãe novinha também.

O que falta você conseguir?

Ah, muita coisa! O objetivo é manter a fome, criar novas metas e manter o foco nelas. Eu gostaria de fazer mais filmes e de ter outro filho, eventualmente. No momento, Bionic é meu novo bebê, então não preciso de outro por agora – tenho muito na minha agenda do jeito que já está! Mas o céu é o único limite. Eu continuo me inspirando por coisas novas, então vamos ver aonde estarei nos próximos quatro anos.


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