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Christina Aguilera: agora na minha carreira, não tenho que provar nada a ninguém

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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A TRANSFORMAÇÃO – Ela já mudou de beldade pop adolescente para símbolo sexual para cantora de Boogie Woogie. Agora, com um novo álbum, Christina Aguilera montou um time com colaboradores ousados para a música mais desafiadora de sua carreira.

DENTRO DE UM ESTÚDIO da Sony Pictures em Los Angeles, na semana passada, Christina Aguilera conta sobre a inspiração por trás do álbum Back To Basics, de 2006, onde ela prestou tributo aos artistas do soul e blues que a inspiraram a cantar.

Pelo menos, era isto que ela começou a falar. Agora, aparentemente do nada, ela começa a descrever a jornada que a levou a Bionic, o novo e futurístico álbum. “Perdão”, Aguilera diz à audiência de 200 e poucas pessoas, reunidas para a gravação do Storytellers, da VH1. “Eu falo demais às vezes. Mas eles podem editar isso depois! Cortar e colar em outro lugar!”.

Eles parecem ter muito o que “cortar e colar” na descrição do clima pós-moderno de Bionic, nas lojas a partir de 18 de junho pela RCA. O oposto declarado do aconchegante som retrô de Back to Basics – que vendeu 1.7 milhões de cópias nos Estados Unidos segundo a Nielsen SoundScan – tem 18 faixas que contém colaborações com batidas fortes e uma fila de atos dance ousados, incluindo M.I.A., Le Tigre, Peacher e Switch; o talento mais comercial aparece também, na forma de Polow Da Don, Tricky Stewart e da confidente da Christina, Linda Perry.

Para constar, Bionic vem lotado de números com refrões amigáveis às rádios, bem como uma mão de baladas destinadas aos fãs do hit de 2002, Beautiful. (O pai deste single, Stripped, vendeu mais de 4.2 milhões de cópias nos EUA, enquanto o álbum de estreia de Aguilera, de 1999, já vendeu quase 8.2 milhões. Keeps Gettin’ Better, o Greatest Hits disponível inicialmente apenas na Target, está às 351 mil cópias). Mas além disso, com escapatórias sinfônicas e ritmos dance-punk, Bionic também se apresenta como uma afirmação ousada, característica certa de uma das estrelas menos apreensivas do pop. Como Aguilera declara em Not Myself Tonight, o single que lidera o álbum, “Eu me sinto nova/E se você não gosta, foda-se”.

“Tem um pouco de rebeldia nele”, Aguilera diz rindo, enrolada em uma cadeira no Hotel SLS em Beverly Hills, algumas semanas antes das gravações do Storytellers. A cantora, de 29 anos, acaba de fazer um dia de entrevistas filmadas, e no fim de tudo já havia tirado os saltos e soltado o cabelo. “Mas não tento provar nada com ele”, ela adiciona rapidamente. “Neste ponto da minha carreira, já superei toda e qualquer comparação esquisita ou negatividade”.

Muito da reação online precoce de Not Myself Tonight (e do vídeo picante, inspirado em S&M) imaginava se Aguilera estava sentindo a necessidade de brincar de pega-pega com Lady Gaga, que mais ou menos dominou o espaço de diva dance nos anos que seguiram o lançamento de Back To Basics. “Na era pós-Gaga”, uma mensagem no blog da revista nova-iorquina Vultura perguntava, “será que Aguilera consegue pegar sua fatia na torta dos popstars?”.

“Eu estou nessa com foco no longo prazo e, com uma década de carreira, não tenho que provar mais nada. Para todos que querem ser negativos, eu penso, ‘Obviamente que sou relevante o suficiente para você se importar, comentar e evocar sentimentos negativos dentro de você”

Ao invés de refletir um desejo de tentar alcançar os sucessores, a cantora diz que o novo álbum é uma expressão da feminilidade em todas as formas: esposa, mãe, cantora, atriz. (Após casar-se com Jordan Bratman há quase 5 anos, Aguilera deu a luz ao primeiro filho do casal, Max, em 2008). “Para mim, Bionic é a definição de que, nós mulheres, temos habilidades superhumanas todos os dias da nossa vida”, ela diz, adicionando que este espírito outré que se extrai das novas músicas é uma reação ao “sentimento de exaustão” da suposta exclusividade de todos estes papeis.

Não nos resta nenhuma dúvida: Das primeiras apresentações no Clube do Mickey (ao lado de Britney Spears e Justin Timberlake), até o pop ciclete de Genie In A Botle, a supremacia escancarada de Dirrty e a homenagem às Andrew Sisters em Candyman, a carreira de Aguilera tem sido um contraste em estudo.

“Para mim, este álbum é simplesmente uma continuação da genialidade de Christina”, diz o empresário de Aguilera, presidente da Live Nation Entertainment, Irving Azoff. “Toda vez, ela quebra novos caminhos e faz coisas incríveis. Tem a coragem de se sentar e dizer, ‘O que funciona para uma marca de longo prazo? O que vai funcionar bem em um show ao vivo?’. Ela não joga este jogo tentanto criar um álbum que todos esperam dela. Ela cresce como uma artista toda vez, e esta é só mais uma indicação disto”.

“Tem duas coisas que você precisa saber sobre Christina Aguilera”, diz Polow Da Don, cujos créditos no álbum incluem Not Myself Tonight e um número especialmente espirituoso chamado I Hate Boys. “A primeira coisa é que, quando se trata de vocais, ela é um animal profissionalmente treinado. E a outra é que ela sabe exatamente, absolutamente, o que ela quer”.

Sia Furler, uma cantora e compositora australiana (e ex-membro do Zero 7), que escreveu várias músicas em Bionic, diz que não percebeu nenhuma ansiedade da parte de Aguilera em se tratando da relativa inovação do álbum. “Eu não acho que ela o viu como um risco”, Furler conta. “Ela só estava empolgada para trabalhar com artistas que ela ama. Existe uma noção equivocada de que ela é o típico tipo de americano, mas ela é meio hipster também. Você vai até a casa dela e senta perto da lareira, com um vinho na mão, e o que está tocando? The Knife e Arthur Russel. Ela não ouve música pop”.

“Eu me animo quando trabalho com energia criativa”, Aguilera diz de forma enfática. “É aí que eu me sinto mais em casa e me sinto mais feliz. E todas estas pessoas trouxeram novos lados de mim. Foi um festival de colaborações, eu me senti tão bem e tão compensada no final, porque eu só estava contente com o trabalho e belos novos territórios que explorei”.

A cantora descreve uma paixão pelas músicas de Le Tigre, que ela chama de “altas, divertidas e chamativas”, e diz que as colaborações com Furler – particularmente You Lost Me, uma triste e desnuda melodia – constituem o “coração do álbum”.

De acordo com Aguilera, ela não montou o álbum por meio do departamento Artístico e de Gravavação da RCA, mas sim entrando pessoalmente em contato com os parceiros musicais, depois que Bratman a convenceu de pegar o telefone e ligar para eles. (“Eu fico tímida perto dos artistas que amo”, ela diz meio sem graça). Azoff chamado o processo de “uma boa linha de contatos”, mas confessa que Polow Da Don “foi sugestão da gravadora”.

“Ao entrar em contato [com cada um destes parceiros], eu disse, ‘Eu sou uma fã imensa de vocês, e estou muito interessada em entrar no seu mundo e fazer o que você faz'”, Aguilera conta. “‘Eu quero combinar o meu som com o de vocês, e ver o que sai dele’. Eu sinto que posso fazer muita coisa com minha voz. Eu ficaria muito entediada de sentar um banco e cantar balada atrás de balada só porque eu consigo”.

No entanto, ela admite que ter tido tanto hits durante a carreira é o motivo preciso dela insistir que eles não são importantes para ela. Aguilera diz, “Eu prometi à mim mesma que depois do meu primeiro álbum, eu nunca mais lançaria algo que eu não sentisse que fosse honesto e genuíno”.

Isso não significa que Bionic é algum tipo de arte experimental impenetrável – longe disto. “Lá tem algumas músicas que eu gravei pensando, ‘OK, vamos fazer algo mais comercial'”, Aguilera reconhece. “Acho que é daí que Not Myself Tonight nasceu. Mas eu sempre quis colocar um fator íntegro em cada música. Na verdade, havia uma música que a gravadora queria muito que eu gravasse, mas eu neguei pois não se enquadrava no resto do álbum – não me inspirava de forma criativa. Eles repetiam ‘é um hit, é um hit!’. E realmente, é um hit para outra pessoa. Mas não para mim, porque no momento que eu comprometo demais minha integridade, eu perco o controle. Essa história de hit…”, ela fiz suspirando, “Who Let The Dogs Out foi um hit imenso, entende o que eu digo?”.

Não surpreendentemente, a campanha publicitária de Bionic projeta uma imagem da Christina a superestrela, não Christina a pequena hipster. “Os fãs da Christina Aguilera estão empolgados para ouvir a Christina”, diz o executivo da RCA Music Group, Tom Corson. “Eles querem que ela faça um álbum que os inspire e os prenda. É muito interessante quando um artista se expande; é isso que eles devem fazer, partindo do ponto de vista artístico. E o fã de verdade está empolgado por este álbum como mais uma parte na discografia dela. Os fãs causais, no entanto, se importam mais com o quão boas as faixas são do que com a história por trás delas”.

“Este álbum é feroz, forte, sexy, divertido, e eu acho que as diversas colaborações representam Christina alongando seus músculos artísticos”, diz o executivo de marketing e desenvolvimento artístico Scott Seviour. “Mas, no fim das contas, o que eles fizeram foi ajudar a trazer lados distintos dela”. Ele ri. “Eu acho que a principal mensagem da nossa campanha de marketing é, “Este é um álbum da Christina Aguilera”.

De acordo com Seviour, o desenrolar da gravadora começou em meados de março, no website de Aguilera, com uma lenta revelação do título, letra e arte da capa do single. “Uma semana depois nós invertemos o site, de preto para branco, apresentamos a capa do álbum e liberamos um trecho de 15 segundos de Not Myself Tonight. Isso nos levou do 0 ao 60 de forma bem rápida”, Sevious diz. “Todos os blogs comentaram e os fãs enloqueceram. Ao invés de irmos às rádios para dizer ‘aqui está a música’, nós quisemos construir uma base para ela, já que fazia um tempo desde o último single. Assim, demos novas energias aos fãs e eles se sentiram parte disso”. Tradução integral por iloveaguilera.wordpress.com.

Not Myself  Tonight foi enviada às rádios no dia 30 de março e recebeu honras de faixa mais adicionada às rádios do Top 40 e Rítmicas na primeira semana que foi ao ar. “As rádios pop realmente celebraram o retorno dela”, executivo de promoções da RCA Music Group, Richard Palmese, diz. “Eles sabem que ela é uma artista especial, uma estrela mundial que acrescenta às playlists deles”. Ele conta que a escolha de Not Myself Tonight como primeiro single foi fácil. “Atualmente, as rádios querem velocidade – às vezes, mais do que nós gostaríamos”, ela diz. “Então ao entrar na primavera e no verão, nós sabíamos que o primeiro single teria esta característica”.

O vídeo dirigido por Hype Williams estreou no dia 30 de abril, no Vevo, e atualmente faz parte o website de Aguilera. Seviour diz que a página será relançada no dia 20 de maio, com elementos das redes sociais e uma loja direta para os consumidores, que venderá música, fragrâncias e peças exclusivas de joias desenhadas por Stephen Webster, “basicamente tudo e qualquer coisa da terra de Christina”, como põe Seviour.

“Nós fizemos um esforço consciente em fazer muito barulho”, Corson diz. “Não dá para presumir nada neste mercado. Ele é rápido em nos punir, e muitos novos artistas vieram ocupar o espaço da Christina, na falta de uma expressão melhor. Então você é tão bom quanto seu último hit. Quando se trata de uma artista como Christina, ela tem mais equidade que isso; a carreira dela não é completamente voltada à hits. Mas ainda assim, você tem que ser competitivo. Você tem que voltar para vencer”.

Felizmente, Azoff diz, “é muito fácil achar pessoas que querem trabalhar com Christina Aguilera. Ela é muito respeitada aí fora. E é ótimo para nós podermos sentar e ver tudo que está disponível em determinado período, passar por todas as ofertas e, sem passar por cima dela, fazer o possível”.

Seviour anuncia o que ele chama de “agenda para TV na semana do lançamento”, que começa no dia 6 de junho com uma performance no MTV Movie Awards e inclui aparições no “Today”, “Late Show com David Letterman”, “Live! With Regis and Kelly” e “The Early Show”. A agenda termina no dia 13 de junho, com episódios conjuntos na VH1 do StoryTellers e Behind The Music. Adicionalmente, Aguilera apareceu no programa de Oprah em 7 de maio e está cotada para cantar na final do American Idol, em 26 de maior (Um representante da RCA se negou a confirmar esta aparição).

“As pessoas a demandam constantemente”, Corson diz. “Ela está aqui há muito tempo e todos reconhecem isso. Com esperança, esta volta dará uma oportunidade para que as pessoas descubram novamente, ‘Oh meu Deus, eu esqueci que ela não precisa de auto tune!’. Ela é uma das nossas melhores performers, é linda, e pensa em tudo. Muitos artistas são comparados à ela, e não o contrário”.

No dia 15 de julho, Aguilera irá lançar uma turnê norte americana de 20 datas, começando em Uncasville, na Mohegan Sun Arena; outras paradas incluem um caminho traçado pela Live Nation em Nikon, no Jones Beach Theater, e o Verizon Wireless Amphiteater em Irvine, Califórnia. Leona Lewis irá abrir todos os shows, e os fãs que comprarem ingressos pela LiveNation.com até 4 de junho receberão um código para baixar Bionic.

Aguilera também fará uma estreia nos cinemas, no final do ano, em Burlesque, um musical dirigido por Steven Antin (irmão da criadora das Pussycat Dolls, Robin Antin), que também traz Cher, Stanley Tucci, Kristen Bell e Alan Cumming. Aguilera interpreta uma dançarina que se muda para Los Angeles em busca dos sonhos e logo descobre – bem, dá pra imaginar o resto da história. “A ideia da sensualidade e expressão feminina, com um toque da antiga arte dos anos 20, gritava ‘Alô, assina comigo!’, Aguilera diz. “Toda frase era a minha cara.”.

“Christina recebeu várias propostas de roteiro no passado, mas esta foi a primeira que fez sentido”, Azoff comenta. “E é uma visual muito diferente para ela. Você vai se chocar positivamente”.

Mas será que os fãs de Aguilera vão se chocar pelo novo som que ela simula em Bionic? Sia Furler não está preocupada. “Christina poderia cagar em uma garrafa que os fãs ainda assim amariam”, ela diz rindo. “Eles são uns filhos da mãe famintos, totalmente loucos. Eu mencionei o nome dela uma vez no meu Twitter e ganhei mais de cinco mil seguidores em minutos. Se este álbum vender menos do que o anterior, não é um reflexo do álbum – é um reflexo da indústria”.

Kathleen Hanna, do Le Tigre, pensa que as colaborações hipster de Aguilera vão render até novos fãs no país indie Pitchfork. “As pessoas nos apoiaram muito para trabalhar com ele”, diz Hanna, que passou a maior parte dos anos 90 à frente da banda rebelde feminina Bikini Kill. “Alguns anos atrás, surgiu um boato de que nós estávamos trabalhando com Paris Hilton, e todos estavam prontos para nos matar. Obviamente, Christina e Paris Hilton são entidades completamente diferentes. Mas as pessoas parecem genuinamente empolgadas para ouvir esta colaboração. É como se talvez, isto os desse a oportunidade de admitir que eles curtem a Christina”.

Para Corson, o som dance-punk de Aguilera é apenas um dos vários que nós veremos ela explorar durante o curso da carreira. “Se você pergunta às pessoas na indústria musical, ‘Christina Aguilera continuará no meio em 20 anos?’, todos dirão que sim. Não me supreenderia se ela fizese um álbum comum, um de jazz, um de blues. Só depende de onde a criatividade dela quiser a levar”.

De volta nos estúdios da Sony Pictures, Aguilera está no meio de uma das longas histórias que ela contou nesta noite. Começou com uma rápida sessão de perguntas e respostas onde um fã perguntou se ela estava feliz com a escolha de Genie In A Bottle para o primeiro single. De alguma forma, no entanto, Aguilera já está bem longe do começo.

“Eles me mandaram falar”, ela diz depois de vários minitos, apontando para os executivos da VH1 no fim do salão. “Então me desculpem se eu ficar falando a vida toda”. A resposta da multidão? Gritos de encorajamento.

NOS CINEMAS

O diretor e roteirista Steve Antin fala da decisão em chamar Christina para estrelar o musical cinematográfico Burlesque.

Burlesque é o primeiro filme de Christina Aguilera. O que te convenceu de que ela era ideal para o papel?

Quanto eu comecei a escrever o roteiro, eu sempre vi Christina no papel de Ali. Eu queria alguém que soubesse cantar e dançar, ao mesmo tempo que fosse carismática e pudesse atuar. Eu sabia que Christina era uma grande cantora, dançarina e também carismática. Então eu vi ela como anfitriã do Saturday Night Live [em 2004] e ela foi brilhante e tão naturalmente engraçada. Eu pensei, ‘Wow, eu realmente acredito que ela pode fazer este filme’. Então eu a persegui por um tempo e finalmente a convenci a vir até meu escritório para que pudesse mostrar meus planos para o filme.

Ela conseguiu se destacar no meio de profissionais tão estabelecidos como Cher e Stanley Tucci?

Christina nunca deixou de impressionar a gente, desde o primeiro dia. Vem naturalmente – ela simplesmente tem isso dentro dela – além de ser uma jovem mulher muito decidida. Ela fez a cabeça de todo mundo. Ela vai ser uma estrela do cinema depois deste filme.

O último álbum dela foi lançado há quatro anos. Onde você acha que ela se encaixa no cenário pop atual?

Eu não acho que ela se encaixa nele. Ela é completamente singular: a melhor voz da geração dela, uma compositora, uma performer espetacular. E ela é fatalmente bonita. Ela faz um tipo muito natural neste filme, quase sem maquiagem.

A memória de filmes fracassados estrelados por cantoras, como Glitter, vinha à sua cabeça enquanto filmavam Burlesque?

Quando as pessoas ouvem que você tem uma das maiores estrelas do mundo estrelando seu filme musical, eles pensam nisso, sim. Tenho certeza de que essa comparação já surgiu uma ou duas vezes. Mas o que nós estamos fazendo está há um mundo de distância. É um animal completamente diferente quando se tem Christina Aguilera.


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