Revistas / 2007 / InStyle (Setembro)

A InStyle é uma revista para mulheres, com foco em moda

Dentro da incrível vida de Christina Aguilera

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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AS CONFISSÕES DE CHRISTINA – Sensual, talentosa, e oh-tão-talentosa, uma franca e dasarmada Aguilera fala à In Style sobre a infância obscura, o casamento extasiante e as fantasias deliciosas.

A maior parte das celebridades chega à uma sessão de fotos em jeans e blusa básica, comentando como se acham feias pela manhã. Christina Aguilera não. Ela chega no estúdio em Los Angeles de limosine e faz uma entrada espetacular – um pano branco na cabeça, roupão branco, óculos de Sol brancos e pantufas brancas. Ela dá uma olhada nas roupas que o time da In Style selecionou, sabe exatamente quais quer usar em 5 segundos, e desaparece para arrumar o cabelo e maquiagem, voltando quatro horas depois pronta para os close-ups. Não nos resta dúvida nenhuma: não apenas Christina tem a voz e o visual de uma super-estrela, ela é uma, 24 horas por dia.

Apesar de nas fotografias ela parecer uma força da natureza, em pessoa ela é minúscula (1m,58cm) e delicada, com o rosto de uma criança. Perfeitamente polida, dos cachos platinos até à pedicure escarlate.

Aos 26 anos, ela é um testamento vivo ao visual da antiga Hollywood, sem mencionar uma feliz recém-casada, seguindo o casamento perfeito para fotos ocorrido em 2005, com o músico executivo Jordan Bratman. Enquanto outras ex-estrelas jovens caíram e voltaram aos centros de reabilitação, a paixão de Christina pela música e força de caráter mantiveram ela no topo, dando-a a reputação de diva – mas isso, nós comentamos mais tarde.

Quando nós nos encontramos com ela na suíte de um hotel em Nova York alguns dias depois da sessão de fotos, enquanto os boatos de que ela está grávida estão em alta na mídia, mas ela é supreendentemente pacífica com relação a este assunto. No entanto, ela confessa que isso “é algo que eu definitivamente mal posso esperar para ser”. Enquanto isso, ela está se aperfeiçoando na arte de dominar uma segunda língua: “Eu quero que meus filhos saibam falar espanhol. E eu estou tendo aulas na turnê”. Momentos antes, ela estava na cama dividindo o café da manhã com o marido, um homem de 30 anos e cabelos negros que claramente adora ela. É um momento raro de descanço na agenda caótica dela: no último ano, ela lançou um álbum que quebrou recordes, fez uma turnê pela América, Ásia e Austrália, e vai lançar a fragrância “Christina Aguilera” no próximo mês.

“Cama é meu lugar favorito hoje”, ela diz, rindo. “Sério, eu gosto de fazer tudo na cama, de comer à dormir”. Ela diz que está em êxtase por ter Jordan viajando com ela, mas a atitude fogosa continua: “Minha sexualidade nunca vai morrer, só tomar formas diferentes”, ela conta. “Só porque eu estou amando ou em um relacionamento com um homem só, não significa que eu vou diminuir o tom – isto seria se conformar. A sociedade aceita muito mais quando um homem é sexual. É uma ambiguidade de comportamento que existe desde o começo dos tempos”.

Sexualidade feminina não é apenas uma pose para Christina. Até mesmo antes dela chegar à puberdade, ela passou pelo inferno. Nascida na classe trabalhadora de Staten Island, Nova York, cujo pai soldado batia na mãe e nela, Christina tinha sete anos quando sua mãe levou ela e a irmã para morar com a avó em Pennsylvania. Christina não esconde o que testemunhava quando era criança. “Ver minha mãe passar pelo que ela passou e ter que ser parte disso às vezes me instigou uma enorme vontade de ser bem sucedida”, ela conta. Ao invés de ser outra estatística, ela deu o troco. “Eu prometi a mim mesma desde cedo que eu não me sentiria fraca nem dependeria de homem para nada. Eu vou fazer do meu jeito e me dar bem assim”. É esta determinação que a manteve longe dos colapsos de raspar a cabeça e ela não fantasia conselhos para as aspirantes à popstars: “Tenha certeza de que é a sua paixão, porque tudo é um negócio. Se você não for forte, ele te come vivo”.

Durante grande parte da infância, ela estava treinando para a fama que surgiu depois. Conseguiu uma vaga no Clube do Mickey quase antes da adolescência, mas foi a gigante sucesso de Genie In A Bottle que a levou ao estrelato internacional aos 18 anos de idade. Também ajudou o fato de Christina surgir enquanto as Spice Girls estavam em decadência e uma nova onda de cantoras com grandes vozes (e atitude) estava aparecendo.

Perto da colega de Clube do Mickey Britney Spears,  Christina parecia mais domada, mas não demorou muito até que o sweater comprido fosse substituído por mechas negras e piercings no segundo álbum, Stripped. “Aquela foi eu atingindo a maioridade, chegando aos 21 anos e querendo me apresentar ao mundo”, ela conta. O que veio depois, no entanto, foi uma mudança enorme. Para qualquer outra rainha pop, Back to Basics, o álbum inspirado pelos clássicos favoritos dela do jazz e blues, teria ficado encalhado nas prateleiras. Mas ela conseguiu fazer dele o disco duplo feminino mais vendido da história, que ajudou ela a se tornar uma das mulheres mais ricas do entretenimento, com uma fortuna pessoal estimada em 60 milhões de dólares.

Ela também arriscou no visual: “Eu quis emular os clássicos de Hollywood como Marlene, Veronica Lake e, claro, Marilyn. Uma beleza clássica que tinha orgulho do visual dela antes de sair de casa”. Mas elas não tinham que lidar com papparazzies, certo? “Quanto eu resolvo me esforçar, demoro cerca de 45 minutos para ficar pronta”, Christina conta. “Se eu estou com pressa, então 5 a 10 minutos. Eu certamente tenho que colocar um boné de baseball nesses casos. Não ajuda você ter uma câmera na porta da sua casa quando você sai casualmente em um dia qualquer, dando um zoom na sua mais minúscula imperfeição. É claro que eles vão abrir um zoom enorme e colocar um círculo branco em volta para destacar”. Eu pergunto se ela já teve alguma revista que deu destaque grande à alguma marca dela e ela ri. “As revistas já deram destaques imensos a várias coisas, vai muito além de uma espinha qualquer!”.

Então, será que a Christina sem barreitas olha no espelho e pensa: “Sexy demais”? Ela já revelou que o marido dela é quem sugere algumas roupas em determinadas ocasiões. “Até quando eu acho que a roupa mostra pele demais, ele diz, ‘O que? Você tem o corpo, vá em frente!’. Ele sabe que é uma forma de me expressar. Eu não tinha mesmo como pedir um marido que me desse mais apoio”.

Apesar do sucesso fenomenal que ela tem, ela diz que a parceria deles é igualitária. “Nenhum dos dois usa as duas pernas da calça – cada um veste uma”, ela diz. “Quando eu conheci Jordan, uma das coisas que eu mais amei era que, até mesmo nos meus piores dias, ela entrava na sala e me fazia sorrir. Ela é uma daquelas pessoas que nos acalma”.

No tocante à vida em família, só Deus sabe como ela vai se encontrar. A vida dela é tão caótica que às vezes ela acorda sem nem saber em que país está. O que a mantém sana enquanto viaja são o marido , os amigos e “coisas que me lembram de casa, como meus filmes de conforto favoritos, A Noviça Rebelde, Halloween e A Primeira Noite de Um Homem. Essas coisas pequenas significam muito quando você está longe de casa”.

Aí, destaca-se a reputação de diva (os boatos dizem que ela viaja com um estilista pessoal de sombrancelhas. “É só um boato. Eu faço minha próprias sombrancelhas – dói muito!”, ela conta). “Tem tanta coisa que acontece e as pessoas não têm a oportunidade de ver. Para você, pode ser 3 horas da manhã, mas no lugar em que você está são duas da tarde e você tem que fazer um show. Seu corpo não colabora. Às vezes, você fica batalhando contra a náusea”. E este, é só o aspecto físico. “Tem muita merda envolvida quando você tem que lutar contra homens nessa indústria. Se um homem é assertativo, ele está no comando do navio. Se uma mulher mostra a mesma agressividade, ela é uma diva. Desculpa, mas se eu estou me matando de trabalhar na estrada e tenho alguns pedidos, eu não vou guardá-los comigo”.

E porque não? Seja dirigindo os próprios video-clipes, mostrando a sensualidade, ou chegando em uma sessão de fotos como Marilyn Monroe, uma coisa se mantém consistente – não há pedidos de desculpas. “Eu acho que quanto mais uma mulher espalhar para o mundo que o julgamento dos outros não as afeta, melhor”, ela diz. “Eu amo ser uma mulher”.


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