Revistas / 2006 / Elle (Abril)

A Elle é uma revista de moda e beleza voltada para o público feminino

Christina Aguilera – ‘amor, sexo e o homem que me domou’

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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QUEM É ESSA GAROTA? 
Criticada no passado pelo mal gosto no figurino, Christina Aguilera está sendo aclamada pelo mundo fashion. Nesta exclusiva entrevista, a estrela de 25 anos conta à Kerry Potter sobre sua nova imagem, Britney e a vida de casada.

Faça o que você quiser, mas não chame Christina Aguilera de uma diva – ela não gosta. Mas não pelos motivos que você pode imaginar. “Eu estou entediada com este título – todo mundo é chamada de diva agora”, ela diz, com olhos azuis pálidos brilhando como diamantes. “É como se estivesse na hora de criarem um termo novo!”. Ela coloca o copo de chá de limão sob a mesa.

“Não tem nada de errado em ter controle do que você quer”, ela diz, com uma voz bem feminina. “Se você sabe o que quer e é uma mulher, eles te rotulam de vaca. Quando um homem faz isso, é só chamado de decidido. Eu trabalho muito para ter o que tenho, para ter o que eu quero à minha volta e para ter direito de fazer certos pedidos. Eu acho que é merecido”.

Nós estamos sentados em um estúdio em Hollywood onde Christina passou o último ano fazendo Back To Basics, o terceiro álbum e sequência de Stripped, que vendeu mais de 10 milhões de cópias desde 2002. Jà são 8 da noite, longe da hora do café para esta renomada coruja noturna. Felizmente, os “certos pedidos” da Senhora Aguilera parecem ter sido completamente atendidos hoje à noite: antes da (surpreendentemente pontual) chegada, dois assistentes arrumam as almofadas do sofá e debatem se a água mineral na geladeira já chegou à temperatura correta. Assim que Christina se assentou perfeitamente no perfeitamente arrumado sofá, ela me fala sobre a “caverna criativa” dela. Ela gosta de velas aromatizadas, meia-luzes, uma vasilha de pirulitos, e mais importante, uma caixa de canetas Pilor Precisa V5 para compor músicas. “Eu tenho que ter estas canetas, são as minhas favoritas”, ela diz firmemente.

A aparência de Christina Aguilera é tão imaculada quanto o espaço de trabalho dela: jeans justas que levam às botas de couro cor-de-oliva de Marc Jacobs, um cardigã rosa claro de Stella McCartney e cabelo quase branco preso em um coque. Os múltiplos piercings de antes não estão mais lá e os brilhos estão mantidos ao mínimo: ela usa apenas o anel de diamantes de noivado e a aliança de casamento, que se unem em uma única peça. Os dois foram desenhados pelo amigo  e joalheiro Stephen Webster, e apesar de serem lindíssimos, não é tão chamativo quanto se espera de uma das maiores estrelas do mundo. Para alguém que foi reiteradamente criticada pelas escolhas de figurino (quem pode esquecer as calças de couro cortadas?), ela parece memoravelmente crescida.

A conversa dela também é mais madura do que se pode esperar; esqueça aquela irritada e confrontante criança selvagem da lenda; ela é educada, não xinga, e pede desculpas por qualquer coisa – da turbulência do meu voo até a necessidade dela em ir ao banheiro. Ela é pequena (1m58cm) e magra, mas não esquelética. E apesar de não ter aquela beleza clássica, ela é extremamente atraente. No entanto, usa mais maquiagem que Pete Burns, um batom scarlate e compridas unhas. A pela dela recebeu uma dose de Tango e as sombrancelhas parecem anoréxicas.

Por baixo da superfícia laranja, no entanto, descansa um claro brilho de alguém que está loca e verdadeiramente apaixonada. Christina acaba de voltar da lua de mel em Bali e Japão, depois de casar com o namorado de 28 anos, Jordan Bratman, cujo relacionamento começou há 4 anos. A maioria das pessoas famosas evita falar da vida amorosa, mas ela, de forma doce, não consegue evitar ficar sem falar de “Jordy”.

“Quando eu me olho no espelho e vejo este sorriso imenso, não tem nada a ver comigo”, ela comenta. “Antes, eu nunca me sentia segura em um relacionamento com qualquer homem na minha vida. Eu achava o amor meio brega. Aí, Jordy apareceu e me deu um suporte imenso. Ele é uma pedra, um homem de verdade”. Ela conheceu o cara cujas iniciais estão tatuadas no antebraço dela em Atlanta, enquanto ambos estavam em viagem de negócios (Bratman é dono de uma empresa de marketing musical) e “não conseguia ficar longe dele desde o primeiro dia”. Jordan foi apenas o terceiro namorado dela: ela havia namorado o dançarino Jorge Santos, cujo relacionamento acabou pois ele era “extremamente intimidado” por ter uma namorada famosa, e depois se apaixonou por um homem conhecido como “o escroto”, que reportadamente a traiu.

Felizmente, Jordan soa quase bom demais para ser verdade – Christina conta várias histórias do comportamente romantico dele, cujo ápice foi no pedido de casamento que envolvia um quarto cheio de balões cor-de-rosa de hélio, um caça-tesouros, poemas de amor e aquele anel de noivado por Stephen Webster. Você é bem nova para se casar, eu digo. “Você sabe quando a hora chegou”, ela sorri. “E eu vivi uma vida e tanto para quem só tem 25 anos. Eu cresci mais rápido que o resto”.

Webster ficou encantado com a notícia. “Jordan é perfeito para ela: tem os pés no chão, é amável e responsável. Não é chato nem uma estrela do rock. Antes, ela nunca saía sem um guarda-costas, e hoje, se nós estamos indo para um bar mais silencioso em Los Angeles, Jordan vai dirigindo”. Ron Fair, presidente da A&M Records, que assinou Christina aos 16 anos, concorda: “A decisão mais inteligente que ela já teve foi casar Jordan. Ele é maduro, meio Rock-of-Gilbatar”, ela diz.

“Eu sabia que eventualmente gostaria de ter um marido, filhos e aquela cerca branca em volta do quintal grande”, ela conta, “Mas eu nunca fui uma daquelas garotas obcecadas por casar. Cantar era meu sonho maior, e eu tinha minha carreira como foco desde muito cedo”.

Christina se tranformou em Sra. Bratman usando um vestido de Christian Lacroix em uma cerimônia em Napa Valley, presenciada apenas por 100 amigos íntimos mas lida pelo público na revista OK!. Porque alguém que não precisa nem da publicidade nem do dinheiro venderia o casamento à OK? Primeiro, ela diz, foi para controlar como o dia seria publicado na imprensa; segundo, porque “existe muita confusão entre celebridades: muito ficam noivos e logo depois não estão mais e você não sabe qual é real. Foi para meus fãs e para as pessoas que duvidam do nosso amor”.

Ter o controle é um dos assuntos favoritos da Christina. Isso fica evidente na forma como ela cuidou da nossa conversa – ela não deixa ser interrompida enquanto responde uma pergunta e me deixou esperando por longos 10 dias até me dar uma continuação, pelo telefone, dessa nossa entrevista.

Todo mundo que já ouviu a música I’m OK sabe do abuso que ela e a mãe irlandesa Shelly sofreram nas mãos do pai da Christina, Fauso, um sargento do exército nascido no Equador. Christina tinha 8 anos quando a mãe dela o deixou. Fausto não fez mais parte da vida dela desde então. Um dia eles vão se reconciliar? “Se ele quiser tentar bastante, eu não me importaria em almoçar com ele”, ela diz quietamente. “Eu perdoei ele, mas não é tão fácil assim esquecer tudo”.

Ao crescer em Pittsburgh, Christina se jogou em contar e procurar a fama local ao cantar em jogos de baseball e nas séries de TV como Star Search, o X Factor daquela época. O sucesso a transformou em um alvo para os outros: toda vez que ela era mencionada em um jornal local, eles a ameaçam bater nela ou furar os pneus do carro da mãe. As coisas ficaram tão ruins que ela teve que mudar de escola. Aos 12 anos, ela achou a escapatória em um teste bem sucedido para o programa de TV da Disney, Clube do Mickey, onde ela integrou o famoso elenco com Britney Spears e Justin Timberlake. Aos 16 anos, ela conseguiu um grande contrato com uma gravadora; aos 19 anos, lançou o álbum de estreia, Christina Aguilera, e o single Genie In A Bottle, um hit #1.

É claro, a antiga amiga Britney foi lançada na mesma época, criando o início de uma clássica briga pop que continua até hoje, se acreditarmos nos jornais. Exceto que não é verdade, insiste Christina. “Britney e eu rimos de tudo isso”, ela diz. Dois anos atrás, quando a suposta briga atingiu o ápice, Christina escreveu uma carta para Britney. “Ela dizia, ‘Nós temos que nos unir. As pessoas sempre vão nos colocar contra a outra mas nós termos que sermos fortes e lembrar nosso passado'”. Recentemente, um jornal americano disse que Christina falou que Britney tinha “relaxado” enquanto estava grávida.

“É doentil”, Christina suspira. “É mentira. Mas eu tenho que olhar para o positivo, não para o negativo. Eu estou fazendo meu álbum, ela está sendo mãe – estamos ambas em ótimos momentos. Nós estamos felizes pela outra”. Apesar de não serem mais melhores amigas (nenhuma foi ao casamento da outra), elas ainda se falam. Christina mandou uma cesta de objetos para bebês após Britney dar a luz à Sean Preston, enquanto Britney comprou para Christina um presente de casamento com taças de champagnes e um vaso de cristal.

Uma das regras de ser uma popstar é que você deve desenvolver uma pele grossa. Christina domina essa arte: pegue, por exemplo, o fato dela não olhar muito no seu olho. Não é rudeza, mas sim proteção de alguém que já foi acusada de encarar estranhos. Ela sempre foi um imã para críticas: pelo que ela diz (polêmica!), por como se comporta (que mal exemplo!), pelo que veste (vadia!).  O clímax foi nas reações ao single Dirrty, de 2002, e para aqueles que não tem aquele festival de ousadia dirigido por David LaChapelle na memória, Dirrty era sobre, bom, fazer sexo. A estrela pop tão americana quanto uma torta de maçã havia ficado malvada, e a América ficou chocada. Christina não deu a mínima. “Naquela época, eu já tinha sucessos suficientes na minha carreira que eu só pensei, ‘Ok, vamos fazer do meu jeito agora’. Ser sexual é uma grande parte de mim como artista e como mulher. Quando eu sou sexual em vídeos ou letras, é porque estou sendo honesta. Eu sou a favor de qualquer mulher que tem orgulho do próprio corpo”.

Ela se surpreendeu com o fato de que as pessoas ficaram tão alvoroçadas com aquelas calças de couro cortadas? “Eu fui pega de surpresa. Mas uma das minhas frases favoritas é, ‘mulheres bem comportadas nunca fazem história’. Veja Madonna: é como, OI!, ela está recebendo todos os elogios hoje. Mas anos atrás, ela foi chamada de todos os nomes possíveis e era atormentada. Então eu vou me manter firme, empurrar o envelope sem se importar com que os outros dizem”, ela diz, com um sorriso no canto dos lábios. “De qualquer forma, me ajuda a vender álbums”.

Jordan, enquanto isso, não tem problema nenhum com a imagem assanhada da Christina. Eles ficaram juntos pela primeira vez quando ela estava fazendo Dirrty, e estava, como ela diz, “do meu lado, me dando apoio em cada roupa provocante, em casa movimento na pélvis”. Será que ele já pediu para ela não sair de casa daquele jeito? “Nunca”, ela comenta, “Algumas vezes ele diz, ‘Porque você está se cobrindo? Você é sexy, mostre os outros!”.

Agora que as calças infames estão guardadas (“Eu vou tirar elas de lá quando tiver 60 anos e tomara que ainda caiba naqueles meninas!”), assim como o apelido Xtina, da era Dirrty (Ultimamente, eu definitivamente sou a ‘Christina'”), ela está se movendo para o álbum número 3. Enquanto o trabalho passado foi inspirado em dor – relacionamentos ruins, o pai, ser traída por empregados – Back To Basics promete ser uma escapatória mais ensolarada. Ela se uniu à Linda Perry, também produtora no Stripped, ao DJ de Nova York Mark Ronson, e a P. Diddy, para um álbum inspirado em Billie Holliday e Nina Simone. Para acompanhar, ela também está planejando uma imagem retrô glamurosa – as unhas e lábios vermelhos são apenas o começo.

Para alguém tão envolvida em fazer imagem, o amor da Christina por moda continua a crescer. E a moda certamente parece estar acompanhando ela (nada mal para uma garota que há pouco tempo atrás era uma aparição certa em qualquer lista de mal vestidas). O ponto de revira volta foi a campanha de primavera/verão da Versace em 2003. Nas fotos da época, você poderia confundir Donatella e Christina como mãe e filha. “Ela trouxe grande energia ao projeto”, lembra Donatella. “Ela está totalmente aberta para criar um novo visual”. Christina foi aos desfiles de alta-costura de Paris no último mês de julho para caçar o vestido de noite, e apesar de repórteres terem comentado mal comportamento (guarda-costas grosseiros, atrasos, faltas), Christian Lacroix não tem nada a reclamar: “Ela estava me esperando nos bastidores e disse, ‘Estou aqui procurando um vestido de noiva’. Ela pediu algo espanhol, marcante e glamuroso, e foi um prazer desenhá-lo para ela”.

O que vem a seguir para Senhora Bratman? Este ano promete ser ocupado com turnê mundial, uma possível estreia nos filmes, (“Eu quero algo chocante, como Angelina Jolie em Garota Interrompida”), ela é o novo rosto da Pepsi e está ansiosa pela vida de casada. É improvável encontrarmos ela andando em Los Angeles com os tipos de Nicole ou Paris. “Eu estou em uma agenda diferente das novas garotas”, ela diz. “Eu passei um ano no estúdio. Eu não vou nomear ninguém, mas alguma destas garotas estão mais focadas na vida de festa do que em fazer algo criativo”. E mais para frente? De acordo com Linda Perry, “ela é como a Aretha Franklin. Vai ser esta mulher de 60 anos que ainda tem uma voz imensa”.

Eu gostei mais da Christina Aguilera do que esperava. Ela é exigente e imperiosa, mas não finge ser algo diferente. Enquanto ela bebe a precisamente-refrescada garrafa de água, nós falamos de bebês. Ela explica que tem um calendário organizado e vai começar a tentar em 18 meses, assim que a turnê terminar. “Eu sempre soube que ia ser uma mãe jovem. E quando eu sei o que quero, eu consigo”.


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