Revistas / 2006 / Blender (Novembro)

A Blender era uma revista de música voltada para o público masculino

Christina Aguilera: a vida secreta de uma estrela complicada

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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PISCINA PARA ADULTOS – Trocando correntes, calças de cowboy e piercings proibidos para menores por seda, vestidos elegantes e um casamento aconchegante, Christina Aguilera se reinventa como uma diva-retrô ambiciosa e feroz com uma paixonite por Louis Armstrong… e Jessica Simpson.

Se você quiser conhecer Christina Aguilera, tem que passar por um cara chamado Bob. O nome é pequena, mas o homem certamente não é. Bob é um guarda-costas profissional, e demonstra isso na aparência: é alto, com uma reluzente cabeça raspada, ombros da largura dos de jogadores de futebol americano, e braços do tamanho de… bem, Christina Aguilera.

No fim de uma tarde no começo de setembro, Bob está parado no Radio City Music Hall, assistindo sua empregadora repassar a coreografia do som assanhado do hip–hop de outrora de Candyman, um swing tirado do álbum Back To Basics. A ocasião é o ensaio do Fashion Rocks, um concerto beneficente cheio de estrelas que vai ao ar duas noites depois pela CBS, enquanto o Radio City explode em atividade.

Os dançarinos da Rihanna passam apressados pelo corredor para pegar os táxis que os levarão de volta ao hotel. O empresário de Elton John fala em um telefone. Uma produtora de TV grita pelo headset: “Cadê a Daisy Fuentes?”. Então, um som corta o ar e congela todo mundo aonde está: Aguilera retomou os ensaios e soltou um daqueles vocais que vão até o céu, que parece tremer as varandas do elegante teatro até elas caírem em cima da área da orquesta.

Parado há umas vinte fileiras do palco, Bob balança a cabeça. Ele trabalha para Aguilera há apenas três meses, depois de passar oito anos com Madonna e seis com Jennifer Lopez. “Com as outras garotas, tudo era direcionado para o show, o espetáculo”, Bob conta. “Mas ela” – ela acena para Aguilera – “ela pode cantar.”

SE TEM ALGUMA COISA que pode ser dita com segurança a respeito de Aguilera – uma coisa que tem sido dita de novo e de novo desde antes dela sair do jardim da infância – é que ela pode cantar. Tem aqueles que odeiam Aguilera, mas ninguém – nem mesmo uma das rivais no ápice da guerra da mídia – pode questionar a potência dela. No ensaio do Radio City, Aguilera está operando em aproximadamente um quarto da potência, mas a voz ainda é forte o suficiente para chamar a atenção de uns dois profissionais da indústria musical que falavam aos respectivos Blackberries e fazer eles imagineram como aquilo é possível.

Algumas noites antes, Aguilera esteve naquele mesmo palco para eletrizar a audiência do MTV Video Music Awards com Hurt, uma balada molhada digna de Celine Dion. “Eu estou com muito receio de assistir àquela performance”, Aguilera comenta com a Blender mais tarde. “Eu mal podia ouvir a mim mesma ou à orquestra. Eu não sei se eu atingi as notas certas”. Mas é claro que ela atingiu todas as notas, negando por uma melodia traiçoeira, bem no topo do alcance vocal dela, em um tom sem nenhum defeito.

Musicalidade não é um problema – mas com Aguilera, sempre existem problemas. Praticamente ao mesmo tempo que ela chegou à consciência popular com o clássico pop instantâneo Genie In A Bottle em 1999, Aguilera foi um imã natural aos tabloides e fonte de constantes polêmicas: Como uma rainha do drama do primeiro escalão, ela brigou com Britney Spears, Mariah Carey, os antigos empresários (processados por fraude) e Eminem, que fez uma famosa especulação a respeito dos hábitos orais de Aguilera em The Real Slim Dhady. Ela confessou a respeito dos traumas da infância problemática que teve com o pai abusivo, tanto para a imprensa quanto nos álbums. Ela enfrentou o escândalo com músicas cheia de insinuações sexuais, se gabou em entrevistas a respeito do amor que tem pelo sexo e por piercings no mamilo, e em 2002, com o disco e turnê Stripped, foi pioneira em uma técnica que pode ser educadamente descrita como “chique como uma prostituta”.

Quando ela era um membro do elenco adolescente no Clube do Mickey, os amigos Mouseketeers (um grupo que incluía Spears, Justin Timberlake, Ryan Gosling e a estrela de Felicity, Keri Russel) alegadamente a  chamavam de “a diva”, reputação que só se aprofundou com o decorrer dos anos. Enquanto Aguilera desce do palco nos ensaios do Fashion Rocks, ela tem um daqueles momentos de diva certificado. Ela está usando um vestido-casaco que vai até o joelho – não é exatamente um figurino apropriado para repassar uma coreografia como aquela sob luzes tão quentes – e a cantora suada é instantaneamente cercada de pessoas que começam a abanar ferozmente ao lado dela.

Essa crise é lidada rapidamente, e logo Aguilera está confortável na temperatura controlável de uma imensa limosine, passeando pela noite de Nova York enquanto o novo álbum de Thom Yorke toca discretamente no aparelho do carro. Blender está sozinha com Aguilera no amplo banco traseiro da limosine – Bob está na frente com o motorista – e não consegue evitar de reparar que o cheiro dela é incrível. Além do que parece ser um perfume muito caro, a cantora também esta usando aquele vestido-casaco, amarrado por um imenso cinto de grife que ficava tentando cair durante os ensaios. Aguilera vive em uma grande casa em Los Angeles, mas o marido cresceu em Nova York e ela ama a cidade. “Nós planejamos comprar um imóvel alguém cedo ou tarde”, ela diz. “Quando eu terminar minha turnê, vamos começar a procurar um lugar”. Aguilera vê a Blender lutando contra um gravador de mão. “É, é melhor você ter certeza de que essa coisa está funcionando”, ela diz rindo.  “Eu simplesmente me esqueço de tudo e começo a falar, o que às vezes me coloca em um pouco de problemas. Eu sou uma tagarela”.

Nesses últimos dias, Aguilera tem tido muito o que falar. Back To Basics é, de longe, o maior passo da carreira dela. são 22 músicas épicas, espalhadas em dois CDs. Também é, sem dúvidas, o mais louco álbum já lançado sob o nome de uma superstar pop que já rendeu inúmeros álbums de platina. Como o título implica, é uma tentativa de reviver o old-school – mas o que exatamente está sendo ressucitado? Um pouco de tudo, na verdade: blues e jazz dos anos 20, pop da Broadway dos anos 30, iconografia pinup dos anos 40 e 50, sould dos anos 60 e 70, sem mencionar o hip-hop com tons de jazz do começo dos anos 90, cortesia do co-produtor DJ Premier.

Back To Basics também é um pouco musical romântico, um álbum temático sobre a nova vida doméstica desfrutada por Christina (em novembro de 2005, ela casou com o executivo musical Jordan Bratman). Mas mais uma vez, tem o desabafo em uma música sobre a mãe da Christina. Oh, e aquele insulto agressivo ao produtor Scott Storch. E a estranhamente reclamona sequência à Dirrty, do Stripped, em que Aguilera se direciona à qualquer um que tiver a audácia de falar que ela não é mais vagabunda. E umas duas baladas bem conduzidas, com orquestras de cordas e corais de mais de cem pessoas, co-escritas pela outra principal colaboradora de Aguilera, Linda Perry, a escritora por trás do hit de 2002, Beautiful. Nós mencionamos que o álbum também tem um circo como tema?

Em todos os aspectos, é um álbum bagunçado, variado e amplamente ambicioso, em um caminho peculiar  tão audacioso quanto um álbum temático de rock-artístico. É o tipo de disco que certamente dá aos executivos da indústria uma úlcera sangrenta – Aguilera admite que Back To Basics  causou mais do que uma simples preocupação em Clive Davis e outros chefões do selo, a RCA. Alguns desses medos foram um pouco diminuídos pelas vendas sólidas do disco, até o momento, e pelo sucesso do primeiro single, a firme e saxofônica Ain’t No Other Man. Mas em um mercado cheio de álbuns líderes de vendas das divas do pop, todas apostando em uma rota bem mais segura que a de Aguilera, ela não está alienada – e você não consegue evitar que, volta e meia, ela tem dúvidas: “É verdade, sim: Com a liberdade, chegam muitas responsabilidades”, Aguilera comenta. “Eu sou a única comandando o navio agora. E se ele afundar, a culpa é minha”.

 ***

DESCULPE-ME, esquadrão da moda: Christina Aguilera já tirou seu último par de calças de cowboy. A modelo versão 2006 está impecável. Escondida em um restaurante em Manhattan, ela está usando um forte batom vermelho, com as unhas perfeitamente feitas; o cabelo loiro a-lá Marilyn Monroe/Jayne Mansfield está jogado por cima dos ombos. O visual é, entre outras coisas, resultado de um dever de casa sério. “Eu assisti muitos filmes antigos”, ela diz. “Marlene Dietrich, Marilyn, um pouco de Fellini. Foi um risco muito grande para mim, chegar com esse visual mais elegante. Mas eu queria atacar uma forma diferente de sensualidade: mais tímida, mais brincalhona, mais leve, mais comediante. Se algum maquiador me desse um batom vermelho alguns anos atrás… como dizer isso de forma educada? Eu teria tomado ele dali e colocado bem lá – esta é a forma sensível de explicar isso”.

Momentos depois, a Blender escuta uma conversa telefônica entre Aguilera e o marido, em que ela reclama de ter que “arrumar meu cabelo novamente – um saco”. Mas dá para suspeitar que Aguilera gosta de toda essa arrumação, que, entre outras coisas, dá a ela a chance de passar um tempo com a equipe que ela chama de “esquadrão do glamour”: um pacote de estilistas gays que são os mais próximos amigos que ela tem na equipe. “Os únicos bons relacionamentos que eu tive eram com homens gays”, Aguilera diz, rindo. “Antes de eu conhecer o Jordy.”.

Jordy é, claro, Jordan Bratman, de 29 anos, marido de Aguilera há um ano. O casal se conheceu durante as gravações do Stripped, no estúdio do produtor Dallas Austin em Atlanta, onde Bratman trabalhava na época. Rapidamente, eles viraram amigos, e com o tempo, Aguilera diz piscando o olho e com um pouco de ironia, “nós viramos namorados”. É desnecessário dizer que as coisas não aconteceram assim tão simples. A cantora admite que ela estava em uma época muito fechada quando conheceu Bratman, e que ele precisou de paciência e perseverança para “derrubar aquelas paredes”.

Os diálogos de Aguilera são cheios daqueles termos usados em terapia – muita falação sobre aquele ou este “lugar” ou “espaço” emocional – e várias músicas de amor no Back To Basics são declarações pop no estilo Oprah, celebrando as conquistas de Bratman em derrubar as paredes de defesa levantadas por sua esposa. Na balada Understand, Aguilera canta – “Existiam muitas paredes a escalar se você quisesse ser meu”. Mais grandiosa é The Right Man, o melodrama sobre o dia do casamento de Aguilera, acompanhada de uma orquesta de cordas e um coral. “(Um dia minha garotinha vai estender a mão e saber que que eu encontrei o homem certo”).

Nessa noite, enquanto bebe um mai tai em uma silenciosa sala reservada de um restaurante lotado, Aguilera parece sim estar em um lugar mais feliz em sua vida. Ela comenta empolgada sobre as alegrias domésticas (“Aconchegante é minha palavra favorita ultimamente. Jordy e eu somos o casal mais aconchegante do mundo!”), sobre os sogros (isso vai passar, Christina) e sobre ter conseguido conquistar um “bom rapaz judeu”. “Eu estive aprendendo várias palavras das tradições judaicas”, ela diz.

Mas mesmo sendo uma mulher doméstica, Aguilera quer que todos saibam que ele não esqueceu  o jeito mais safado de viver – que ela é, como a música diz, ainda suja. Ela comenta que pretende passar a maior parte do tempo em uma viagem que fará à Roma na cama com Bratman, e fala sobre uma história em que ela teve que urinar nua em um balde, numa sala de bastidores cheia de gente, durante as mudanças de roupa da turnê. “Eu estou muito confortável com meu corpo. É possível até que tenha algum vídeo meu mijando”, ela diz. (Olá Youtube!).

Ao mesmo tempo, Aguilera  se mostra ansiosa para projetar a calma de uma mulher madura que deixou os dias de equívocos de alto padrão para trás.”Quando você se casa, você passa a esquecer um monte de besteira que te incomodava antes”, ela diz. No caso de Aguilera, “o monte de besteira” inclui cicatrizes emocionais de uma infância difícil e a amargura dos anos em que passou como uma estrela adolescente extremamente controlada.

Ela nasceu em 1980 em Staten Island, Nova York, filha de uma mãe de raízes irlandesas e um pai equatoriano, sargento do exército americano, dominador e acusado de cometer violência doméstica. Os pais de Aguilera se separaram quando ela tinha 7 anos, e ela foi morar com a mãe e a irmã mais nova em Rochester, Pennsylvania, um subúrbio da classe ploretariada nos limites de Pittsburgh.

Foi lá que o talento musical de Aguilera foi reconhecido pela avó. Logo, ela estava cantando blues em shows de talento, e aos 10 anos, a precoce grandiosa voz foi transmitida em televisão nacional pela primeira vez, entoando a balada blues que é assinatura da Etta James, Sunday Kind Of Love, no protótipo do American Idol, Star Search. Aos 13 anos, ela se uniu ao elenco do Novo Clube do Mickey e começou a enviar demos às gravadoras. Em 1998, depois de gravar a música Reflection para a trilha sonora do filme Mulan, da Disney, a RCA assinou Aguilera. O álbum de estreia, Christina Aguilera, apareceu no ano seguinte na onda do fenômeno pop adolescente. A faixa Genie In A Bottle voou para o topo das paradas, e ela não olhou para trás desde então.

Hoje, Aguilera se lembra desse período com sentimentos contraditórios. Como muitas das sensações adolescentes antes dela, ela se submeteu às regras estritas impostas pelos chefões, em particular pelo então empresário, Steve Kurtz. “Foi difícil. As pessoas da gravadora me mandavam segurar os vocais. Foi durante aquela explosão pop adolescente e eles queriam que eu me encaixasse no molde para alcançar o mesmo nível de sucesso.  Eu não podia fazer ad-libs. Não podia repetir notas”, ela diz, se referindo à forma particular dela ao fazer aqueles melismas em estilo montanha russa. “Mas eu paguei meus débitos. Eu sabia que se eu cedesse e jogasse o jogo deles naquele momento, eu ganharia o controle criativo eventualmente”.

Em 2000, Aguilera chegou ao limite e processou Kurtz para conquistar a independência. Logo depois, ela começou a criar briga na imprensa com a ex-amiga Britney Spears, sugerindo que Spears tivesse dublado na performance do VMA de 2003. A briga continuou por um tempo, mas foi apenas uma das que Aguilera se envolveu. Mais cedo nesse ano, ela falou de Mariah Carey no artigo de uma revista, mas quando Blender mencionou o nome de Mariah, ela não mordeu a isca. (“Ela tem uma voz incrível”, Aguilera diz). Na verdade, hoje à noite, ela está transbordando de amores para as amigas artistas – especialmente para aquelas que já transbordaram de amor por ela. “Axl Rose estava nos bastidores do VMA perto do meu esquadrão do glamour”, Aguilera conta, “e eu ouvi que ele pediu para todos na sala ficarem quietos para que pudesse ouvir minha apresentação. Quando eu o conheci nos bastidores, ele me cumprimentou e disse, ‘Você é uma das maiores vocalistas do nosso tempo’. Não é amável? Porque na minha época, os Guns N’ Rose eram, tipo, tudo”.

Aguilera também teve um momento desses com, de todas as pessoas, Jessica Simpson. Simpson estava hospedada no mesmo andar do hotel que Aguilera estava durante o VMA, e mandou uma cartinha por debaixo da porta da suíte de Christina. “Ela disse as coisas mais adoráveis sobre o meu trabalho”, diz Aguilera. “As mulheres são supercompetitivas às vezes. Especialmente nesse trabalho, você pode sentir as vibrações competitivas das pessoas. Mas Jessica é superdoce e tranquila. Eu a mandei um grande bouquet de flores”.

* * *

PROVAVELMENTE, o momento mais audacioso da carreira da Christina Aguilera vem na faixa que abre o Back to Basics. Ao invocar o espírito “das figuras do blues, dos fazedores de Jazz”, Aguilera canta: “Então aqui eu me coloco hoje/E em tributo eu canto/Àqueles que abriram caminho e preparam o terreno/E a Deus eu oro para que Ele me dê a força/Para carregar em frente o dom da música em sua boa fé”.

Não há dúvidas do conhecimento de Aguilera. “Eu cresci ouvindo Etta James e Marvin Gaye e os grandes cantores de blues e soul”, ela conta. “É essa a música que me nutriu”. Suas versões para um blues alá Billie Holiday (I Got Trouble) e um swing da 2ª Guerra Mundial inspirado nas Andrews Sisters (Candyman) expiram um amor genuíno pelo estilo que ela está revivendo. Mas há uma grande diferença entre lotar a cabine de gravação com fotos de Louis Armstrong, como Aguilera fez, e se declarar a fonte de um século inteiro da tradição negra.

Ainda assim, passe um tempo com Aguilera e você é desafiado a não cair na conversa séria dela sobre “empurrar meus próprios limites de segurança para adotar um visual novo” e “trazer aquela perspectiva criada pela Mae West quanto à sensualidade”. E aí, você começa a ver que tem algo de “ousado” na “visão” de Aguilera. Em uma época em que desde Beyoncé a Nelly Furtado a Janet Jackson a Jessica Simpson apostaram nos grandes e óbvios nomes de produtores – Neptunes, Timbaland, Jermaine Dupri, Rodney Jerkins – a escolha de Aguilera foi DJ Premier, considerado por muitos como alguém que já estava uma década além do ápice, o que mostra uma decisão iconoclástica. “Premier realmente entendeu o tipo de álbum que eu queria fazer”, Aguilera diz. “Eu tomei uma decisão consciente de tentar fazer um disco que não soasse com tudo mais que está sendo lançado. Depois de um tempo, os produtores da vez sempre fazem um som reconhecível, e tudo passa a soar igual. Essas pessoas trabalham tanto que elas atraem mais do que conseguem produzir e fazem músicas para os discos de todo mundo – e aí, o trabalho sofre com isso”. Ela pausa. “E eu não vou nomear ninguém”.

Ron Fair, presidente da Geffen Records – e antigo confidente musical de Aguilera – diz: “Um monte das garotas na categoria do hip-hop-pop-R&B sexy da MTV estão apostando na mesma caixa de ferramentas e no mesmo esquema de cores. Christina tem a própria caixa e a própria paleta de coras. Independente do que acontece comercialmente, o resultado que ela almeja e alcança é suficiente para agradar sua musa”.

Essa frase de gratificar-a-musa é um cliché imenso – e ainda sim, ninguém que ouvir Back To Basics pode duvidar que Aguilera foca em algo além da vontade de ter uma música em #1. Nesses aspecto, a artista com quem ela mais parecer é a diva em pessoa, Madonna, que manteve o público adivinhando o que viria por quase três décadas. Aguilera – a pequena competidora no Star Search que virou uma mouseketeer, o ícone adolescente que virou um tabu sexual, e depois se tornou uma revivalista do glamour do pop clássico – pode acabar virando a grande estrela pop do século 21. “Christina deveria ser aplaudida por esse disco”, diz Linda Perry. “Ela realmente tentou fazer algo diferente. Ela foi completamente bem sucedida? Eu não sei. Mas o que deveria ser levado em consideração é que ela apresentou um trabalho arriscado enquanto todo mundo está fazendo aquela porcaria grudenta”.

Certamente, Back to Basics guarda dicas de diversas possibilidades para direções futuras. Talvez a mais atraente destas possibilidades é a amável balada acústica Save Me From Myself, que sugere uma positiva e quase inacreditável possibilidade de que Aguilera, a rainha dos vocais de longas oitavas, também seja capaz de uma forma mais simples, sutil e suave de cantar. Aguilera admite que ela já está programando o próximo álbum, mas quando a pressionamos para dar detalhes, ela desconversa. “Está tudo em meus diários”, ela diz. “Eu escrevo no meu diário todos os dias”. Que tal uma dica? “É algo que você não espera”, ela diz sem falar mais.

Enquanto isso, Christina Aguilera tem preocupações mais presentes. Ela está nervosa com o clipe de Hurt, que vai gravar assim que ela e Bratman voltarem de uma rápida viagem à Europa. (“Eu tenho ainda que olhar todos os vídeos dos testes. Eu sou uma perfeccionista ao extremo em cada detalhe, dá pra ver”). Também tem uma turnê mundial no horizonte, e possivelmente algumas datas especiais em alguns clubes de jazz. E também o dueto com Elton John, que vai abrir o Fashion Rocks em alguns dias. “Nós vamos cantar ‘Bennie And The Jets'”, Aguilera comenta. “Mas eu ainda tenho que aprender a cantar a música toda. Eu não sei quais partes Elton quer que eu cante”. Blender lembra à Aguilera que John já faz um dueto famoso para a televisão, no Grammy de 2001, com o antigo rival dela, Eminem. “É, bem, um dueto entre Christina e Eminem… está aí algo que o mundo está esperando para acontecer, né?”, ela brinca. “E se você quer mesmo saber, é isso que eu estou planejando fazer a seguir”.


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