Revistas / 2006 / Billboard (Julho)

A Billboard é uma revista especializada sobre música

Christina Aguilera: misturando Jazz e Blues no pop de ouro atual

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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ENQUANTO GRAVAVA BACK TO BASICS, um projeto inspirado pela música e imagem dos anos 20, 30 e 40, Christina Aguilera tinha uma arma secreta  – o batom vermelho tão brilhante quanto um carro de bombeiros. “Apenas para entrar no clima da música”, ela diz, “para transmitir a emoção e a energia, especialmente para colocar para fora algumas notas altas, o batom vermelho me ajudou muito a entrar nessa mentalidade”. Saudar artistas do passado é o papel para o qual Aguilera nasceu. Desde seu início pela RCA sete anos atrás, ela tem falado sobre seu amor por grandes cantores de blues como Etta James.  Enquanto preparava o álbum, “Eu me rodeava de fotos de Billie Holiday e Pearl Bailey, pessoas como eles”, ela diz.

Aquelas imagens acompanharam-na no estúdio, como também fizeram “os folders e fotos de Louis Armstrong e [John] Coltrane e Miles Davis. Eu quis entrar no coração e na alma da música, literalmente.” “Atores chamam isso de ‘atuação metódica’. No meu caso, foi cantoria metódica'”.

A visão de Aguilera para o álbum nasceu de um poema que ela escreveu em sua última turnê. “Eu pensava, ‘O que me faz realmente querer cantar? O que é aquilo que me faz querer dançar? O que me faz amar e me divertir com música?’ E é realmente o velho blues, o soul e o jazz – música que realmente vem do coração. Não que eu esteja dizendo que a música de hoje não venha do coração, mas é pouco e distante, porque a tecnologia avançou tanto que hoje qualquer um pode ser um cantor. Naquela época você tinha que saber como cantar.”

Com o novo disco duplo, um set de 22 músicas totalmente co-escrito e de produção executiva por Aguilera, seu objetivo não é nada menos ambicioso do que fazer uma homenagem aos seus herois musicais enquanto inventa algo completamente novo. O primeiro disco, principalmente produzido pelo DJ Premier, combina a sensibilidade de antigas músicas com elementos de hip-hop, partes de outras músicas (chamadas samples) e tecnologia moderna. O segundo disco, produzido por Linda Perry (com quem Aguilera colaborou na famosa “Beautiful”), traz todo instrumental ao vivo, sem samples: Sons com roupagem antiga foram gravados usando microfones antigos, às vezes cobertos com pano para ganhar um efeito abafado. O presidente da Geffen, Ron Fair, que assinou com Aguilera quando ele ainda estava na RCA, foi resposável pela execução artística e de gravação do projeto.

Aguilera convocou produtores para o álbum por meio de uma carta explicando sua visão. Junto à carta estava uma compilação com 30 músicas variando dos anos 20 aos anos 60 que a havia inspirado, incluindo contribuições de Otis Redding, Milie Jackson, Ray Charles, Nina Simone, Eartha Kitt e Screamin’ Jay Hawkins.

“Eu a mandei [a carta] para os produtores que eu achei que fossem capazes de entrar nesse mundo comigo”, ela conta. “Eu queria pegar partes obscuras de músicas e conseguir pessoas que realmente, realmente usariam a imaginação na criação de algo novo. Eu não queria fazer nenhum cover.” Ela encorajou produtores a usar as músicas do CD para “tentar de tudo, se sentirem livres para experimentar.”

Em fevereiro, Aguilera convocou uma reunião em Los Angeles com seu time na RCA para apresentar parte das gravações e expressar seus desejos para “Back to Basics”. “Eu disse, ‘Quero ser bem participativa em todas as reuniões que tivermos e também na tomada de decisões, porque sou muito específica na minha visão para este disco’ “ ela reafirma. “Eu queria começar a colocar [a música] em suas cabeças, então eles teriam tempo para ter idéias e pensar. Ela enfatizou a continuidade que seguiria em todas as facetas do projeto, desde as músicas, imagem, vídeos e turnê que iriam combinar música com os visuais que representam “uma viagem no tempo para o antigo glamour de Hollywood, aquele tipo de sensualidade antigo, retrô, estilo pinup.”

O alto grau de envolvimento de Aguilera em todas as partes de sua carreira é estimulado por suas admitidas tendências a viciar no trabalho (“Eu sinto que tenho sempre que trabalhar”, ela diz) e também nascidos por suas más experiências no passado. “Meu primeiro disco foi uma gigantesca luta para min, e eu realmente sinto que paguei minhas dívidas naquele primeiro álbum. Sendo parte de uma gigantesca explosão pop, eu fui empurrada pela gravadora para ser, agir, me vestir de certo modo, e aquilo foi difícil.”

Enquanto ela pode parecer ansiosa para se distanciar do estilo de seu primeiro álbum em 1999, o disco vendeu 12.5 milhões de cópias no mundo, de acordo com a gravadora, e lançou uma adolescente ao estrelato por meio de grandes músicas como “Genie In a Bottle”, “What a Girl Wants” e “Come On Over (All I Want Is You).” Ela seguiu com “Mi Reflejo”, praticamente um remake em espanhol de seu primeiro álbum, que vendeu 2.2 milhões de cópias no mundo.

Se distanciando das restrições que sentiu em seu primeiro álbum, ela lançou o álbum Stripped, de 2002, onde diz que “eu estava me despindo de todos os elementos que senti não serem de eu mesma naquele (primeiro) álbum”. Desde sexual “Dirrty,” a roqueira “Fighter,” a balada tocante “Beautiful” e “I’m OK”, que enfatizou seu crescimento assistindo seu pai abusando de sua mãe, ela, de maneira inabalável, expressou diferentes lados de sua personalidade. As vendas internacionais chegaram a 9.5 milhões de cópias.

Nesse terceiro álbum em inglês, Aguilera diz, “Eu ainda sinto necessidade de me abrir”. De fato, em Back to Basics, “ela canta vivamente sobre entrar na igreja sozinha em seu casamento, em “The Right Man.” “Eu nunca tive uma figura paterna, o que nunca me chateou” ela diz, “eu tinha minha mãe, eu tinha pessoas que me amavam e que se importavam comigo.” Com um pensamento que acabou se revelando equivocado, ela decidiu, “Eu sou uma performer, consigo entrar sozinha na igreja.” Mas quando chegou a hora, “Eu simplesmente me dei conta que seria muito bom ter um protetor na vida, que me fizesse sentir isso a vida toda até me entregar para o próximo homem que iria tomar conta de mim.”

Em “Oh Mother, “ ela louva a braveza e coragem de sua mãe contra o abuso de seu pai. Quando questionada sobre a reação de sua mãe quanto à canção, Aguilera diz, “O interessante é que eu ainda não fui consegui tocar para ela.” Aguilera não tem medo de revelar seus mais vulneráveis sentimentos, e, de fato, emana força deles. “Eu sinto a responsabilidade de dividir algumas dessas coisas que não, o tipo de lados mais ‘bonitos’ de minha vida,” ela diz “Se eu puder dar [às pessoas] algo para que eles possam contar para que não se sintam mais sozinhos na circunstância.”

O primeiro single “Ain’t No Other Man” reverencia com antigas buzinas e uma sample de “Hippy, Skippy, Moon Strut” do grupo Moon People, antes de explodir em uma irresistível, rápida e tocante declaração de amor. A canção subiu à 6ª posição na Billboard Hot 100 e está na 8ª colocação nesta edição. A rádio estava pronta para a nova Aguilera. Sua última aparição no top 10 do Hot 100 foi em fevereiro de 2003, com “Beautiful”.

“Tem um ótimo ritmo, os instrumentos são únicos, o valor da produção é diferente de tudo que foi lançado nos últimos tempos,”  disse o top 40 KSLZ St. Louis PD Tommy Austin sobre “Ain’t No Other Man.” Ele adiciona, “Ela é simplesmente quente, cara.” Sobre a música, disse James Baker, PD no adult top 40 KIOI San Francisco. “É uma excelente gravação pop. Soa como diversão, soa como verão… Ela enche a mesa do que é o pop em 2006.” Baker também nota que o público de Aguilera se estende a “mães caseiras”, uma tendência notada pela VP de Marketing da RCA Caron Veazey.

Sua base maior de fãs, diz Veazey, é formada por pessoas de 12 a 34 anos, mas sua colaboração com Herbie Hancock  em 2005 no álbum “Possibilities” a expandiu para um público maior e incluiu o público de smooth-jazz. Seu trabalho com DJ Prernier também ampliou sua audiência urbana. “Estamos ouvindo de varejistas de urban-indie que pessoas que compram Chamillionaire e Young Jeezy estão vindo às lojas perguntando sobre o álbum dela.”

“Estamos sentindo a expectativa pelo álbum. O single é quente demais.” Diz Mike Fratt, comprador de Omaha, Nebraska. Embora Fratt compare a carreira dela com a de Beyoncé, Aguilera tem um salto à frente da lider das Destiny’s Child, de quem o disco “B’Day” será lançado dia 5 de Setembro. Comprador da Newbury Comics, Carl Mello só tem uma reclamação: “Seria melhor se não fosse um [disco] duplo. Ela deveria ter aprendido com Nelly. Pop deve ser feito em apenas um álbum.”

Por causa disso, a RCA tentou ampliar o valor da compra ao incluir um exclusivo documentário no álbum, um “making of “ de 10 minutos. Veazey admite que a gravadora inicialmente ficou preocupada quando ficou sabendo que o projeto era para um álbum duplo, por causa do mercado atual, mas “quando você ouve a música que está conseguindo por $ 21,98,” ela diz, “todas as dúvidas são sanadas.”

A reintrodução de Aguilera começou com sua performance no MTV Movie Awards em junho para apresentar “Ain’t No Other Man” ao público. Ela lançou o video no “TRL” com uma entrevista de 30 minutos com John Norris, indo ao ar na MTV em agosto, e ela também irá apresentar um especial de uma hora, no horário do almoço, no dia 14 de agosto. Também está escalada para participar de um show na emissora-irmã da MTV, a VH1, no “Fashion Rocks” de 9 de setembro.

Aguilera, que é registrada pela Creative Artists Agency e representada pela Aznoff Management, planeja dar um salto inicial com o álbum fazendo shows em um número limitado de clubes de jazz nos Estados Unidos, seguidos por um tour na Europa que incluirá aparições privadas em Londres e Paris patrocinadas pela Sony Ericsson, com quem ela tem uma parceria internacional, fora dos EUA. [Uma parceria internacional com a Pepsi, fora dos EUA, terminou no final da Copa do Mundo). “Estamos trabalhando em parcerias dentro dos EUA.”, diz Veazey. “É importante escolher a parceria certa e ter plataformas estratégicas” para exposição.

Um tour de escala geral nos EUA começará no ano que vem, e irá juntar a imagem e a música. É aí que aquelas imagens que a acompanharam aos estúdios voltam a trabalhar. Elas continuam juntas e guardadas por Aguilera. Ela as carrega por aí em uma pequena maleta. “Eu levo para reuniões de grande escala. E continuo tendo idéias para a turnê, para todos os visuais, os dançarinos, personagens, coisas que quero usar no palco, então, sim, continuo em uma parte do processo criativo”.

Mesmo que tenha vendido mais de 23 milhões de discos pelo mundo, Aguilera ainda sente que está apenas começando, mas admite que já consegue sentir o desgaste. E sem o traço da ironia, ela, agora com 25 anos, confessa, “Eu percebo que não tenho o mesmo vigor que eu tinha quando tinha 17.”

Mas ela sabe que tem um longo caminho para percorrer antes de descansar. “Eu olho pessoas como Madonna. Eu fui à última turnê dela. Eu vejo seu visual e fico pensando ‘Wow, estou olhando essa mulher, com duas crianças em casa, e ainda é capaz de fazer tudo isso; tem o vigor necessário para estar no palco e tem uma aparência fantástica.’ É realmente inspirador. Então eu olho aquilo e penso, ‘Wow, eu tenho 25 anos, do que estou reclamando? Preciso levantar o traseiro da cadeira e colocar as mãos na massa.’”


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