Revistas / 2004 / Elle Girl (Fevereiro)

A Elle Girl é uma revista de moda e beleza voltada para o público adolescente mais velho

Christina Aguilera quebra todas as regras

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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Mal compreendida Christina Aguilera é a garota mais feroz do planeta ou uma chica loca? Um pouco dos dois, e é por isso que nós a amamos.

Tirar sarro de Christina Aguilera é praticamente um hobby para muitas pessoas. Elas acham que ela pede por isso – com os stripteases de freira, beijos com Madonna e calças de cowboy. Mas quer saber? Elas não estão prestando atenção na mensagem, porque Christina faz o que ela quer, quando ela quer e como ela quer. Ela não se importa para o que os outros pensam, e é com essa atitude que conquistou nosso respeito. Ademais, quando Christina entra pela porta da nossa sessão de fotos em Los Angeles, não há nenhum sinal da diva monstruosa que nós tanto ouvimos falar.

Quanto ao tamanho da equipe, a dela é até pequena – só a consultora, assistente, guarda-costas e dois adoráveis cachorros, Chewey e Stinky. Ela está calçada em pantufas rosas de Paul Frank, e os longos cabelos negros estão presos em um coque bagunçado no topo da cabeça. Lutando contra uma dor no estômago, ela dá um gole em uma Coca Cola e fala bem baixo, além de soar obviamente inteligente.

Ela adora todas as roupas que nossa estilista mostra para ela, e depois da sessão de fotos, ela pergunta se pode ficar com um vestido preto bonitinho da H&M. No dia seguinte, nos encontramos novamente em um silencioso saguão de hotel. Com um visual para lá de legal, em uma saia preta e uma pequena camiseta da Boy Scout, Christina fala sobre música, moda e sobre a reputação nada escoteira.

Qual a melhor coisa da sua vida, atualmente?

Eu me sentir mais livre do que jamais me senti antes. Eu realmente me sentia presa dentro de uma caixa depois de gravas meu primeiro álbum.

Ouvir seu primeiro álbum te deixa envergonhada?

Não, eu o ouço para rir um pouco – porque é como olhar um álbum de fotos antigo. Eu tinha 17 anos quando o fiz, e hoje já tenho 23. Eu cresci bastante desde então.

Nós ouvimos dizer que você está batalhando contra a violência doméstica e “adotou” uma casa de proteção à mulher, o que é muito legal. Você acha importante que as celebridades retribuam?

É importante para mim. Eu sou muito abençoada por fazer o que amo. É claro, com a fama vem o drama e as mentiras dos tablóides. Mas eu estou aprendendo a bloquear esse tipo de coisa. Estou tentando trazer de volta a arte no artista. É triste porque, com a tecnologia, a arte tem sido manufaturada de forma tão fácil – sequer precisa cantar mais.

É, parece que todo mundo consegue um hit #1 desde que tenha…

O time certo por trás dele.

Eu percebi isso no último MTV Video Music Awards. É muito mais interessante assistir alguém que está, sabe, cantando.

É, o MTV Video Music Awards [risadas]. Um fiasco. Uhm, é, o VMA foi uma decepção.

Tem uma diferença muito grande entre assistir Mary J. Blige e assistir um 50 Cent…

É, a diferença entre Mary J. Blige e o resto das performances – com exceção de mim e de Madonna – é que o microfone dela estava ligado. Eu não vou nomear ninguém, mas é uma decepção quando você vê uma cantora que sabe ter uma boa voz e aparece dublando no palco. A melhor parte de se fazer ao vivo é que sempre existe a possibilidade de errar, e é isso que torna a música real e crua.

Você já deve estar cansada dessa pergunta, mas como é que você acabou lá em cima beijando Madonna?

Meu empresário recebeu uma ligação sobre a performance de Madonna, e eu ouvi o nome de alguns artistas que estavam indicados para cantar também. Então, eu recebi uma ligação diretamente da Madonna, dizendo que ela queria muito que eu fizesse parte. Eu queria ter certeza que não teria dublagem envolvida, e ela me disse objetivamente: “Cantar ao vivo é obrigatório”. Ela também falou algo do tipo, “O motivo de eu tentar trazer todo mundo junto – inclusive Missy Elliott – é que existem tantos boatos e rivalidades criadas em tablóides, que seria uma representação de poder colocar todas aquelas mulheres juntas no mesmo palco”. Você sabe, eu realmente gosto de dar poder às mulheres, mas também achei que era divertido! Me vestir naqueles apetrechos antigos da Madonna, subir lá e rolar no palco com Britney…

Aquele vestido rosa emplumado do Roberto Cavalli, que você usou para chegar no show, era bem divertido. Nós amamos, mas a imprensa te criticou. Isso te deixa brava?

A imprensa escolhe a dedo os favoritos. Se, por exemplo, Jennifer Lopez tivesse usado aquele vestido, todos diriam ‘É incrível!’. Mas eu vou ser criticada porque eu sou, abre e fecha aspas, a estranha. Tanto faz. Eu vou continuar fazendo o que eu estou fazendo e me orgulhar. Toda essa história de não se arriscar, seguir as regras, cada fio de cabelo no devido lugar, não me inspira.

Você usava roupas malucadas quando estava na escola também?

Como eu estava nesse meio desde que eu tinha 6 anos – e o Clube do Mickey aos 12 e 13 anos – eu usava o figurino do programa para ir à escola. Só comisetas que tinham cortes diferentes, nada estranho, só um pouco mais ousado. Mas ainda assim eu era criticada, porque me vestia diferente das outras garotas. As pessoas não se sentem confortáveis com nada que é diferente.

Bom, as pessoas ainda confundem confiança com esnobismo.

Sim – toda a imagem que a sociedade tem de uma garota é ser delicada, amável e só falar quando lhe dirigirem a palavra. Para mim, é ser confiante em si mesma e no que te deixa confortável. E porque eu deveria ser criticada pelo que me deixa confortável? Eu não critico os editores de moda que criticam as celebridades. Sou o alvo porque nunca espalhei por aí que era virgem, ou que tentava agradar os outros, ou mesmo que era uma modelo para as garotas, sabe?

Você recebeu muitos comentários por conta do clipe de Dirrty, é verdade.

É, eu consigo nomear um milhão de vídeos de hip hop que mostram mais do que eu, e ninguém fala nada. O mundo é dos homens e minha sexualidade espanta as pessoas. Quando uma mulher se sente confortável com a própria sexualidade, e ela está aberta e controlando o ambiente em que esta – isso sim é assustador. E eu estou sempre no controle. No clipe de Dirrty, estou fazendo o que quero e me sentindo confortável ao mesmo tempo. Existem mensagens ótimas no Stripped se você realmente o parar para escutar.

Você sente que está sendo constantemente forçada a defender suas escolhas?

Quando você é uma artista, sabe que será rotulada. Especialmente em um mundo onde as pessoas se divertem em criticar os artistas. Especialmente depois do VMA, eu fiquei muito decepcionada em como a televisão de música se tornou um tablóide. Como depois do beijo entre Madonna e Britney, quando eles cortaram a cena para mostrar a reação do Justin [e não mostraram meu beijo]. Algo meio, ‘Ei! Tem uma performance acontecendo!’. Tipo, ‘Ei, MTV – Music Television que sequer toca música?’.

É, ainda bem que existe a MTV 2 e o Fuse!

Sim. E até parece que Justin ia dar alguma reação a eles. É triste que o único meio pelo qual temos a oportunidade de dar um visual à nossa música se tornou um tablóide.

Ok, chega de MTV. Você é muito próxima da sua irmão, Rachel. Como ela é?

Ela tem 17 anos e é uma artista. Ela separou um tempo para fazer tudo o que eu sempre quis aprender – piano, violão, baixo. E ela pinta também, o quarto dela é uma grande peça de museu. Ela veio à Nova York recentemente e os papparazzi estavam tirando fotos dela quando fazia compra – não porque eles sabem que ela é minha irmã, mas porque ela se veste tão diferente. E ela ama rock clássico. Stripped foi a primeira coisa que eu fiz que ela disse, ‘Oh, esse é legal!’. E eu estou bem lá com ela [risadas].

Como será seu próximo álbum?

Eu estou mergulhando completamente em música soul.

Você quer fazer um filme algum dia?

Sim, eu recusei vários roteiros porque nenhum deles me pareceu certo. Eu não quero interpretar uma cantora. Mas eu espero poder trabalhar em um filme neste ano – assim que eu encontrar o roteiro ideal.

Você viu algum filme recentemente onde pensou, ‘Eu queria ter feito esse!’?

Eu gostou muito dos papéis que Angelina Jolie interpreta. Ela é interessante – mais do que uma bela garota bonita, o que é seria muito entediante.

Ok, se você pudesse sair com qualquer um que quisesse, quem seria ele?

[Risadas] Johnny Depp é quente. Eu gosto dele porque a beleza dele não é de esteriótipo. Eu conheci vários garotos bonitões… celebridades… e sabe, o cérebro não funciona. Eu sou atraída por intelecto e por artistas – e se eu fosse sair com alguém, qualquer um que quisesse, seria com o falecido pintor Jean Michel Basquiat. Eu o amo.

Qual carreira você admira?

Eu admiro a carreira de pessoas diferentes por motivos diferentes. Etta James é a minha cantora favorita – mais do que Aretha ou Whitney. Ela parecia um leão quando cantava – ela rugia. Eu admiro Madonna pela atitude dela – por não ter medo e expandir os limites. Eu prefiro fazer o que amo e ter tomates jogados na minha cara do que subir no palco, ser falsa e ganhar aplausos. Eu tenho que ser eu.

entrevista online

Christina despida – Questionário exclusivo do site da ElleGirl. Abaixo, capa alternativa da revista que foi às bancas.

Elle Girl - Fevereiro 2004

A capa alternativa da revista conta com uma chamada diferente – Christina Aguilera Odeia Fofoca: “Todo mundo acha que eu sou uma puta, mas não sou!”

Sobre morar sozinha em Nova York quando tinha 15 anos de idade:

Minha mãe ficou em casa, mas sabe, Nova Yourk e Pittsburgh são bem próximas, então era fácil ir e voltar. Mas eu nunca fui uma daquelas meninas que dependem demais da mãe. Digo, somos bem próximas, mas eu sempre tinha um senso de maturidade e ela me dava muita liberdade, então não fico muito debaixo dela. Eu nunca fui daquelas que precisam “cortar o cordão umbilical”. Eu sou… eu me dou bem sozinha.

Sobre a vida na estrada:

Ainda bem que eu amo viajar. Eu sempre gostei de viajar. Então, não é algo muito ruim. No ônibus – eu gosto mais de viajar de ônibus do que de avião – eu tenho como me trancar no quarto dos fundos, de forma privativa, separar todas as minhas revistas e fotos gavoritas, e transformar ele no meu próprio mundo. Consigo escapar para um lugar que é só meu. E levar os cachorros comigo me ajudam também!

Sobre coisas de menina:

Eu não sou uma garotinha, no sentido tradicional, de forma alguma. Mas sabe, eu adoro algumas coisas – como chapéus. Na sessão de fotos, eu estava usando vários chapéus e acessórios. Eu amo me vestir. Eu amo bonecas. Eu amo aquele visual militar que usamos na primeira sessão também. Adoro me vestir de outras personagens.

Sobre amar a vida noturna:

Eu amo me divertir de noite. Eu começo a acordar quando o Sol se põe. Eu acho o Sol muito invasivo, não gosto de tomar Sol. Eu passo a maquiagem no corpo e as loções e tudo mais, mas não tomo banho de Sol e tudo mais.

Sobre o nervosismo pré-show:

Eu sempre fico nervosa antes de subir no palco. Sempre. Sempre dá o frio na barriga. Mas assim que eu entro no palco, a sensação se resolve e é incrível.

Sobre momentos vergonhosos:

Uma vez, eu caí do palco em um vão bem fundo. Foi em algum lugar da Europa. Era para o meu primeiro álbum e eu estava cantando What A Girl Wants. Eu corria por uma passarela, cantando “What a girl wants, blá blá blá….”. O lugar era imenso também, e ninguém soube direito o que aconteceu. Um piscar de olhos e eu já tinha sumido. Os seguranças do local ficaram me olhando como se fosse parte do meu show, eu precisava pedir para me ajudarem a subir. Eles tiveram que me levantar de volta para o palco.

Sobre  o local favorito:

Japão. Eu amo, amo, amo o Japão. As pessoas, as compras. Me lembra da minha infância, porque passei 3 anos morando lá.

Sobre arrependimento:

Quando eu vejo fotos e tudo mais, mesmo as críticas que eu recebi pelo cabelo que usei em Lady Marmalade, é como se eu olhasse para um álbum antigo. Todo mundo tem uns momentos onde pensam, ‘wow!’. Um pouco de vergonha e tudo mais. Dizemos ‘Oh, isso foi há muito tempo’. Mas eu sou uma artista. E todo ser humano, por Deus, eu não posso olhar para nada e sentir que foi um erro ou motivo para causar algum arrependimento – como em falo em Fighter, esse é o tema da música. Sabe, não se arrepender e como as pessoas podem te colocar no meio de um furacão. Eu agradeço à Deus pelos momentos mais difíceis na minha vida, mais até do que pelos bons, porque você aprende tanto de um pequeno releacionamento, ou um incidente, ou uma crise, que te fazem bem mais forte.

Sobre ter auto-confiança:

Eu faço algo e não digo, ‘É dessa maneira que você tem que ser, é assim que você tem que agir”. Eu não digo isso mesmo. Eu digo que ‘é assim que me sinto confortável’. E quando as pessoas me perguntam ‘O que você pensa disso ou daquilo”, eu falo abertamente e diretamente. Essa imagem que a sociedade tem de uma garota é ser cuidadosamente delicada e só falar quando lhe dirigirem a palavra. E eu acho que hoje, mais do que nunca, está aceitável para uma mulher se abrir mais. Você pode ser a mulher mais sensual do mundo e andar coberta da cabeça aos pés, com gola alta e saia até a canela. A sua auto-confiança é o que importa.

Sobre ouvir Genie In A Bottle na formatura do colegial:

O DJ que estava tocando na festa tinha uma cópia do single e falou, ‘Oh, eu recebi sua música’. Isso foi muito logo que foi lançada. Ninguém tinha ouvido na rádio ainda. Mas eles sabiam que era eu quem cantava. Todas as garotas pegaram a mão dos caras e saíram da pista de dança.

Sobre dar créditos à mãe:

Ela é definitivamente minha fã número 1. Ela ama o fato de eu assumir as minhas crianças, ela adora que eu falo abertamente. Ama minhas sessões de fotos. Ama a sessão da Maxim. Ela considera  como algo que nos dá poder. Ela acha que, como mulher, é ótimo que eu estou fazendo essas coisas. E enquanto eu cresci, ela era muito aberta com tudo o que eu queria fazer artistica e musicalmente. Minha mão estava lá me dando apoio e razão, e fazendo o mesmo pela minha irmã.

Sobre um lema pessoal:

A estrada mais difícil geralmente nos leva ao topo.


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