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The Face era uma revista britânica sobre o música, moda e cultura

Christina Aguilera: Superpoder Incontrolável

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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18h:16m – Desfile de Marcus Lupfer, semana da moda em Londres.

“A senhorita Aguilera não vai sair do carro até que a sala esteja pronta”. O gigante, com pulsos do tamanho de uma tijela de fruta e olhos grandes, é agradável, educado, mas sem a intenção de facilitar. “E por pronto, eu quero dizer com uma garrafa de vinho tinto fino à temperatura ambiente, uma seleção de frutas secas – sem damasco – barras de chocolate variadas, pelo menos duas velas aromatizadas diferentes, um aparelho de som e iluminação baixa. Estão anotando?”.

A encarregada por cuidar da organização básica do evento escreve nervosa. “Velas?”, ela repete. O caderno de anotações treme; lágrimas começam a encher os olhos. O evento está se atrasando. Mais do que um atraso com elegância. No momento, ela poderia matar Christina Aguilera.

NÓS ESTAMOS PARADOS bem na entrada lateral do Royal Opera House, em Covent Garden, uma porta geralmente reservada para os marceneiros que passam com grandes pedaços de madeira e ou para a equipe dos buffets. Faltam poucos minutos para que um dos mais aguardados momentos da semana da moda em Londres, Marcus Lupfer, envie o batalhão de modelos magricelas de pernas tortas para desfilar na passarela e nos jornais do dia seguinte.

Mas enquanto a indústria da moda mundial está sentada do lado de dentro, Christina Aguilera e a estilista Trish Sommerville riem dentro de uma Mercedes preta parada no estacionamento, enquanto dividem uma piada a respeito dos detalhes masoquistas da bota nova dela. Elas não estão com pressa. Toda a indústria da moda vai ter que esperar por frutas secas, vinho tinto e um capricho.

A máfia da moda sabem muito bem por quem eles estão esperando. E não estão muito satisfeitos. Um editor de jornal especializado reclama, “porque estamos esperando pela Slaggy Aggy mesmo? Isso não é um jogo. Além disso, o que ela entende sobre moda?”

16h:25m – Duas semanas depois, no desfile da Versace, semana da moda em Milão.

“Tem tantas coisas que eu gosto nela e nas roupas dela. Eu acho que é forte – sensual e poderosa. Ela é uma mulher poderosa na indústria e eu a respeito”. Christina está empolgada. O motivo? A loira número 1, Donatella Versace, que, não menos que uma hora antes da coleção de outono/inverno 2004 estrear, anunciou Christina como sua mais recente musa. Sentadas em sofás couro vermelho cercados por rosas, as duas poderiam se passar por mãe e filha. Elas sorriem calorosamente uma para a outra e, frequentemente, Donatella apoia uma garra apoiadora sob o braço de Aguilera e aperta com firmeza. Não é coincidência que elas se pareçam tanto. Dois dias antes, Aguilera tirou todos os detalhes de Dirrty que tinha no cabelo e pintou com um tom mais profundo de platina, só para se coordenar mais com Donatella.

“A coleção… é só sobre a Christina”, Donatella conta com um sotaque anglo-italiano para uma banca de jornalistas e fotógrafos com dedos incansáveis. “Calças altas, cinturas baixas e um muito, muito sexy couro forte. Eu queria que as modelos pudessem dançar como Christina, aí sim seria perfeito”. Na lista de influências do show, que foi distribuída nos kits à imprensa, a expressão “CALÇAS DE COWBOY” está escrita em negrito.

EM 7 DE JANEIRO DE 2003, Christina Aguilera ficou na 9ª posição da lista de mais mal vestidas elaborada pelo fashionista americana Mr Blackwell. Uma melhora, já que ela ficou na 6ª posição em 2001. “Os peito minúsculos de vadia mal conseguem cobrir uma mosca”, escreveu Blackwell sobre Christina na lista desse ano. “Vamos chamar de a pior menos vestida e deixar por isso mesmo”. Então porque diabos Christina Aguilera está sentada na primeira fileira da semana da moda de Londres e sento coroada como a mais rica companhia do mundo da moda?

A reinvenção de Christina Aguilera para Xtina (o apelido dela para ela mesma) começou em novembro do ano passado, com Dirrty, e agora, o envolvimento com a aristocracia fashion é o terceiro cápitulo em uma consistente metarmose. Esqueça a popstar simpática, para toda a família aproveitar, que vivia outrora: Christina agora está curtindo os extremos da vida adulta. “Antes, como uma adolescente, eu era, basicamente, uma imagem fabricada para o pop chiclete. Era essa a imagem que meu empresário estava jogando na minha cara para que eu vivesse”, ela explica em Londres. “Me deu a oportunidade de entrar nessa indústria, claro, mas assim que eu cresci e me tornei uma mulher, eu percebi que estava mudando – e aquela doce, loira, garotinha boazinha, não era eu. Bonitinho? Foda-se, eu odeio o bonitinho”.

De garota cliché para garota ousada. “Estilistas e celebridades sempre precisaram um do outro”, explica Gillian McVey, diretor da Purple, a maior empresa de publicidade da moda londrina que organiza estratégias e cobertura para uma galáxia de estilistas e estrelas. “Sempre existiu um respeito mútuo entre os designers e as mulheres mais estilosas do mundo: Oleg Cassini com Jackie Kennedy ou Grace Kelly, Hubert Givenchy e Audrey Hepburn… quando perguntaram à Marylin Monroe o que ela vestia para dormir, ela podia ter respondido “nada”, mas no lugar, foi muito mais sexy dizer Channel nº 5. Ela estava certa, e para as marionetes do pop que buscam um pouco de credibilidade como Christina, o balanço desse poder nunca foi mais ligado à imagem perante a polícia da moda do que hoje. Para celebridades, estar na moda traz melhores valores.

Mas alta moda e pop baixo são duas palavras muito diferentes para se unirem. Girls Aloud, Liberty X, B2K, Pink e Christina: o mais próximo que esses atos da música chegam da “moda” é uma nova cor no cabelo, uma garrafa de óleo de cozinha espalhada perto do umbigo e uns brincos brilhantes da Woolworths. Raramente as estrelas do pop começam tendências por conta própria. O rápido caso das Spice Girls com as botas Buffalo de saltos altos em 1995 foi a última vez que isso aconteceu de forma bem sucedida. A verdade é que celebridades como Christina estão sempre buscando ajuda, credibilidade e conexões com o mundo da moda mais do que nunca.

Mas quando dá certo, cara, dá certo. A reveladora entrada de Madonna com os seios à mostra no desfile de Jean Paul Gautier há seis anos não foi pouca coisa. Madge queria aqueles aplausos da primeira fileira e um golpe de marketing como aquele poderia fazer isso acontecer. O mesmo serve para o Liz Hurley e aquele vestido em 1994. Se aquela roupa tivesse sido montada por um estilista qualquer, com alfinetes e um rolo de fita adesiva de dois lados, chamariam ela de vulgar e não de chique. O simples fato de que tinha um selo Versace significava que era ok para Liz mostrar tudo por aí.

JÁ SE PASSOU UMA HORA depois do desfile de Julien Macdonald para a semana da moda em Londres e Christina está comendo um prato de rolinhos primavera – não é o prato que ela mais gosta, mas ela despreza qualquer outra coisa no cardápio. Sushi não faz o tipo dela (“Peixe cru? Eeew”.), então isso vai ter que servir. Ignorando os hashi, ela enrola uma das mangas da camiseta preta, pega um dos rolinhos com a mão, mergulha uma das pontas no molho soyo, e dá uma mordida. A finíssima sombrancelha levanta um centímetro em apreciação. Bom? “Hmmm”, ela me diz, com a boca cheia de gergilim, um piercing e cenoura. “Mas eu quero uma bebida. Cadê as bebidas?”.

Christina gosta de uma dose. Não, na verdade, ela gosta de várias. “É minha fraqueza, meu único vício”, ela revela. “Claro, eu não sou tão inocente a ponto de chegar aqui e dizer que eu nunca experimentei mais nada, sabe (as bochechas ficam vermelhas), drogas. Mas eu descobri que elas não são para mim. Eu digo, realmente descobri”.

Desde que eu conheci Christina, às 16 horas de hoje (já são perto das 22:30h), ela tem trabalhado consistentemente com o serviço de bar. Alternando entre miniaturas de Moet bebidas por um canudinho e entre altos, gelados e refescantes coquetéis. Agora, no entanto, o copo está vazio, então ela cruza os braços e direciona firmes olhares à garçonete. “Aonde estão as bebidas?”. Ela é educada, de uma forma um pouco ameaçadora, mas educada.

Jantar com a Christina não é algo que você faz todos os dias. Christina está com voo marcado pela Eurostar amanhã, com destino à Milão e o aconchegante escritório de Donatella. Hoje é a última chance que ela  tem para baixar a guardar e se embebedar em Londres. E ela não está sozinha.

 À direita dela, está Colleen: o coordenador da turnê, todo vestido de Gucci, lábios rosas-Cadillac e um celular chamativo. Perto de Colleen, o mago dos vídeos-clipes, Jonas Akerlund, responsável pelo clipe anti-guerra da Madonna e Beautiful, da Christina. Oposto à Jonas, um pouco além dos copos de sake, está o joalheiro britânico favorito de Christina acompanhado da esposa, Anastasia. Anastasia é moda. Do jeito que só o dinheiro pode comprar: um pendante de couro vermelho e joias pesadas no pescoço, casaco de pele para o corpo inteiro apoiado na cadeira, cabelos loiros escovados. O calibre certo de pessoa com quem Christina quer ser vista dividindo um tempurá de vegetais.

Trish Sommerville, a ‘estilista’, também está lá. Ela se parece até com a Christina, mas em um dia bom. “Eu conheci a Trish por meio do meu empresário antigo”, Christina explica ao brincar com os gelos do coquetel em outro copo já vazio. “Eu amo trabalhar com ela porque ela me avisa quando eu cometi erros – praticamente a única pessoa que realmente me avisa. Ela é forte e não aceita ouvir besteiras de ninguém. Eu gosto de andar com esse tipo de pessoa: quem dá as opiniões sem ficar puxando o saco. Trish é basicamente a única pessoa em quem posso confiar enquanto todo mundo mais está tentando me agradar”.

Trish é basicamente tudo o que Christina quer ser. O cabelo é loiro, salvo por uma mecha de verde em um dos lados. A roupa é alternativa – shorts esportivos da Adidas dentro do jeans, colete preto de mangas cortadas para mostrar as tatuagens e piercings, e a atitude de uma vaca da moda. Comparada à estilista pessoal, Christina, que está com uma gravata preta, camiseta preta e calças de paraquedistas colorida, parece como Avril Lavigne pareceria imediatamente ao sair de uma cama de bronzeamento artifical vestida para o Halloween.

É uma mesa de marcadores de texto, cada um desempenhando uma função específica na re-imagem de uma das rainhas do pop. E no meio de tudo isso, a criação deles está sentada, quieta, comendo bolinhas de camarão como se fossem Smarties.

A REINVENÇÃO DA CHRISTINA consiste em deixar todo mundo saber que ela mudou. E se o primeiro passo foi ficar sexy, o segundo foi se tornar “real”. Da mesma forma que Britters e Justin Trousersnake fizeram, Christina tinha certeza de que uma maneira clara de deixar todo mundo saber que ela tinha tirado o chapeu pop era se livrar do brilho adolescente e achar calças cortadas eslameadas. Bingo! Todo mundo acha que você é uma mulher crescida. Os garotos querem te f*; as garotas querem seu poder sexual. O único problema é que as pessoas acham que você é uma vadia. Então o que você faz? Fica bonita – no lado de dentro.

Ao tocar as cordas do nosso coração com a composição de Linda Perry, Beautiful, Christina se aventurou na cama com questões reais, como humilhação, homofobia, raiva adolescente e anorexia; muito adulto, de muito valor. É claro que Christina tinha os próprios problemas para cantar, mas foi Linda quem a mostrou como empacotar a dor para o público esfomeado por um pouco de raiva. A ex vocalista do 4 Non Blonde é a pessoa certa para  injetar um pouco de realidade obscura no seu trabalho mais-branco-que-o-branco.

Linda trabalhou magia negra na imagem pseudo-punk da Pink, ajudando Missundaztood a ser um sucesso, e o exato mesmo tratamento foi usado para tirar o gênio da garrafa. “Stripped é tão diferente de tudo que ela já fez antes”, Linda responde quando é questionada sobre o trabalho no disco, para o qual ela escreveu 4 músicas. “Não tem nenhum traço de Christina Aguilera naquelas músicas. Eu sei que ela precisa fazer algo incrível para sobreviver”. Superficialmente, parece que foi isso que ela fez: o incrível. No espaço de 2 anos, Christina conseguiu reproduzir o que Madonna fez em 20; ao invés de mudar de imagem a cada álbum, ela fez em cada single. De Dirrty para Beautiful para Fighter, uma pequena margem da torta da moda é jogada para formar uma grande imagem: uma Mini Madge em anfitamina.

SOBREVIVÊNCIA é o assunto especial da Christina. Quando você dá a chance dela falar do passado, ela vai fazer o que pode para te convencer de que ela lutou muito. Certamente, a habilidade dela em se manter em pé em saltos altos e lutar pelo topo do trono do pop é o motivo dela ter encontrado tanto sucesso. Assim como Pink, que começou a falar de violência infantil enquanto promovia Family Portrait, Christina tem um pouco de sofrimento para compartilhar. Ela diz que a atitude de unhas-e-dentes é culpa da humilhação que sofria na escola do subúrbio de Pittsburgh e do abuso que sofria na mão – ou melhor, cinto – do pai. “Eu sempre fui a esquisita, sabe, na escola”, ela explica.

“Eu me vestida diferente daquele estilo certinho deles, e claro, eles dificultavam tudo por causa do Clube do Mickey. Todo mundo só queria saber de esportes, esportes e, err, esportes! Então, meu sucesso era uma espada de dois gumes. Se me pedissem para cantar e eu recusasse, eles falavam – ‘Oh, olha, ela acha que é boa demais para nós’.  E seu eu cantasse, eles falavam: ‘Olha só, ela se exibindo de novo’. Era uma situação em que eu nunca ganhava e eu acho que acabei me retraindo por causa disso.

Ela tinha o apoio dos pais? “Bom, meu pai e minha mãe se separaram quando eu tinha seis anos”. O pai dela servia o exército e raramente ia para casa, então a educação das filhas ficava por conta da mãe violinista/pianista e da avó. “Eu fiquei feliz quando meu pai nos deixou. Ele fez minha mãe e eu passarmos por muitos abusos. Existe um problema sério de violência doméstica naquela lado da família e cara, a gente sabia disso. Minha mãe costumava esconder uma garrafa de Mace embaixo do travesseiro. Eu não quero ver nenhuma mulher passar o que eu e minha mãe passamos”.

O relacionamento com o pai dela e com o ex-namorado e dançarino Jorge Santos, que quebrou o coração dela ao terminarem no ano passado, fez ela entender que os homens da vida dela não vão sair ilesos. A mensagem é alta e clara: cruze o caminho dela e ela irá te chutar bem no s*. É só perguntar para o Marshal Matters Junior, que em uma recente cerimônia na VH-1, achou que era só aparecer e se abraçar e o passado seria facilmente esquecido. Christina tinha outras ideias na cabeça.

“Ele achou que eu simplesmente sorriria, me encantaria e esqueceria tudo o que ela já cantou de mim por aí”, ela explica, obviamente ainda incomodada. “Homem é tão assim. Então é legal falar sobre pegar as vadias se você é homem, mas mostre um pouco de sensualidade e você é imediatamente taxada de puta se for mulher. Eu acho que não. Eu puxei Eminem para o lado e o confrontei e disse que ele estava enganado”. Ele pegou na virilha e mandou você enfiar? “O que você acha? Ele ficou igual a um cachorrinho. Nós nos abraçamos e fizemos as pazes”.

A MANHÃ SEGUINTE À NOITE ANTERIOR. Christina está contorcida, cuidando de uma dor de cabeça e com dores, depois de ter dançado e bebido na festa de Ian Schrager no Sanderson Hotel, na rua londrina de Oxford Street. Depois de brincar em uma festa do mundo fashion na busca pelas melhores bebidas da noite passada, Christina não se deitou para dormir até as 4 da manhã, um horário normal para ela, agora que não tem mais o toque de recolher adolescente: ir para a cama cedo da noite com leite quente e cookies é algo do passado. No entanto, apesar da ressaca, ela concorda em se encontrar comigo no Purple Bar, um bar privativo localizado no piso térreo do hotel.

Acompanhada da assessora de imprensa, ela entra, sorridente, cheia de piercings, com correntes douradas penduradas no pescoço. Ela vestia um jeans simples, uma camiseta rasgada que anunciava “Rock is Dead” e um boné amarelo da Pony, estilo Pharrel. Uma coincidência, eu digo, já que eu a vi jogando conversa fora com ele duas noites antes, em uma festa da Adidas. “Eu não estava batendo papo com ele”, ela insiste, colocando os pés para cima do sofá, com um bronzeamento falso marcando de laranja tudo o que ela toca. A garçonete olha aterrorizada.

Você acha que as mulheres se sentem ameaçadas por você?

Bom, eu sou uma mulher de 22 anos bem sucedida, agora. Não sou mais adolescente. É claro que as pessoas querem me chamar de nomes diversos e tudo mais, e a sociedade acha melhor quando uma mulher fica sentada de pernas cruzadas, falando só alguém pergunta algo… mas eu penso, “foda-se tudo isso”. Talvez seja por isso que as pessoas se sentem ameaçadas por mim.  Porque eu sou mais forte que elas. É só olhar para Madonna. Olha como ela evoluiu. É uma das pessoas mais inteligentes que você pode conhecer. Assim como Marylin Monroe – desculpa, eu sou meio obcecada por Monroe. Na minha casa em Los Angeles, eu tenho um imenso quadro dela por Andy Warhol na sala de estar. Ela foi chamada de todos os nomes que existem e não ligou. Ela era forte como Madonna, que usam a sexualidade como ponto de vantagem. Eu tenho que ser forte como elas.

Você acha que os homens se sentem ameaçados por você?

Eu acho que homens certamente são ameaçados por mulheres fortes, o tipo que não tem medo de chegar na cara deles e dizer não. Claro, você pode me chamar de vaca, mas se isso é ser uma mulher forte, então basicamente eu sou uma vaca e não me importo.

Você considera que a maneira que você se veste reflete uma boa imagem para a mulher?

Eu sou uma mulher a favor de todas as mulheres. Eu gosto de usar uma saia curta em uma ocasião e jeans em outra. Eu curti ir à estreia do 8 Mile com uma camiseta simples e tênis. As pessoas se comportaram tipo, “Oh Meu Deus, Christina está vestida com roupas!”. Eu me divirto com esse tipo de reação.

CHRISTINA se diverte com pessoas chocadas. Eu imagino o que o novo namorado dela pensa sobre essa manipulação sexual. Christina é tão durona em casa quanto é no escritório? “É preciso um homem forte para conviver comigo”, ela admite. “Eu pensei ter encontrado um que era [Jorge Santos], mas ele partiu meu coração”. E o cara que você está namorando agora, pode ser ele o cara certo? “Talvez. Digo, ele não é o tipo de cara que você espera ver do meu lado”. Porque você diz isso? “Bom, ele não é… não é super-elegante ou famoso, nem nada do tipo. Ele é mais pé no chão, vivido, mas com um grande coração e inteligente. Quero dizer, eu já saí com homens que estavam com tudo lá por baixo, mas nada lá em cima. Me entediou muito”.

Estranhamente, é esse assunto romântico que faz Christina parecer meio fora de lugar. “Você não acha que eu sou uma pessoa legal, né?”. Não, não é isso, eu insisto. Mas você parece muito focada. Eu nunca te vi como o tipo que se deixa levar por esse romantismo. “Bem, eu me deixo. Uma das coisas mais românticas que meu namorado atual fez para mim foi quando ele me buscou em um estúdio lá pelas 3 horas da manhã e dirigiu até uma praia em Los Angeles. Ele encheu o carro de balões, acendeu uma vela, e nós assistimos o nascer do Sol comendo batatas chips com queijo cottage.”. Esse foi um gesto bonito. “É, e mais a coleção de recadinhos e, er, tipo, animais de pelúcia”.

A verdade é que Christina me convence mais como uma guerreira do que como uma namorada. E é a reputação de ser uma diva temperamental que os tabloides amam comentar, apesar das tentativas dela em tentar pintar um quadro mais modesto. Eu li nas manchetes do Daily Star dessa manhã sobre um incidente envolvendo Christina e o ex-caso de Pharrel Williams, Jade Jagger. Foi na boate 10 Rooms, onde a Christina de olhos azuis tentou se aproximadar do Neptune enquanto a Jade de olhos verdes apareceu escandalizando e prometendo vingança. “Nós tivemos uma discussão mas eu não estava tentando roubar o Pharrel dela nem nada do tipo. Algumas mulheres, eu acho, pensam que eu sou ameaçadora demais para os namorados delas ficarem do meu lado.”

Enquanto a boa menina Christina toma mais um gole do drink dela, eu percebo um pequeno mas satisfeito sorriso cruzando as bochechas dela. Talvez ela, que deu a última risada, ri melhor, no final das contas.


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