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A Blender era uma revista de música voltada para o público masculino

Este gênio definitivamente não está mais na garrafa

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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OI CRIANÇAS! Christina Aguilera apareceu na TV e deixou um monte de criança apreciar sua nova roupa – uma calcinha!

Christina Aguilera chocou aproximadamente 1.5 milhões de telespectadores de um sábado de manhã quando ela se apresentou em um programa de TV inglês direcionado para crianças cantando o controverso novo single, “Dirrty”, usando uma calcinha. A rebatizada Xtina fez uma aparição no show de variedades CD:UK às 11:30 da manhã no dia 12 de outubro. Ela não ensaiou antes da apresentação. “Foi a primeira vez que passamos por isso, certamente.”, conta um dos surpresos produtores do programa, que já recebeu outras estrelas, como Shakira, Kyle Minogue e JUstin Timberlake. O novo disco de Aguilera foi lançado no dia 29 de outubro.

XXXTINA
Há apenas três anos, Christina Aguilera era uma encantadora estrela adolescente cantando sobre gênios em garrafas. Aí, apareceram os piercings nos mamilos. E as roupas indiscretas. E agora, um novo álbum revela uma imagem mais escura, ousada e suja do que qualquer um achava possível. Então, a estrela que recentemente sofreu um colapso emocional está, tipo, OK? “Obviamente que não”. 

CHRISTINA AGUILERA finalmente sai do trailer de maquiagem,  usando saltos altos e uma calcinha. Me parece um pouco assustadora. Sob um único piercing, os lábios estão pintados de preto. Sombra forte e escura circula os olhos claros da cantora. Sem nenhuma margem para imaginação que essa é a mesma divertida garota de olhos azuis e barriguinha de fora que cantava Genie In A Bottle, o hino sensual incomparável da pré-sensualidade adolescente. Essa é Xtina, como ela se chama – o nome está tatuado na nuca.

Essa Christina se acomoda em um sofá para a sessão de fotos, abre bem as pernas, sem nem perceber que conseguimos ver, rapidamente, o piercing dos mamilos enquanto ela arruma os seios dentro do sutiã. O vice-presidente de publicidade da gravadora de Aguilera observa com apreensão, preocupado com o que essas poses vão significar para a carreira de Aguilera. Sensual e memorável, ela está vestida como uma prostituta do Sci-Fi Channel. E as ordens de vestimento dessa nossa sessão saiu, principalmente, da própria Aguilera. “Ela esperou por uma sessão como essas a vida inteira”, uma assistente comenta.

Esse é outro passo de Xtina para apagar das nossas memórias as lembranças do açucarado álbum de Natal que Christina lançou no passado. O pensamento daquela Christina faz ela reagir negativamente, ela comenta. “Não era completamente conservadora”, ela declara sobre a imagem anterior. “Para muitas pessoas, uma menina comportadinha e virgem com a barriga de fora já era um pouco chocante. Não que eu já tenha anunciado ser virgem”, ela comenta, sem resistir a vontade de soltar uma pequena referência à Britney Spears.

 Mas talvez as pessoas não esperavam ver a antiga Christina Aguilera de piercing nos seios. Doeu? “Na hora de furar, sim. Eu precisei fazer três vezes. Primeiro, eu coloquei nos dois seios. Depois eu os tirei por um tempo e resolvi voltar com o do lado direito, então teve que furar novamente. Obviamente, eu gosto deles”. Existem boatos de que ela aumentou os seios, e o New York Post recentemente comentou que ela perfurou os países baixos também; e ela admite um total de 11 piercings. “Bom, eu estou ficando sem opções de novas regiões”, ela diz de forma vagamente deliberada, então ri. E qual doeu mais? Ela ri bem alto. “Mmm…. provavelmente….”, e segue uma longa pausa. “O mamilo”.

Ela explica que começou a se furar enquanto estava em turnê, “por causa da ausência de oportunidade de me expressar como eu queria”, ela diz. “Foi uma forma de deixar a raiva e a agressão escaparem de outra forma”. Calma – como, estou deprimida, vamos fazer um piercing? “Exatamente. Acho que é por isso que eu tenho tantos”.

Volte no tempo três anos, até 1999. As ações envolvendo tecnologia estavam explodindo. “Quem quer ser um milionário” monopolizava o horário nobre. E o pop adolescente – brilhante, sorridente e tão casto – era o estilo dominante. Se alguma coisa consegue resumir o monopólio dos adolescentes naquele ano, foi o fato de três dos artistas mais populares – Justin Timberlake do ‘N Sync, Spears e Aguilera, terem saído do Clube do Mickey, da Disney. Eles formavam o triângulo pop perfeito: Spears era a rainha virgem que namorava Timberlake, enquanto pedia a todos para baterem nela mais uma vez. Desde o início, Aguilera foi colocada na posição de arqui-rival de Spears – e conhecida pela mídia como aquela que conseguiria o maior sucesso a longo prazo, porque, surpresa, surpresa, ela realmente sabia cantar.

Nascida em Nova York, Aguilera sempre foi apresentada como a pérola entre os porcos. Quando ela estreou, Ron Fair, na época vice-presidente de contratos da RCA, disse que sonhava em assinar com uma pessoa que fosse conhecida apenas por um nome, como Barbra, Judy, Janet ou Madonna. Christina, segundo ele, seria essa pessoa. Essa imagem bem desenhada ajudou Aguilera a sair com o Grammy de Melhor Revelação de 1999.

Mas estrelas pop crescem. A Xtina que está lançando Stripped é claramente envergonhada do passado que a fez famosa. “Se eu tivesse que fazer outro álbum como aquele”, ela diz, “Eu largaria a indústria”. Lembre-se: Christina Aguilera, o álbum, vendeu mais de 8 milhões de cópias.

É natural que uma garota de 22 anos odeia encarar as consequências do que fez quando tinha 18. Mas para Aguilera, o sentimento é mais profundo do que simples vergonha. Ela quer se livrar de tudo que era três anos atrás e começar novamente. Uma dica do que viria foi a aparição de Aguilera na música vencedora de vários prêmios, “Lady Marmalade”, com Mya, Lil’ Kim e Pink. Em um sinal do que estava por acontecer, Aguilera comentou que, de todas elas, Lil’ Kim era  com quem teria se sentido, e ainda se sente, mais próxima. O sucesso da música também serviu para ajudar o ápice da carreira se manter enquanto ela gravava o próximo álbum.

Mas nem todas as tentativas de se distanciar da imagem anterior foram bem sucedidas. As roupas que ela tem usado para ir em premiações têm sido alvo de constantes críticas negativas, e o modelo minúsculo usado no VMA desse ano pareceu mais uma tentativa desesperada de apagar todos os traços da Christina da época adolescente. Agora, ela lança Stripped. Nós estamos aprendendo a entender que ela não é mais a garota que cresceu querendo ser Julie Andrews. A palavra que ela mais usa para se descrever é arriscada. “Eu estou mostrando meu lado mais escuro, mais arriscado”, ela fala.

A sessão de fotos do álbum foi finalizada nos últimos dias, e para refletir essa nova fase, a nova sexualmente ativa Xtina está de topless em algumas fotos – pela primeira vez na vida – com os apliques loiros escondendo os mamilos. “Definitivamente, essa é minha apresentação”, ela conta. “Eu sabia que ia ser complicado, porque todo mundo estava acostumado a me ver como a menina de Genie In A Bottle, What A Girl Wants, o que for. A porcaria da garota de Come On Over – é tão contra o que eu sou”. Ela recita o título dos hits anteriores com um tom indignado, como se eles fossem pedras que ela tem que carregar para todos os lados. O que te faz imaginar porque Xtina odeia tanto a Christina.

É o dia depois da nossa sessão de fotos. Aguilera acordou à uma da tarde. Isso não é incomum. A sessão durou até as primeiras horas da madrugada, mas ela é uma pessoa noturna, prefere dormir de dia. Ela sempre teve medo do escuro e até hoje tem alguns pesadelos. “Até hoje”, ela confessa, “Eu não consigo ficar sozinha em um quarto escuro, ou dormir sem alguma forma de iluminação ou sem meus cachorros comigo. É um medo que eu tenho. Eu sei que é muito infantil”.

Ela está sentada no escritório de reuniões do empresário, em Los Angeles, com as pernas para o alto da cadeira. Ela está usando calças largas, uma bandana e uma blusa branca que não faz muita questão de esconder o contorno do piercing nos seios. “Esse álbum”, ela comenta, “foi muito difícil de gravar. Tiveram várias batalhas pessoais”.

Nos últimos dois anos, certamente foi isso o que aconteceu. Começou em 2000, quando Aguilera demitiu Steve Kurtz, o antigo empresário de confiança. Foi ele quem a descobriu quando ela tinha apenas 15 anos e a representou desde então. Inicialmente, ela alegou que a agenda frenética que ele programava para ela a deixou exausta, sem tempo de desenvolver o talento que tinha. Naquele mês de outubro, ela foi mais além e o processo por fraude, desvio de verbas e por exercer “uma conduta de influência imprópria, exagerada e inapropriada” na carreira dela (Kurtz propôs outra ação, processando Christina por quebra de contrato. O caso ainda não foi resolvido).

Ela se envolveu em outra ação judicial naquele ano quando tentou – e falhou – impedir dois produtores de lançarem faixas demos que ela gravou quando tinha 14 e 15 anos, num álbum que chamaram de Just be Free. Nesse meio tempo, o relacionamento entre ela e o ex-dançarino e namorado, Jorge Santos, estava se deteriorando. Ela passou a adolescência focada na carreira, e Santos foi seu primeiro grande romance. “O que é uma merda”, ela diz, “é que eu sempre gosto de caras que não querem nada com os holofotes, que não aguentam a pressão de estar com alguém como eu. Eles se sentem deslocados”.

O casal chegou a dividir uma casa em Los Angeles; o relacionamento deles foi intenso. Como a mãe irlandesa, Aguilera se apaixonou por um latino. A música Infatuation, que sobreviveu ao rompimento e apareceu no Stripped, mostra como Aguilera se sentia com relação à Santos antes do fim do namoro: “Minha mãe costumava me alertar sobre os homens latinos/Ela disse ‘Eu cedi meu coração muito cedo e foi assim que me tornei sua mãe'”.

Nem a vida amora nem os planos do próximo álbum conseguiria preparar Christina para o que vinha a seguir. Aguilera começou a trabalhar com um homem que ela chamava – com um pouco de amargura – de “aquele produtor”. O relacionamento profissional acabou virando o que ela chama de relacionamento pessoal. “Eu passei pela loucura do primeiro namoro e rompimento, e acabei me envolvendo com um produtor que não conseguiu nenhuma das faixas no meu álbum”, ela diz com uma risada zombativa. “Foi minha primeira experiência com um galinha. Eu aprendi da maneira difícil que algumas pessoas falam qualquer coisa para chegar até você. Eu fui enganada por uns sete meses com esse cara”.

Ela se nega a revelar o nome dele. “Descubra você”, ela diz. “Talvez se ele se preocupasse mais em fazer música ao invés de…”, ela pausa, então continua, “Ele tem uma certa reputação por tentar conquistar as garotas com quem ele trabalha. Nessa época, eu realmente desabei. Minha mãe pegou um avião até minha casa e ficou comigo por um tempo. Foi muito, muito difícil”.

Ela lembra uma noite em que ficou descontrolada em uma das festas que ela dava na casa dela aos amigos, gritando com um deles por fumar um cigarro e então correndo para fora da casa às três horas da manhã, chorando e batendo a porta às suas costas. Ela correu sem rumo pela rua. As pessoas foram atrás dela e a acharam chorando, mas ela simplesmente os mandou embora. “Eu me senti louca”, ela diz. “Não queria que ninguém chegasse perto de mim. Imaginei uma caixa em volta de mim. Eu literalmente empurrava as pessoas para longe. Foi ruim, ruim, ruim”.

Nos últimos dois anos, Aguilera se viu processando pessoas em que já havia confiado, se sentindo traída nos relacionamentos pessoais. Esse foi um dos motivos pelo tom do álbum. Stripped foi montade durante esses tempos turbulentos – Aguilera escreveu quase todas as letras com uma série de produtores e compositores, incluindo o ex-parceiro de Eminem, Scott Storch, e Glen Ballard, que já trabalhou com Alanis Morissette e Dave Mathews. Outros colaboradores que fazem parte da versão final do álbum incluem Lil’ Kim, Dave Navarro e Alicia Keys.

O trabalho varia de músicas de divas exuberantes (Can’t Hold Us Down, produzida por Storch) àa uma outra, conduzida por uma guitarra dos anos 70 (Make Over), que é uma reclamação ao vivo (com a ex-4 Non Blond e colaboradora de Pink, Linda Perry) contra aqueles da indústria que tentaram moldar uma imagem forçada em Aguilera, à encantadora balada Beautiful, única música que a cantora não escreveu.

Idependente de quem está no console da produção, no entanto, a temática do Stripped é uma só: Aguilera levantando o dedo para quem a tratou mal, a manipulou, a traiu ou falou mal dela.

Nós nos impressionamos com o nível de raiva pura que domina Stripped. Você sente que já teve problemas para controlar a agressividade em público? “Sabe de uma coisa? Eu estou fazendo aulas de box. Eu conheci o local em uma boate e comecei a frequentar. Acho que não sou tímida quanto estou lá”.

Stripped tem o momento mais honesto em I’m OK, que ela escreveu com Perry. Não é necessariamente a melhor faixa do CD, mas é aquela que dá a melhor noção do que Stripped é. E porque Aguilera é quem ela é. I’m OK é sobre o pai dela, Fausto Aguilera, um militar do exército americano, o homem para quem a mãe deu o coração cedo demais, como a letra de Infatuation conta. A música também é sobre os abusos que ela e a mãe sofriam antes de deixarem ele, quando ela tinha apenas 5 anos.

A música é explícita, descrevendo cenas que Aguilera viveu quando morava com ele no Japão. Cenas que ela acreditava já ter esquecido voltaram enquanto escreviam a música: as lembranças do pai empurrando ela contra uma escadaria, a visão da mãe com machucados vermelhos no pescoço. “Você sabe”, ela diz, “escrever essa canção foi muito, muito difícil”. Perry a encorajou a deixar tudo que visse à mente fluir. Enquanto Aguilera canta, você consegue ouví-la chorando.

Em determinado momento da gravação, ela desistiu. “Já é demais. Eu não consigo”, ela falou em prantos. Perry, que se tornou uma espécie de guru para cantoras que querem confessar por meio da música, insitiu que Aguilera continuasse gravando. “É bom se sentir assim”, ela disse à Aguilera. “Simplesmente cante”.

Aguilera não sabe o que o pai vai pensar da canção. No passado, ele negou publicamente ter abusado da cantora e da mãe. “Mas quando eu canto ‘para você é uma memória, para mim…'”, Aguilera conta, se interrompendo, “Sabe – ainda está tudo guardado aqui”. Por anos, ela quase não se falou com ele. Ela diz que nem sabe se o pai tem ciência de que uma das músicas que virá é sobre ele. “Bom, ele vai descobrir em breve”, ela diz, rindo repentinamente.

A forma com que você canta a frase I’m OK parece mais uma pergunta do que uma afirmativa. “Certamente. Soa como se eu tentasse me levantar, mas a pergunta real é ‘Eu estou bem’? A boca dela treme um pouco. “Obviamente que não, se eu ainda choro a respeito disso”.

NA QUARTA FEIRA à noite, eu me encontro com Christina Aguilera no The Lounge, uma boate em Santa Monica Boulevard em West Hollywood. Ela se senta em uma área reservada com o time de sempre: jovens dançarinos, atores, um maquiador. Ela não está dançando, só assiste. Ela está sentada no meio do banco, em uma posição que mal dá espaço para ela se mover enquanto toma uma bebida com as pessoas à sua volta. Uma das amigas dela a chama de “Babá Betty”, por conta do modo como ela fica com apenas um copo na mão por duas horas, enquanto compra bebida para os amigos.

“Eu gosto que todo mundo se divirta!”, ela protesta. Hoje, ela está tomando uma bebida verde em um copo alto. “O que é isso? Eu não sei”. É um Midori Sour, a amiga explica. “Oh”. Ela gosta de beber, mas só o mesmo tanto que a pessoa do lado, ela diz. No momento, ela curte Mojitos. Quando ela conheceu Alicia Keys no Hotel Mercer de Nova York para discutirem a colaboração em Stripped, as duas cantoras brindaram a nova e descoberta amizade com eles. Com Perry, ela bebia doses de tequila. Às vezes, ela gosta de uma cerveja gelada.

“Eu não curto drogas, não mesmo”, ela diz. “Eu não gosto de perder meu controle totalmente. Mas eu gosto de bebida. Me deixa um pouco mais ousada”. Alguns amigos estão desenhando nos papeis à frente de Aguilera. Alguém escreveu VOCÊ FEDE, enquanto outros estão brincando de forca: P E N I S.

O bom amigo Justin Timberlake está com a própria equipe duas cabines a diante. Ele vem para dar um oi, enquanto educadamente se inclina para falar com ela. É um desses momentos bem Hollywoodianos modernos: o ex-marido de J.Lo, Chris Judd, também chega para cumprimentá-la.

Aguilera, ainda sentada, observa a multidão com cuidado, enquanto toma algumas bicadas do Midori Sour dela. Boatos sobre namorados. Um: Toby Maguire. “Oh, sério? Eu li em um jornal, então deve ser verdade. “Toby  é uma das pessoas que eu conheci tem pouco tempo e achei ele muito legal. Essa foi engraçada”. Dois: Robbie Williams. Ela balança a cabeça rapidamente. “Ele é legal, mas sequer me dá oi quando estamos trabalhando no mesmo estúdio”. Três: Dave Navarro. “Oh, não! Ele está com Carmen [Electra]! Eu jamais me colocaria no meio deles!”, ela conta rindo. “Mas eu sou muito fã dele e sempre o respeitei como um guitarrista”.

Qual foi a última festa que você foi? “Eu não lembro… aqui em Los Angeles… droga, eu não vou à uma boa festa à tanto tempo!”. Por falta de tentar? “Eu só acho que não tiveram muitas festas boas recentemente. A última que eu fui foi a de Toby, que foi muito legal“. Toby Maguire, seu amante? Ela ri: “De acordo com a imprensa!”.

O pessoal da boate se dirige à porta de saída. Aguilera odeia que as boates em Los Angeles fecham às 2 horas. Ela nunca está pronta para ir para a cama nesse horário. Geralmente, ela convida os amigos, novos e velhos, para fechar a noite na casa dela. Ela odeia ficar sozinha à noite, mas essa é a hora que ela ganha vida. “É complicado”, ela comenta. “Eu tenho medo da noite, mas é a hora que eu me sinto mais confortável”.

É fácil entender porque Aguilera se esforça para que o público a veja como alguém mais que a doce, confiante, adorável garota que cantava Genie In A Bottle. Ela não se sentia como se fosse aquela menina, ela diz. A Christina de verdade é alguém que tem medo do escuro, porque ficava acordada sozinha e com medo todas as noites no Japão, antes dos pais se separarem. “Eu sentia medo o tempo inteiro”, ela conta. “Crescer desse jeito, sem saber o que vai acontecer. Com medo de voltar para casa”.

Talvez não seja surpresa que ela queira destruir tudo o que o primeiro álbum representou, fazendo uso de apliques chamativos, piercings e uma sexualidade aberta e nada bonita. Com Stripped, ela alcançou o que planejava fazer. “Eu gosto da música mais obscura, não sou muito fã daquela música feliz”, ela conclui. “Eu me conforto na dor”.


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