Revistas \ 1999 \ Sky (Outubro)

A SKY era uma revista britânica de entretenimento

A próxima Britney dos Estados Unidos explodindo ousadia! Primeiras fotos!

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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ESTADOS UNIDOS DA AGUILERA – Saia da frente Britney, a colega de classe Christina Aguilera já conquistou a América. Agora, ela está pronta para conquistar a nós.

VOCÊ JÁ DEVE TER VISTO O CLIPE. É noite em uma praia exótica. Uma loira incrível está andando por aí em uma camiseta curta e calças justas pedindo para você “me esfregar da maneira correta”. Ou talvez, você tenha ouvido na rádio. Camadas de batidas rápidas que te fazem arrepiar, e de repente, um pedido e uma declaração: “Eu sou um gênio na garrafa, baby, venha e me libere”. Ela tem a voz, as batidas, o fator sensual… e um nome longo e difícil de se lembrar que vai ficar encravado no seu cérebro a partir de agora: Christina Aguilera.

Nos Estados Unidos, Christina Aguilera já aconteceu. Seus pôsteres estão substituindo os cartazes encardidos da Britney Spears nos quartos de adolescentes pela América do Norte. O single de estreia, Genie In A Bottle, vendeu mais de um milhão de cópias, virou platina e está no topo das paradas por, até agora, cinco semanas. A gravadora diz que ela tem “a voz de Mary J. Blige, a sofisticação de Mariah Carey e o vigor de Britney Spears”. E talvez isso não seja só falação, para variar.

Produtores de filmes estão implorando para que ela seja a nova estrela adolescente das produções. Ela vai se apresentar no Video Music Awards, aparecer em Beverly Hills 90210, e os boatos dizem que Calvin Klein quer ela em seus anúncios. Ela é o sonho pop do marketing humano: sabe cantar e dançar de forma profissional com o sex appeal de 10 Sarah Michelle Gellar.

Com uma rotina destas, não é surpresa que ela esteja exausta. Sky está em Los Angeles para se encontrar com Christina. São 3 da tarde na mansão do gerente de A&R dela e ela está dando uma dormida depois do almoço. Nós saímos com ela na noite anterior, e enquanto nós da Sky curtimos até o amanhecer, Christina (sob instruções do empresário) voltou para o hotel no começo da noite. Ele explica que ela acaba de voltar de uma viagem promocional no Japão e está se sentindo cansada.

Enquanto ela dorme, o empresário, o A&R, o consultor de imagem em Nova York, o consultor de imagem em Los Angeles, o consultor de imagem de Londres, o maquiador, a estilista, o assistente da estilista, o fotógrafo, os dois assistentes do fotógrafo, e dois de nós pela Sky esperamos ela chegar. São 13 pessoas. No que se refere à equipes, nós já vimos maiores. Mas esta é impressionante para uma menina de 18 anos que só lançou um single.

Mas até mesmo na Califórnia, o Sol não brilha eternamente. Nosso fotógrafo se preocupa quando a luz começa a sumir, até que alguém é enviado para acordar nossa gatinha dorminhoca. Ela brinca ao insistir que quer ser carregada escadas abaixo. O empresário cede. Enquanto ele desce pelos degraus com ela deitada em seus braços, alguém bate na porta da frente. Rapidamente, ele a coloca no chão com medo que alguém entrar e achar que ela escraviza os que estão à sua volta. Quando ele a deixa, as pernas ainda dormentes de Christina amolecem e ela bate com a cabeça ao tropeçar.

Por um minuto, nós 13 ficamos em silêncio. Ela se machucou? Ela vai ter um chilique e abandonar nossa sessão? Mas a batida lhe traz à vida. Ela finge bater no empresário e vai se trocar.

Na noite anterior, no jantar em um discreto restaurante de celebridades que costumava ser o favorito de Frank Sinatra, Christina estava bem acordada. Mais loira que o possível e apresentada de forma perfeita, ela mostra o sorriso imenso quando acha que o que você disse é engraçado. Ela é energética e contagiosa – e a forma como ela se senta e se revira na cadeira lembra um evento olímpico.

Em vários sentidos, ela é só uma adolescente americana normal. A banda favorita é Limp Bizkit, o último filme que ela viu é Austin Powers 2 (“Estúpido e engraçado”), ela adora baseball (“hardcore, nada daquele mais leve”) e lanches (“cheesburguer com bacon e palitos de queijo fritos”). Mas esta normalidade é unida à estranheza causada pela fama. No momento, ela parece não se importar.

“Eu gosto de ser reconhecida. Eu sei que muita gente não gosta, mas quando acontece, é meio ‘Oh meu Deus, as pessoas sabem quem eu sou!’. Eu sei que é algo que eu sempre quis que acontecesse”. E ela está desfrutando das roupas gratuitas e do tratamento especial. “No Japão, eu estava tentando ganhar um desconto na MAC quando, por sorte, um grupo de garotas apareceu gritando ‘Clistina! Genie!’. A loja inteira parou para olhar e eu ganhei o desconto!”.

Hollywood é o lugar ideal para conhecer a Christina. A história dela parece o roteiro de um filme que produtores rejeitariam por ser muito brega. Ela nasceu em 1971 (erro da própria revista) em Staten Island, Nova York. A mãe é uma americana/irlandesa violinista e pianista clássica e o pai equatoriano (por isso o sobrenome exótico dela) estava no exército. Isso significa que Christina viajava bastante, morando no Japão, na Flórida, Txas e New Jersey – sempre a novata na escola.

Eventualmente, Christina foi viver em um subúrbio em Pittsburgh, e foi lá que ela começou a mostrar os sinais de que dominaria o pop no futuro. Para começar, ela cantava com garrafas de shampoo no banheiro. Mas logo, Christina achou seu público.

“Quando eu tinha 6 ou 7 anos de idade, eu comecei cantando em festas locais, e depois as pessoas me pediam autógrafos. Este sentimento era incrível e me fez querer mais”. Aos 8 anos, ela apareceu no Star Search (uma espécie de New Faces com um orçamento maior). Quando ela voltava para casa, os pneus do carro da mãe estavam rasgados por pais invejosos.

Aos 10 anos, ela cantou o hino nacional para o time local, Pittsburgh Steelers. Aos 12, se tornou parte do Clube do Mickey. Foi aqui, é claro, onde ela conheceu aquela outra ex-mousequeteers, que chegou primeiro ao topo das paradas da Billboard alguns meses antes, uma tal de Britney Spears. “Eu amo Britney. Nós éramos muito próximas, muito boas amigas”, diz Christina. “Quando o Clube do Mickey acabou, nós nos separamos e é incrível o quão imensa ela se tornou. Eu estou em êxtase, mas não surpresa. Ela merece, é muito trabalhadora. Lidar com tudo isso tão nova e tão bem… ela merece todo esse sucesso”.

Quando nós estávamos na companhia da equipe da Christina, um assunto comentado eram aquelas fotos provocantes de Britney brincando no quarto para a capa da Rolling Stone. Toda menção do assunto causava reações, e Christina não cometerá aquele erro. Mas por enquanto, a rivalidade Britney x Christina não está fazendo mal ao nome de nenhuma das duas.

O que é legal na história da Christina é que a chance dela surgiu pelo simples fato de que ela sabia cantar. Louco, han? Cada vez mais comum, estrelas do pop são escolhidas porque têm o visual, as coreografias e habilidade de namorar estrelas das novelas.

Mas a chance de Christina surgiu quando a Disney procurava por alguém para gravar a trilha sonora de Mulan. Havia um problema: será que ela conseguia atingir o Alto E acima do Meio C? – um pedido que faria com que todos nós procurássemos pelo número de celular do Doggy Dave, mas que fez Christina preparar um “gravador velho de 10 dólares” para gravar uma demo simplista. “Foi muito ridículo. A fita tinha um fundo karaokê de Run To You da Whitney Houston. O som estava péssimo porque eu gravei no meu banheiro”. A fita foi enviada para a Disney com urgência, e com 48 horas ela estava no estúdio gravando Reflection. Em uma semana, a RCA a segurou.

De volta ao restaurante, Christina está insistindo que “me esfregar da maneira correta” é um jogo de palavras, e não um pedido. “É sobre poder feminino. Quando uma mulher fala de certa forma ou faz uma dança com a barriga como eu faço, ela é encarada de certa forma. Eu sou uma grande fã no N’Sync (uma banda brega de garotos), mas quando eles estão no palco mexendo na virilha, ninguém fala nada negativo”.

Ela pega mais um pouco de salada. Porque ela não está bebendo? “Nesse país, você precisa ter 21 anos para beber. Quando eu vou para outros países… me dê um pouco de Corona com limão e eu fico feliz. Faz o truque”.

Você namora muito? “Não. Eu não tenho tempo para namorar. Flertar é legal. Eu banco a difícil, gosto de provocar um pouco. Mas se eu conhecer alguém bem especial, é claro que eu vou arranjar tempo”.

Você convida ou espera te convidarem? “Geralmente eu espero – é aquela coisa de bancar a difícil. Eu não gosto de fazer joguinhos, no entanto. Jogos pequenos, tudo bem, grandes não. Assim que eu descubro que ele é sério e sincero, os jogos acabam. Não dá para ser cruel o tempo todo”.

Nós deveríamos falar “homens” ou “garotos”? “Eu falo ‘caras’, porque gosto tanto de garotos quanto de homens”. Então, o que você gosta que, ehrm, os caras façam? “A coisa mais doce é sorrir. Eu estou farta de caras que tentam ser legais e reservados. Um sorriso me faz derreter completamente. O que tem de mais sexy é a forma como eles tocam. O segredo está nas mãos e na forma como eles beijam. Não nos lábios, e sim como eles beijam o pescoço – isso consegue ser incrível. Um cara bom nisso também me faz derreter”.

E o que você não gosta? “Comportamento ambíguo. O fato de ser OK para os caras apontar e comentar sobre as outras garotas”.

Qual seu encontro dos sonhos? “Oh meu Deus! Engoli meu ciclete! Um com Enrique Iglesias (que, por sinal, está bem atrás dela nas paradas americanas), ele é belíssimo. Eu gosto de caras que têm um destaque, que são únicos. Que se sobressaem na multidão. Os que me atraem são geralmente mais rock’n’roll, mais ousados, eu gosto deste estilo mais arrogante, metido. Ele é bem nariz empinado e eu amo isso. Eu tenho certeza que ele tem um lado bem doce, e eu aposto que posso descobrir!”.

Você acha que daria uma boa namorada? “Eu acho, sem querer soar convencida. Eu e Robbie daríamos um bom casal. Eu amo um cara criativo artisticamente”. E você você chamaria a atenção dele? “Eu usaria meu pequeno andar sedutor. Muitas passadas e uma olhada para trás. Eu tenho esse jeito de andar, meus dançarinos que comentam… meio balançado, sabe?

No dia seguinte, na sessão de fotos, Christina está fazendo o andar e se rolando na grama. Esta garota provavelmente incomodava o útero da mãe. Enquanto ela faz poses, uma caixa de som toca músicas de seu primeiro álbum. Nada mais no disco chega ao cima pop-se-encontra-com-o-street de Genie In A Bottle, mas os vocais salvam as batidas mais fracas. É um daqueles discos que sua irmã compra e minutos depois você se pega cantarolando junto.

Christina já tomou algumas decisões espertas que mostram que ela não vai sumir fácil. Primeiro, ela cantou em alguns shows da turnê exclusiva para cantoras, Lilith Fair, se enturmando com adultos como Shreyl Crow e The Pretenders. Também tem a rejeição dela em bancar em cima das raízes latinas, uma forma certa de ser marcada como um “ato de novela, veja Ricky Martin”.

Christina tem planos grandiosos. “Eu morro de vontade de conhecer Mariah e Madonna. Elas são o oposto, mas tão bem sucedidas. Madonna é uma entertainer de verdade, sempre se reinventando. Mariah é uma cantora de verdade, com força total nas baladas. Eu acho que tenho um pouco das duas em mim”.

E ela sabe que se quer durar neste meio, ela tem que retirar as luvas em alguns momentos. “Ter 18 anos e estar cercada por pessoas muito mais velhas e mais experientes que eu… tudo bem. Eu respeito isso. Mas eles também têm que respeitar uma novata que tem várias novas ideias. Às vezes, você se sente como se não fosse ouvida. Você é uma marionete presa às cordas às vezes.”. Ela se mexe na cadeira novamente e você sabe que estas cordas vão ser cortadas em breve.


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