Revistas \ 1999 \ Latina (Dezembro)

A Latina é uma revista sobre moda, entretenimento, beleza e notícias sobre celebridades latinas

Christina Aguilera – o que esta garota realmente quer

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
Não copie, direcione o link

Um rosto jovem com uma voz grandiosa. Christina Aguilera marcou um sucesso com Genie In A Bottle, mas essa cantora pop está alcançando muito além do que as paradas musicais. FORA DA GARRAFA E SEM CONTROLE.

Christina Aguilera pode ter começado como membro do Clube do Mickey, mas não foi um pó-mágico que levou essa cantora de descendência equatoriana ao topo da Billboard neste verão, com Genie In A Bottle. O álbum de estreia também chegou ao topo da parada, mas é o próximo single pela RCA, What A Girl Wants, que lhe conquistará o poder de permanência na indústria.

É isso mesmo. Christina Aguilera está clamando o lugar que lhe pertence ao lado dos ex-colegas de Clube do Mickey, J.C. Chancez e Justin Timberlake, do N’Sync, e até mesmo tampou o brilho da rainha do pop adolescente nas paradas, Britney Spears. A revista Time já até a chamou de ‘A próxima Mariah Carey’, e ela já foi comparada à todo mundo – de Whitney Houston à Celine e Barbra. Ela já foi convidada do Tonight Show With Jay Leno, Late Show With David Letterman e Good Morning America (para nomear só alguns). Isso sim é um jeito bom de começar o novo milênio.

NO ALTO dos cartazes em neon e dos adolescentes entupindo as ruas da Times Square para ganhar seus 15 minutos de fama na MTV, Aguilera está sentada no chão do escritório de sua publicista, assinando uma pilha de pôsteres e CD’s e respondendo e-mail de fãs. Um pouco antes da turnê promocional pela Europa (30 locais em 21 dias, ela diz empolgada), Aguilera se recorda dos medos pré-carreira.

A estrela de Aguilera começou a crescer quando ela tinha apenas 7 anos. Incentivada pela mãe, que também era uma garota prodígio (fez turnê com a Youth Symphony Orchestra), Aguilera cantava em reuniões de família e eventos promovidos pelos vizinhos, competindo no programa Star Search pouco tempo depois. Perder essa competição não diminuiu sua velocidade. Aos dez anos, cantou o hino americano nos jogos de hockey do Pittsburgh Penguins e nos jogos do Steelers na liga nacional. Aos 12 anos, ela integrou o elenco da nova versão do Clube do Mickey, no Disney Channel. Ela andava um caminho bem trilhado.

De 1993 a 1994, Aguilera foi parte da trupe de jovens artistas cujas luzes brilhavam especialmente mais. E seu talento atual, de acordo com Tina Treadwell, diretora executiva dos novos talentos e projetos musicais do Disney Channel, não é nenhuma coincidência: a Disney conseguiu enxergar o potencial de cada membro do Clube do Mickey bem cedo.

No mesmo estilo das práticas mais antigas, quando estúdios de cinema contratavam e cultivavam jovens talentos, a Disney nutriu e desenvolveu os talentos de Mouseketeers como Aguilera, Spears e Timberlake. “Os membros tinham aula de atuação, dança e canto”, explica Treadwell. “Agora, eles têm uma base incrível. Foram servidos com o que outros artistas levam 4 ou 5 anos treinando para conseguir”.

Dois anos depois do programa na Disney, Aguilera tentou a sorte no exterior, gravando o som “All I Wanna Do” com a estrela pop japonesa Keizo Nakanishi. A colaboração levou a um clipe de música e uma turnê  no Japão. Ela também apareceu no Festival Golden Stag na Transylvania, Romania, onde ela cantou na frente de milhares. Em 1998, ela fez um bem sucedido teste para gravar a hoje-famosa música Reflection, para o filme da Disney, Mulan; a música acabou conquistando uma indicação ao Globo de Ouro. Logo depois de Mulan, a RCA assinou com essa jovem garota de voz madura.

Aguilera se lembra da estrada para a fama: “Eu estava vendo a carreira de todos os meus velhos amigos – Britney e eu temos uma história juntas. JC. e Justin eram meus amigos; e de repente, eles explodem no cenário musical e eu ainda estava no estúdio gravando meu CD. Eu queria me unir à eles. Agora que isso aconteceu, é muito legal”, ela diz.

Aguilera nasceu em 18 de dezembro de 1980, em Staten Island, Nova York, filha de Shelly e Fausto Aguilera. O pai era militar, e se separou da mãe quando Christina ainda era jovem. Ainda assim, ela se lembra das conversas dos pais em espanhol. A mãe dela era tradutora e nutriu a vida bicultural de Aguilera (hoje, a mãe dela mantém o site e o fã-clube na internet). “Eu não sei falar espanhol bem tão bem quanto consigo entender, mas estou melhorando”, Aguilera diz. Ela já está planejando um álbum em espanhol, que terá algumas traduções dos sucessos já existentes – “a de Genie já está pronta”, ela conta – assim como algumas músicas novas.

Sobre como as pessoas reagem à uma latina loira de olhos azuis, ela comenta: “Nós nascemos em todas as formas, tamanhos e cores”. Ela admite que estudaram a possibilidade de mudar o sobrenome dela no início da carreira, mas ela se negou. “É estranho, porque as pessoas parecem ter dificuldade em pronunciar. Eles dizem A-qui-ler-a”, ela conta (é pronunciado como A-gee-ler-a). “Mas esse é o meu nome. Muitos de meus fãs são garotas novinhas, e elas dizem que eu sou alguém que serve de exemplo para as meninas latinas, porque não existem muitas outras. Britney é de Lousiana. Eu sei que não nasci no Equador, mas mantenho as raízes”.

Ser garota e jovem pode atrair os fãs, mas essas qualidades se voltam contra ela no mundo da indústria musical. “Se você está num meio onde todos são 20 anos mais velho do que você”, ela conta, “você tem que se esforçar ainda mais para expressar o ponto de vista e ser ouvido. Tem sido difícil, mas eu quero continuar nesse meio por muitos anos”. Ela diz se inspirar na compositora Diane Warren, com quem trabalhou no álbum e quem escreveu a maior de todas as baladas, I Turn To You. Aguilera está se esforçando para se envolver mais com a composição de suas músicas no futuro.

Muito embora ela não goste de ser vista como um produto, ao invés de um talento – ela até mesmo tentou evitar gravar Genie como primeiro single, com medo de ser vista para sempre como uma estrela adolescente – Aguilera entende bem dos prós-e-contras desse meio, e ri dos resultados. “Eu não me arrependo agora”, ela ri, “Genie ficou na 1ª posição por cinco semanas… eu vou ter que trabalhar ainda mais para me livrar da imagem adolescente, o que eu pretendo fazer”.

Ela também diz que eventualmente gostaria de se envolver na luta contra a violência doméstica. “Eu vi algumas coisas que me afetaram bastante”, ela fiz, escolhendo as palavras com cuidado. “É fácil ceder à pressão, dar muita atenção à opinião masculina. Eu recebo cartas de fãs descrevendo certas situações abusivas que eles enfrentam, e é por isso que eu quero dar algo em retorno”. Aguilera também espera poder tocar no assunto em músicas futuras.

A jovem doce-mas-no-controle que está em minha frente é muito diferente da jovem doce-mas-tímida que conheci há dois anos. Era uma molhada noite de verão quando um grupo de jornalistas e executivos de Hollywood se reuniu nos estúdios da Disney em Orlando, Flórida. Alguém anunciou, “E agora, senhoras e senhores, Christina Aguilera”. Entrou essa minúscula, tímida, loira garota de olhos azuis, vestida de preto, que logo começou a cantar. Meu queixo caiu. Que voz! Eu tive que ir até os bastidores e perguntar sobre o passado dela. Eu tentei ser discreto.

Timidamente, ela me respondeu, “meu pai é do Equador”. Alguém me perguntou: “Dá para acreditar que ela só tem 17 anos?”. Agora, aquela então reservada garota domina a Times Square na frente de um telão imenso que se ilumina atrás dela. Ah, eu a conheci quando…


Voltar para Revistas – 1999 a 2001