Revistas \ 2000 \ EW (Março)

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Ela é quente, ela é sexy, e está disponível para download

Traduzido por http://www.iloveaguilera.wordpress.com
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A MELHOR DAS NOVAS – Uma estrela pop com (prepare-se) talento, Christina Aguilera está se preparando para dominar o topo e faz parte de uma turbulência que atingiu a indústria musical.

JÁ SÃO 9 horas da noite de 16 de março, no Aeroporto Internacional de Pittsburgh, e os comentários já se espalharam pela cidade: Christina Aguilera acaba de desembarcar. Tomando uma batida de abacaxi, a cantora de 19 anos mal chega na área de desembarque quando o saguão do aeroporto já foi tomado. “Eu vim correndo desde o estacionamento”, diz um adolescente sem fôlego à Aguilera. “Você não entende, meu amigo está obcecado por você! Ele chora toda vez que uma música sua toca no rádio!”.

Concordando educadamente com as declarações um tanto quanto disturbiantes, Aguilera se vira para escutar uma fã de rabo-de-cavalo que parece prestes a desmaiar de empolgação. “Você realmente abriu caminho para os adolescentes!”, a garota diz. “Nós te admiramos muito!”. Uma jovem mamãe tentar passar sua fonte de alegria para a popstar segurar. “Oh não!”, Aguilera se espanta. “Eu tenho medo de deixar ele cair!”.

Quando outra multidão de fãs berrantes se aproxima, um guarda-costas cochicha: “Você quer que eu os segure?”. Aguilera, tentando disfarçar o quão impressionada ela está, cede. “Só por alguns segundos, ok?”.

Esse é basicamente como a cantora passa os tempos livres ultimamente. Uma visita de dois dias em casa, no subúrbio de Wexford – a primeira vez que ela volta desde o natal – oferece a ela uma rápida pausa da loucura que tem vivido desde que o álbum de estreia entrou na parada da Billboard em #1, no final de agosto. Desde então, Aguilera já vendeu mais de seis milhões de cópias, ficou em primeiro lugar com os singles Genie In A Bottle e What A Girl Wants e, quase um mês atrás, venceu surpresa o Grammy de Artista Revelação, derrubando Britney Spears e Macy Gray.

Em uma indústria com mais mudanças que a puberdade, fontes incansáveis de hormônios param na frente dos estúdios do Total Request Live levantando cartazes, Aguilera começa a mostrar seus planos para o futuro: ela é uma diva em treinamento (“Eu sempre adorei Mariah”) que também é altamente comerciável (em breve: a linha de sapatos por Christina Aguilera) e multimídia (“Filme é algo que eu pretendo fazer no futuro”). Mas a mini-mestre Christina Aguilera procura principalmente uma diversidade mais ampla do que a imagem do mundo pop adolescente consegue oferecer.

Com uma tocante e poderosa voz que faz as colegas de barriga de fora parecerem cantar em um karaoke ruim, os apostadores mais confiantes dizem que ela vai vencer. É claro, no mundo pop, os apostadores mais confiantes também perdem muito dinheiro e mais rápido do que se espera (Hootie, mal deu tempo de conhecermos você).

“Eu nunca quis cantar só pop”, Aguilera comenta enquanto viajamos de primeira classe para Nova York, onde ela vai fazer uma outra e rápida sessão de fotos antes de partir para o Brasil e o lucrativo mercado da América Latina. “Eu queria ser uma cantora pop com um pouco de ousadia. Eu acho que é essa a diferença entre Madonna e Debbie Gibson. Mas [o presidente da RCA] Bobbie Jamieson disse que tem um lugar e uma hora para tudo, que eu tenho que crescer para chegar lá. Eu entendo isso.”, Aguilera explica e dá um sorriso arreganhado “Eu só vou forçar esse crescimento para ele acontecer mais rápido”.

Como aconteceu com muitos dos colegas de profissão de Aguilera, a biografia da cantora para ter saído de um livro de clichês para o estrelato. Primeiro, os sinais precoces de potencial: “As pessoas nos paravam nos ônibus quando ela tinha 3 anos”, conta a mãe Shelly Kearns, de 40 anos. “Ela cantava para ela mesma em voz alta, e as pessoas se aproximavam para diz ‘Oh Meu Deus!'”. A chance inevitável veio aos 8 anos, quando ela apareceu no Star Search (ela perdeu), enquanto o campo de treinamento da música grudenta do Disney Channel, The Mickey Mouse Club, chamou ela em 1992, permitindo que cantasse com Britney Spears e membros aleatórios do ‘N Sync.  Seis anos depois, o Mickey deu a chance número 2: uma oferta para que ela gravasse a balada Reflection para o filme Mulan; e ela acabou assinando com a RCA naquela mesma semana.

Desde então, a gênia já fora da garrafa vem fazendo diversos eventos promocionais sem parar, seja cantando para o presidente no especial de natal da TNT, Christmas In Washington, seja abrindo os shows do grupo TLC, ou seja cantando com Enrique Iglesias na misteriosa performance do intervalo do Superbowl desse ano. “Não dá para prestar atenção na hora mais”, Aguilera ri, que recentemente voltou de uma cansativa viagem promocional no Japão, Coreia e Austrália. “Eu simplesmente sigo o que me mandam”. O empresário Steve Kurtz acrescenta que “Ela conseguiu em seis meses o que muita gente leva uma carreira inteira para conseguir”.

Mas com isso tudo vem uma carreira inteira de fofocas em tablóides, como a comentada rivalidade entre Aguilera e Britney Spears. “Muita gente me pergunta da Britney”, conta Aguilera. “Existe uma rivalidade? Existe uma briga? Tipo, nããão… se alguma coisa, faremos uma colaboração”. E como Spears, Aguilera se vê no centro de muita especulação sobre as curvas que uma hora você vê, outra hora somem, de fotos para fotos. “Christina não fez cirurgia plástica de nenhum tipo”, estampa o site oficial. Quanto ao fenômeno do sutiã que muda de tamanho, Aguilera diz tímida: “Eu acho que todo mundo deveria comprar um Wonderbra. Tem tantas formas de aumentar com eles, todo mundo faz!”.

Já que estamos falando de seios, o relacionamento dela com Carson Daly da MTV também é um dos assuntos favoritos das fofocas, mas Aguilera põe um fim com a famosa palavra que começa com “a”: “Nós somos apenas amigos”, ela diz firme. “Mas tem sim uma química ali”. O que nos faz comentar das manchetes de CHRISTINA AGUILERA SE DESCONTROLA, cortesia de uma saída pré-Superbowl com Daly em um clube de strip-tease em Atlanta chamado Cheetah.

“Eu nunca tinha ido à Atlanta e nem sabia o que o Cheetah era”, Aguilera explica, insistindo que só descobriu que era um clube de strip depois de ter sido levada para a sala VIP do local. “Carson estava lá, Joe Fatone [do ‘N Sync] estava lá, essa é a parte misteriosa” – misteriosa é a palavra educada que Aguilera usa para subsitituir rude, injusto, maldoso – “ninguém fala nada do ‘N Sync estar lá. Nós estávamos com 98º, alguns membros do Backstreet Boys. Eu posso estar falando demais, mas isso é uma grande desigualdade da sociedade”.


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