Com /irving Azoff em 2010

Irving Azoff: O homem do dinheiro

Estatura pequena, grandes olhos azuis e fama de ir atrás do que quer sem se importar com a repercussão. Você talvez tenha confundido essa descrição com a de Christina, mas enganou-se. Esse post não é sobre ela. Estamos falando de Irving Azoff, o homem por trás da fortuna.

Muitos de nós já sabemos quem é Irving. Empresário de Christina desde o fim do ano 2000, ele foi escolhido a dedo por ela para substituir Steve Kurtz, o empresário que a lançou ao estrelato e que cobrou um alto preço pelo serviço. Falecido em 2010 em razão de um câncer, Steve foi demitido por Christina quando ela estava no auge do seu sucesso comercial. Acusado de desviar dinheiro e de levar a saúde de Christina a níveis alarmantes, Steve teve que dizer adeus à sua grande descoberta e vê-la buscar outra pessoa em quem pudesse confiar.

Aí, entrou Irvin Azoff.

Não sei se vocês já repararam, mas embora Christina não mantenha amizade com muitas celebridades, ela tem relacionamentos próximos e íntimos com algumas das pessoas mais poderosas da indústria do entretenimento. Irving Azoff é uma delas.

Na verdade, talvez poucas pessoas sejam tão influentes na indústria musical quanto Irving. Dono de um verdadeiro império, ele comanda uma rede de agências de empresários e controla uma carteira gigantesca de negócios relacionados à indústria musical. Frequentemente eleito como a pessoa mais poderosa da música, Azoff tem centenas de pessoas trabalhando para si em seus negócios, mas com Christina – ah, com Christina é diferente. Ele é pessoalmente envolvido no trabalho dela, embora tenha inúmeras outras celebridades-topo-de-linha em seu catálogo.

Irving e Christina estabeleceram um relacionamento que vai além do profissional e alcança toda a família: é com a esposa dele que Christina entrou toda falatória e sorridente na festa pós-Oscar deste ano e é a filha dele que protagonizou com Christina essas cenas que foram tão chocantes para nós no já longínquo ano de 2002:

Não é à toa que Christina encontrou em Irving a pessoa que ela procurava. A meta pessoal dele não é nada menos do que atraente: Realizar os sonhos de seus clientes. Era tudo o que Christina precisava no ano 2000 e aparentemente é tudo o que ela quer de sua carreira desde então: independência para fazer o que quer e ter alguém em quem ela confie e que pode colocar essas coisas em prática.

Começou com Lady Marmalade e seguiu com Stripped; esse último, uma máquina de fazer dinheiro movida pelo empenho e pela conveniência de Christina e ninguém mais. Christina queria a liberdade para gravar, lançar e promover o álbum dentro de suas forças. Irving foi o homem que possibilitou isso.

Essa é a fama que ele construiu ao longo de toda a sua carreira. Sua reputação é de ser uma pessoa extremamente agressiva quando se trata de proteger os interesses de seus clientes, mesmos que esses interesses possam repercutir negativamente em suas carreiras.

Um dos episódios mais emblemáticos dessa agressividade data de 2007, quando Christina estava prestes a começar a maratona promocional da turnê Back to Basics nos Estados Unidos. Na ocasião, Candyman se tornara o terceiro single do álbum e pode-se dizer que foi essa a música que para sempre mudou o relacionamento de Christina com as rádios.

O episódio em questão aconteceu quando as rádios exigiram de Christina o compromisso de que seria uma das atrações de um festival de música promovido pelas maiores dos Estados Unidos. Em troca da apresentação gratuita, as rádios ofereceram aumentar o número de rotações de Candyman, uma espécie invertida da payola, que existe até nos dias de hoje. O negócio era simples: você canta de graça para nós no Wango Tango, nós aumentamos o número de spins de Candyman na rádio. Christina não concordou nada com a proposta e Irving intermediou as negociações para que ela nunca mais sofresse esse tipo de assédio. O resultado comercial foi desastroso: as maiores rádios tiraram Candyman do painel de rotações da noite para o dia, o que foi seguido pelas rádios menores em um verdadeiro efeito dominó (rádios menores tendem a seguir as tendências ditas pelas grandes emissoras).

Daí, surgiu um novo conceito trazido por esse profundo conhecer da indústria musical: o de que a música pela música está morta e um artista AAA deve diversificar sua marca para não ser chutado da indústria.

Esse conceito parece encaixar-se como uma luva nas empreitadas recentes de Christina, e talvez explique uma série de notícias que temos visto nos últimos anos. Por um lado, Christina tem liberdade e a independência para lançar sua música de forma casual e sem compromisso promocional, o que lhe confere o conforto de fazer o que ama sem sacrificar sua família, até que ela esteja finalmente pronta para embarcar em uma turnê mundial ou de se submeter às pressões inerentes a um grande nome.

Só que seu estilo de vida é caro, e é aí que entra Irving e sua invejável habilidade de identificar negócios rentáveis para consolidar a marca de seus clientes: The Voice, a premiada coleção de fragrâncias, a MX, a XtinaMusicaparições em séries e filmes, e agora, mais recentemente, a Master Class (que, ao contrário do que muita gente tem falado, envolve apenas celebridades de peso em suas respectivas áreas de conhecimento). Esses compromissos não apenas mantêm o nome de Christina em alta enquanto ela cuida de sua própria vida, como também mantêm o fluxo de caixa no azul.

Ah, e não se enganem com as listas da Forbes para achar que essas empreitadas não rendem fortunas: quem envia os dados financeiros para a Forbes são as próprias celebridades, e Irving já disse que seus clientes não gostam de se expor desta forma.

É por isso que, nos altos e baixos, essa figura baixinha e de aparência serena sempre deverá estar do lado de Christina.

Afinal, como ela, ele também mantém seus olhos fixos no prêmio por trás da corrida.

13 comentários sobre “Irving Azoff: O homem do dinheiro

  1. m4ax disse:

    Eu acho assim, nada é perfeito nessa indústria musical e os artistas precisam se adaptar. Esse caso da apresentação gratuita em troca de spins não me pareceu tão ruim, dessa forma a canção continuaria tocando e ela talvez não sofresse o boicote em 2010, não pode ser tão pé firme assim e é preciso pensar futuramente. Ele pode ter negociado pra que esse tipo de “assédio” não ocorresse mais, mas aí ela pode estar pagando o preço até hoje. Será que realmente valeu a pena não ter feito um show gratuito???

    VALE A PENA PENSAR!!!

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  2. Sue disse:

    É muito complicado lidar com essa forma de ter a Christina, se por um lado a amo incondicionalmente, mesmo com poucos lançamentos e aparições musicais, claro que eu queria vê-la exatamente onde ela deveria estar: no topo!!! Mas ao mesmo tempo, sei que não seria ela, vivendo para estar sempre no #1… O Irvin é incrível, mas gostaria muito que ele se atualizasse só um pouco, em relação as novas mídias, talvez com mais participação em redes sociais pudessemos ter um pouquinho mais dela…

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  3. Loiana disse:

    Não sabia desse episódio da Rádio! Isso explica muita coisa. Sei que é uma “boa proposta”, mas ela me pareceu meio suja! Tem muitos cantores que fazem isso, só faz sucesso por isso. Já ouvi boatos da Katy Perry!

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  4. Douglas disse:

    Eu por muito tempo pensei que o “problema” fosse totalmente o Irving, os principais nomes que ele agencia são poderosos grupos de rock (bem como Journey, Eagles, Van Halen, Fleetwood Mac e etc) um estilo musical onde o nome faz toda a diferença, você não precisa de exposição e nem ficar fazendo tour sempre, vive dos clássicos e estas coisas. É um universo completamente diferente do “Pop” que a Xtina necessita.

    Pensava que seu modelo estava um pouco ultrapassado, MAS….. um pequeno detalhe: Marron 5 é, hoje em dia, administrado por Irving. na verdade, quase todo painel do The Voice é. E, acontece que o M5 deve ser uma das mais expostas bandas da atualidade, chega a soar quase desesperado, em tudo que é buraco os caras se enfiam e o Adam esta ao máximo tentando fazer valer sua imagem. Bom para eles. M5 faz tudo que alguém que quer estar no topo precisa, eles tem recursos para isto, recursos muitos da Azoff.

    Então, acho que o Irving é, como retratou a matéria, alguém que simplesmente “escuta” muito bem os seus clientes e aceita totalmente a vontade deles sem interferir. Você quer exposição? Ótimo eu vou fazer isto ao máximo…. quer discrição? Ótimo eu o farei. E neste caso, se existe um “culpado” é a Dona Maria, ela optou por ter esta carreira, optou por se afastar dos eventos. Irving aceitou e o melhor, ainda entregou para ela uma EXCELENTE gamas de novos recursos para sua carreira. Christina consegue ficar 10 anos afastada dos palcos e ainda se manter mega relevante na indústria…. como?! genialidade e poder de influência do bom velhinho.

    Também achei que não valeu a pena ter comprado briga com as rádios naquela época, as consequências vieram demais ao longo prazo, mas fazer o que…

    Se um dia a Xtina quiser (se ELA quiser), tem como ter um comeback de primeira, eu confio no Irving para fazer isto com maestria, ele é poderoso o suficiente. Ele é durão, mas a Xtina não estaria com ele a décadas a toa, o cara é muito bom.

    Foi muito legal a matéria, é sempre bom expor estes “bastidores” do mundo da baixinha, que tanto fazem a diferença.

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    • matheus. disse:

      concordo plenamente! se ela quisesse mídia, teria, até porque Christina é um dos maiores nomes da indústria e ninguém recusaria tê-la em qualquer evento :/ torcendo pra nova era ser diferente da última!

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  5. Natty disse:

    Até faz sentido o bionic não ter tido o sucesso merecido por causa desse episódio, que pode ter gerado um boicote, mas por que então keeps gettin better teria conseguido chegar ao top 7 da billboard, sendo que foi o single que veio logo depois de candyman?

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    • Lucas disse:

      Naquela época o iTunes tinha um peso maior no calculo do hot 100, por isso keeps gettin better teve um peak bom, hoje eem dia são os streams que tem um peso maior.

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  6. Rodrigo Coutinho disse:

    Eu acho tão engraçado que a galera aqui comenta a suas vontades….show…tours, hits e tudo mais…mas esquecem qual tipo de Artista que a Xtina é…ela simplesmente não liga pra nada que se relacione a mídia, dinheiro, fama ou hits. Sempre acho que isso é uma consequência de um trabalho bem feito…mas esperar que ela divulgue demais…se doe demais…e bem mais difícil hoje…noiva…mãe de dois filhos….imagina sair em uma tour ou rodar os USA com duas crianças em casa pra cuidar…logico que outras cantoras fazem isso…mas cada um é cada um…Eu vejo que os álbuns de hoje em dia são resultados dessas inspirações dados aos fãs como presente…vamos pensar na Xtina cantora (Prazer em fazer musica e cantar) e não pop star (Hits, Fama e Dinheiro)…e vamos pensar na mulher de 2015 e não há 15 anos atras rodando o mundo e fazendo o nome que ela tem hoje…#Deixacantoraviver

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  7. Roddy Sanderson disse:

    Eu entendo que esse episódio da Xtina com Candyman x Rádios pode estar prejudicando ela até hoje em dia, mas acredito q se ela não tivesse feito isso, as rádios poderiam querer ela como ‘escrava’ até nos dias de hoje.. ela era a queridinha dos EUA do CA ao B2B.. acredito q valeu a pena para ela ter a liberdade de fazer o q quiser musicalmente sem se preocupar.. pq as rádios poderiam chantagear ela obrigando a lançar uma música específica como single… coisa q ela não faria jamais.. gosto do Irving e de como ele protege ela.

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  8. Douglas Rodrigues disse:

    Quase em outubro depois….RS
    Vejo da seguinte forma. Nem tudo que é bom para Christina ou para a manutenção do seu nome no meio artístico, é bom para nós fãs que o que mais desejam é uma overdose de músicas novas e shows arrasa quarteirões.

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