Billboard - Setembro 2012

Billboard (Set. 2012)

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A ressurreição de Christina - Análise exclusiva de ‘Lotus’ e como ‘The Voice’ a ajudou a reconquistar a voz

O renascimento de Christina Aguilera. Inspirada nas batalhas e triunfos dos últimos dez anos, a estrela pop e mentora em The Voice planta sementes de criatividade no novo álbum ‘Lotus’.

Há uma década Christina Aguilera não se sente assim. A cantora está refletindo sobre os conturbados dois anos anteriores ao lançamento do 5º álbum de estúdio, “Lotus”, na casa dela em Los Angeles – um período que incorpora a decepção comercial do álbum Bionic; um divórcio do marido Jordan Bratman; o lançamento do primeiro filme e da trilha sonora que o acompanhou, “Burlesque”, o incrivelmente bem sucedido papel de mentora no The Voice da NBC e a aparição no mega-sucesso do Maroon 5, Moves Like Jagger.

A última vez que ela se sentiu tão inspirada resultou no álbum Stripped, de 2002, que é um criativo escape que ajudou Aguilera a se distanciar dos colegas de pop-adolescente e produzir sucessos memoráveis como Beautiful, Dirrty e Fighter.

Com lançamento programado para 13/11 pela RCA, “Lotus” é visto como o renascimento que Aguilera sofreu pessoal e profissionalmente, optando por não trabalhar com Linda Perry, uma colaboradora de longa data, para fazer colaborações mais recentes, como Alex Da Kid, Sia, Candice Pillay e até mesmo o maetro pop Max Martin, no primeiro single, ‘Your Body’, que estreou nas rádios e iTunes na semana passada e descansa na posição 33 da Billboard Mainstream Top 40 desta semana.

 Assim como em Stripped, Aguilera passa por vários gêneros musicais – pop/dance em ‘Your Body’ e ‘Make The World Move’ (um dueto com o colega de The Voice, CeeLo Green), baladas levadas por instrumentais de piano (‘Sing For Me’ e ‘Blank Page’, uma colaboração com Sia) e hinos inspirados em batidas de rock (‘Army Of Me’, ‘Cease Fire’). O álbum abre com uma breve sample de Midnight City, do M83, na música-título, uma introdução experimental na qual Aguilera decide “deixar o passado para trás/dizer adeus para a criança assustada dentro de mim” (“leave the past behind/Say goodbye to the scared child inside”).

Alex Da Kid, que teve a primeira colaboração com Aguilera em 2010, na música “Castle Walls” do álbum “No Mercy”, de T.I., trabalhou com Aguilera em várias músicas de Lotus ao lado do compositor Pillay, a maioria gravada no estúdio caseiro dela. “Trabalhei com pessoas grandes e pequenas, e as mais famosas geralmente ficam muito focadas nelas mesmas e não estão abertas a críticas”, Alex Da Kid diz. “Ela certamente tem uma opinião forte, mas acaba fazendo a que for a melhor de todas. Isso é muito raro para alguém que faz tanto sucesso”.

A conexão com Stripped permanece também em Irvin Azoff, presidente da Front Line Managment e da Live Nation Entertainment, que começou a empresariar a carreira de Christina durante o lançamento do álbum em 2002. “Agora, assim como antes, eu estou aqui para apoiar as decisões dela e ajudá-la a realizar os sonhos artísticos que ela tem”, ele diz. “Christina é uma artista rara, que tem o dom especial de seguir e realizar os instintos criativos dela”.

“Ela fez um álbum incrível que vai surpreender muita gente”, diz o presidente do grupo RCA, Peter Edge. “A qualidade das músicas é muito fantástica e ela está mesmo apaixonada por este álbum. A técnica vocal dela só tem melhorado, também. Ela é uma das melhoras cantoras deste meio, é reconhecida por isso e sabe usar esse dom. Ela também descobriu alguns lugares novos para levar a voz”.

Com Aguilera passando a maior parte do tempo na Costa Oeste na época do lançamento de Lotus, para encerrar as gravações da atual temporada de The Voice, uma agenda promocional agressiva acontecerá em programas gravados em Los Angeles nos próximos meses – com as rotineiras paradas no The Tonight Show With Jay Leno, The Ellen DeGeneres Show e Jimmy Kimmel Live!, além de fazer uso de The Voice para estrear o clipe de ‘Your Body’ e fazer uma performance na semana de lançamento do álbum.

É por essa última oportunidade que um dos diretores da RCA Music Group, Tom Corson, está mais agradecido. “É perceptível o que esse tipo de programa fez por outros artistas em competições semelhantes e como isso ajudou seus projetos. Seria besteira nossa olhar os dentes de um cavalo dado”, ele conta. “O momento é perfeito com relação ao status dela como celebridade e como atuante em The Voice. Parece que ela está no melhor momento”.

“Ninguém sabe mais do que Christina que o sucesso não vem com o simples fato de se ter uma boa voz, mas sim acreditando e confiando nessa voz”,  diz o produtor de The Voice, Mark Burnett. “Esse conhecimento e experiências a tornam uma mentora incrivelmente maternal e que não somente desafia os candidatos do time dela, mas os encoraja e os inspira para desafiarem a si próprios”.

“The Voice” está vencendo a disputa das competições musicais, ganhando The X Factor na audiência. Mas como o programa mudou para produções que duram o ano inteiro, a cantora confirmou que vai dar uma pausa na quarta temporada, programada para ir ao ar na próxima primavera, enquanto Shakira a substitui e Usher pega o espaço vago deixado por CeeLo Green. Ela está ansiosa para voltar para a estrada pela primeira vez desde 2007, quando fez a turnê Back To Basics, já que cancelou a turnê Bionic em 2010, em parte por conta de vendas fracas de ingressos. “É uma diversão fazer parte da jornada de outras pessoas, poder inspirar e participar da vida de novos cantores nesse meio”, ela diz. “Mas eu estava começando a ficar muito preocupada de não ter tempo para ser uma artista novamente”.

“Mark deixou claro que aquelas cadeiras sempre serão nossas”, ela continua. “Ele disse, ‘eu entendo que o único motivo de esse programa funcionar é se ele não estagnar’. E ele entendeu bem que eu preciso de algo mais para alimentar minha alma criativa, dizendo ‘essa cadeira sempre estará esperando você voltar e fazer o que faz de melhor'”.

Independente do quanto Lotus a afastará de The Voice, não deve ser permanente. “Eu devo voltar. Só preciso fazer minha música por um minuto e então voltar como uma mentora ainda melhor. Eu só preciso de um momento para voltar a mim”.

Aguilera – que fará um discurso-destaque no Billboard/Hollywood Reporter Film & TV Music Conference, em 24 e 25/10 – conversou com Billboard na véspera de um Perguntas & Respostas ao Vivo no Twitter, no qual ela anunciou os detalhes oficiais de Lotus.

“Lotus” é um título enigmático para seu novo álbum, considerando os eventos na sua carreira e vida pessoal nos últimos dois anos. O que esse nome significa para você?

O álbum representa uma celebração do meu novo eu, e para mim, lotus sempre representou essa flor indestrutível, que sobrevive a todas as condições adversas do ambiente, permanecendo bela e forte durante anos. Quando comecei a escrever minhas próprias músicas, a começar com Stripped, tentei focar o máximo que pude em músicas que encorajam força e inspiram as pessoas com esse tipo de mensagem. Agora, estou com 31 anos de idade e a última vez que me senti assim, tinha 21 anos, lançando Stripped e muito o que dizer e expressar.

Algumas das músicas de Lotus têm temas semelhantes ao de Stripped, também. Foi de propósito?

Com certeza. Tem uma música chamada “Army Of Me”, que é tipo uma “Fighter 2.0″. Tem uma geração nova de fãs mais jovens que não me acompanharam desde o começo, mas me assistem no programa agora. Eu acho que todas as gerações deveriam desfrutar e desenvolver um pouco de guerreiros dentre de si. Desta vez, a forma com que a música surgiu pareceu certa para esse momento e essa geração. Eu sempre terei uma guerreira em mim lutando contra obstáculos e adversidades.

Lotus também é o retorno da sua voz no centro das músicas, de uma maneira que você não fez em todo o Bionic em 2010. O que você aprendeu daquela experiência?

Com Bionic, eu mergulhei na ideia de que “vou experimentar e não ser muito comercial ou pop”. Eu queria brincar com sons diferentes e várias texturas da minha voz sobre um som eletrônica, que era o que eu estava ouvindo na época. E foi muito divertido.

Você se decepcionou com a recepção do álbum?

Eu digo com orgulho que ele está na frente do próprio tempo, para ser honesta. Não era muito comercial. Você tem que ser um amante de música, um fã verdadeiro da música e muito aberto para apreciar aquele álbum.  É um pedaço especial do meu trabalho que sempre viverá. Quanto mais velho esse álbum se tornar, mais as pessoas o apreciarão e escutarão.

Como sua experiência em The Voice influenciou na sua vida profissional?

Ver todos aqueles cantores faz você encarar frente a frente várias pessoas – especialmente nesta temporada – que são bem mais jovens. Isso me inspira, porque eles vem à você como fãs imensos, contando como uma música os tocou e como eles tiveram que aprender e dissecar todos aqueles aspectos técnicos da canção. Como vocalista, me fez lembrar de quando eu fazia aquilo com meus álbuns de Whitney Houston, Mariah Carey e Etta James. Te coloca numa posição de responsabilidade pessoal de mostrar para as novas gerações mais informações sobre aprender cada nota complicada. Por isso a música chamada “Sing For Me” é especial. É uma daquelas músicas de vocalistas que, se você não é um, não deveria tentar cantá-la.

Your Body marca a primeira vez que você trabalha com Max Martin, o que é surpreendente para muitas pessoas por conta de suas raízes pop-adolescente.

[Risadas] Max é uma lenda nesse meio. Ele sabia quem eu era mas nunca cruzamos caminho. Quando eu comecei a fazer sucesso, o nome dele era ligado com Backstreet Boys, ‘N Sync, Britney Spears – álbuns dos quais eu queria me diferenciar. Se você olhar o meu trabalho depois do meu álbum de estreia, eu sempre fiz coisas que me desafiam e desafiam o ouvinte. Será que essa parceria daria certo há 10 anos? Eu não tenho certeza. Levamos uma década no mesmo meio profissional só nos olhando a distância, para depois nos unirmos, já respeitando o trabalho e a ética profissional de cada um e como gostamos de nos fazer ouvir, para agora nos casar. Acho que Your Body é o melhor fruto disso.

Você está na RCA desde sua estreia em 1999 e mudanças dramáticas aconteceram na última década – até mesmo nos dois anos depois de Bionic, com o encerramento das atividades da J. e da Arista. Como o seu relacionamento com esse grupo de gravadoras foi impactado?

Eu estou gostando de como tudo está acontecendo desta vez. Eu costumava ver os executivos de gravadoras como pessoas fominhas por sucessos, apontando até o que eu tinha que vestir durante o meu primeiro álbum – o que afeta na criatividade e na maneira de ser realmente impactante nesse meio. Barry Weiss [atual presidente e relações públicas da Def Jam] ficou no meu pé da última vez, mas agora é um sopro de ar fresco. Toquei o álbum para Tom Corson, Keith Naftaly [A&R Senior da RCA Records] e Peter Edge recentemente e eles finalmente entenderam que não quero fazer parte de nenhum conceito.

Você expressou interesse em dar uma pausa em The Voice num futuro próximo. Isso vai abrir sua agenda para uma turnê?

Ainda estamos trabalhando nisso. Meus fãs merecem me ver de volta na estrada e vai ser empolgante para mim. Sair em turnê exige muito trabalho. Eu quero ter certeza que é a hora certa e que estou completamente preparada para ir. Se eu não acho que está bom, sou forçada a cancelar os ingressos. Eu quero sentir que vai dar certo antes de sair em turnê.

O que tem te empolgado mais na atual temporada de The Voice?

Na verdade, eu estou muito empolgada por esta temporada em particular. É o grupo mais jovem e animado que eu já tive – uma pequena geração de futuras estrelas pop. Meu time da temporada passada pasava por muitos gêneros diferentes, mas desta vez, aconteceu de serem todos pop.

Um de seus candidatos da temporada passada, Chris Mann, será o primeiro da segunda temporada a lançar um álbum neste ano. Você está se envolvendo neste projeto?

Com certeza. Ele está trabalhando com Ron Fair, o homem que me contratou e, até hoje, é um amigo muito, muito próximo. Eu sei que ele está em boas mãos, inclusive em termos musicais. Ron Fair nos entende e entende ele. Uma das músicas foi enviada para que eu analisasse e eu disse, sem dúvidas, que sim. É uma canção linda, a forma como ele se expressa no álbum – o timbre, a riqueza, a alma. Não está exagearada, mas sim forte, nítida e rica. Estou muito feliz por ele.

Seu empresário é Irvin Azoff, um homem poderoso em todos os setores da música. Que lições ele te ensinou?

O que eu amo mais em Irvin é que ele surgiu na minha vida quando estava prestes a lançar Stripped. E desde o começo, ele nunca me disse: ‘Isso e isso é o que você vai fazer para encontrar um espaço dentre os demais’. Ele me deixa ser a artista que eu quiser ser. Eu já o agradeci por esse presente pessoalmente e nos encartes de meus álbuns. Quando eu me senti sufocada e presa nas opiniões da gravadora, ele surgiu e segurou todo mundo para que eu pudesse ser eu.

Além dos aspectos técnicos de se executar um melisma, que outras experiências profissionais você tem dado aos seus artistas em The Voice?

Muitos daqueles jovens vieram das próprias escolas de arte e dança, o que é parecido com o que o Clube do Mickey foi para mim, Britney, Justin Timberlake e Ryan Gosley – preciso dizer mais? Nós todos saímos de acampamentos de treinamento, mas coube a nós absorver tudo e usar em nosso favor. É isso que quero ensinar a esses meninos. Nem tudo pode ser tão estruturado, aprendido ou ensinado. Todos eles têm uma personalidade dentro deles.

Falando de Britney, você acompanha The X Factor?

[Risadas] Eu mal tenho tempo para assistir o meu próprio programa. Sua resposta é essa.

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